Obrigações Estado agenda leilão de obrigações para encaixar até 1.250 milhões

Estado agenda leilão de obrigações para encaixar até 1.250 milhões

Portugal vai emitir Obrigações do Tesouro com maturidade em 2022 e 2024 no primeiro leilão de médio e longo prazo do ano. Em Janeiro tinha já realizado uma emissão com recurso a um sindicato bancário.
Estado agenda leilão de obrigações para encaixar até 1.250 milhões
Pedro Elias
Rui Barroso 03 de fevereiro de 2017 às 13:09

Portugal agendou o primeiro leilão de Obrigações do Tesouro (OT) do ano para a próxima quarta-feira. A agência que gere o crédito público, o IGCP, anunciou esta sexta-feira essa operação. O montante indicativo é de entre 1.000 milhões e 1.250 milhões de euros e incidirá em títulos com maturidade em Outubro de 2022 e Fevereiro de 2024.

O anúncio do instituto liderado por Cristina Casalinho surge no dia em que a Fitch se poderá manifestar sobre o "rating" de Portugal. A agência classifica Portugal um nível abaixo de grau de investimento com perspectiva estável e o mercado não antecipa mexidas na notação. Este ano, Portugal já fez uma emissão de OT, mas com recurso a um sindicato bancário. A 11 de Janeiro o Estado angariou três mil milhões de euros em títulos a dez anos, com o juro a sair acima de 4,2%.

As linhas de OT de 2022 e de 2024, que serão alvo do leilão da próxima semana, transaccionam em mercado secundário com taxas de 2,818% e 3,702%. Há três meses, os investidores exigiam 2,509% e 2,982% para comprarem estas OT.

Nos últimos meses, os juros implícitos têm-se agravado devido à reavaliação global dos preços das obrigações, à diminuição do ritmo das compras mensais de dívida portuguesa por parte do BCE e às expectativas de que o banco central possa começar a retirar o programa de compra de activos devido à subida da inflação.

Apesar dessa dúvida no mercado, Mario Draghi tem sinalizado que o programa se manterá até final do ano, ou depois disso. Ainda assim, os analistas têm alertado que o BCE tem pouca margem de manobra para comprar obrigações nacionais, já que o limite de 33% por linha ou por emitente está perto de ser atingido.

No entanto, novas emissões de dívida poderão aumentar as OT disponíveis para as compras do BCE apesar de ser difícil haver títulos suficientes para que o banco central faça compras mensais ao nível da meta implícita pela participação de Portugal na chave de capital do banco, que seria de cerca de 1.400 milhões de euros. Desde Abril que as compras do BCE têm ficado abaixo da meta.

Objectivo é garantir quase 30% do financiamento do ano

Caso o Estado emita o montante máximo previsto no leilão da próxima semana, o valor angariado em OT aumenta para 4.250 milhões de euros. Nesse cenário conseguiria garantir no início de Fevereiro cerca de 28% do valor pretendido par ao ano inteiro em OT, o principal instrumento de financiamento do País.

Segundo a última apresentação a investidores feita pelo IGCP, a 4 de Janeiro, o objectivo é emitir no total do ano 15.000 milhões em OT. Já os Bilhetes do Tesouro deverão ter um impacto líquido nulo no financiamento do Estado, enquanto os certificados de poupança deverão render 1.500 milhões de euros. No plano de financiamento para este ano, o IGCP indicou que iria assegurar emissões mensais de OT, combinando sindicatos com leilões. 


(Notícia actualizada às 13:38 com mais informação)




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comentários mais recentes
nb 03.02.2017

Porque não fazem os mercados a vontade ao PCP, BE e parte do PS, e marimbam-se para esta venda? Afinal, vendem o quê? Dívida? Mas aquelas inteligências dizem que a querem renegociar/não pagar! Enfim, é destas contradições que se alimentam estes partidos e ainda conseguem votos.

Caro João 03.02.2017

Os comentadores Pafianos, são "factos alternativos" e deambulam por aí como espíritos malignos à procura de refúgio no Inferno que tanto querem, tanto desejam mas já não sabem onde fica ou, sequer, se existe!

Anónimo 03.02.2017

Não é pois de admirar que a divida pública aumente. Continuem que vão no bom caminho
até a teta secar.

joao 03.02.2017

pairam por aqui uns anonimos PAF que estão agora muito preocupados com emissões de divida. Será que eles acham que o seu desgoverno não emitiu divida? será que eles sabem quanto aumentou a divida publica com o PAF? será que acham que os outros paises nao emitem divida? será?

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