Mercados Duas maiores economias do mundo em guerra comercial. Como os investidores se devem proteger

Duas maiores economias do mundo em guerra comercial. Como os investidores se devem proteger

Seis gestoras de activos revelam como se devem posicionar os investidores perante a guerra comercial entre os EUA e a China.
Duas maiores economias do mundo em guerra comercial. Como os investidores se devem proteger
Reuters
Bloomberg 19 de junho de 2018 às 16:02

Um milhão aqui, um milhão ali, e muito em breve estaremos a falar sobre dinheiro real, disse uma vez um político norte-americano. Agora que a disputa comercial entre a China e os Estados Unidos envolve valores na ordem das centenas de milhares de milhões de dólares, os investidores estão sobre pressão para encontrar a melhor forma de responder a esta nova realidade.   

 

A primeira reacção à ameaça de Donald Trump em impor tarifas adicionais de 200 mil milhões de dólares a produtos chineses foi de vender acções e comprar o iene, com a moeda japonesa a reforçar o estatuto de activo refúgio devido à posição credora do país. As bolsas desceram em várias geografias e os títulos de dívida pública dos EUA valorizaram, depois da China ameaçar com novas retaliações.    

  

Mas e depois desta terça-feira? Se as duas principais economias mundiais estão em guerra comercial, como se devem posicionar os investidores? A Bloomberg recolheu os conselhos de gestores de activos.

 

Blackrock Australia

A guerra comercial "vai escalar a partir daqui? Esperamos que não, mas é certamente um risco", diz Craig Vardy em entrevista a partir da sede do Blackrock Australia em Sidney. "Se tem vindo a assumir muito risco neste mercado, então as hipóteses de estar a perder dinheiro são elevadas".

 

Assumir posições de investimento tendo em conta as negociações entre os dois países é difícil porque os resultados são incertos, pelo que a estratégia tem passado por assumir baixos riscos através de fundos de obrigações, refere Vardy, que também aconselha evitar a volatilidade relacionada com os tweets de Donald Trump e fazer investimentos de risco através de apostas de curto prazo.

 

AMP Capital
Os bancos centrais continuam a ser o factor chave para o possível fim do actual "bull market", diz Nader Naeimi, da AMP capital, em Sidney. "Este é o mercado a que eu chamo ‘shakespereano’, repleto de ruído e fúria, que nada significam", adiantou. "Não são os políticos que definem os fins de ciclo, mas sim os bancos centrais. Mas nalguma altura os conflitos no comércio e o aumento das tarifas vão chegar aos EUA e pressionar a inflação global e se isso acontecer e encostar a Fed a um canto, então vamos ter um problema".

Entretanto, Naeimi está a usar o mercado cambial para se proteger. O gestor aposta no iene contra o dólar australiano, dólar canadiano e moeda da Coreia do Sul. "Vai haver uma tragédia nalgum lugar, pelo que não podemos descartar o risco", adiantou.

 

Oanda

Enquanto a retórica entre os Estados Unidos e a China está em alta, é mais difícil nesta altura de guerra comercial quantificar um investimento oficial, diz Stephen Innes, director da unidade de corretagem da Oanda Corp. em Singapura.

"Nesta altura é olho por olho, dente por dente, mas com pouco impacto económico", afirmou. "Uma guerra comercial em pleno desenvolvimento" envolve mais tarifas sobre um número mais elevado de bens, o que pode penalizar os resultados das empresas. "A China tem aqui a mão superior. Agora está barato, pelo que fazer a cobertura de risco é prudente antes que seja tarde demais".

 

Stephen Innes recomenda comprar o iene contra o dólar e assumir posições curtas no dólar canadiano devido às preocupações com a NAFTA e os riscos relacionados com o preço do petróleo. Também gosta de "shortar" o dólar australiano pois deverá ficar pressionado devido ao seu papel na cadeia de fornecimentos global e vulnerabilidade face aos preços das matérias-primas. "As obrigações dos EUA serão um bom porto de abrigo que vai ser procurado por muitos investidores".

 

Principal Global Investors

Para os investidores com estofo para assumir risco, podem encontrar oportunidades de compra no mercado accionista chinês, diz Binay Chandgothia, gestor de fundos da Principal Global Investors, que gere 445 mil milhões de dólares a nível global.

"As expectativas para tudo - desde resultados, passando pelo crescimento económico e os retornos - vão atingir um patamar em que todas as más notícias estarão incorporadas", afirmou Chandgothia. "As avaliações, por si só, não vão ser ‘triggers’ no curto prazo, mas vão existir oportunidades" de compra.

 

Entre os potenciais vencedores estão os gigantes tecnológicos chineses Tecent, Baidu e Alibaba. "Todos têm o principal foco no mercado doméstico e existem algumas oportunidades nestes títulos se acreditar que o ambiente para as exportadoras vão ser penalizado", acrescentou.

 

Shinkin Asset Management
"A compra do iene num movimento de aversão ao risco vai dominar os mercados", diz Jun Kato, estratego da Shinkin, em Tóquio. Por outro lado, será difícil ocorrer uma recuperação dos mercados emergentes no actual ambiente.

 

O dólar tem sido impulsionado pela divergência entre a política monetária entre a Reserva Federal e o Banco de Japão, mas o sentimento pode mudar se o par cambial ficar abaixo dos 109,85 ienes esta semana.  

 

K2 Asset Management
As divisas são os activos mais prováveis para negociar numa altura de guerra comercial, e os investidores têm de estar conscientes do impacto das alterações cambiais na sua carteira de acções, diz James Soutter. Contudo, será difícil calcular o impacto, refere o responsável de acções da K2 Asset Management.

"Estimar os impactos financeiros e compreender os riscos são duas coisas diferentes", disse. "Foi muito difícil para toda a gente medir a crise cambial na Ásia nos anos 90 – os eventos extremos são raros por natureza".




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