Obrigações Estado garante mais de 70% do financiamento para este ano

Estado garante mais de 70% do financiamento para este ano

Com a emissão de 1.000 milhões de euros desta quarta-feira, o Estado chega a Julho com mais de 70% da meta para a emissão de Obrigações do Tesouro cumprida. Ficam a faltar 4.200 milhões de euros.
Estado garante mais de 70% do financiamento para este ano
Pedro Elias
Rui Barroso 13 de julho de 2017 às 07:00

O Tesouro financiou-se esta quarta-feira em 1.000 milhões de euros em títulos a dez e a 28 anos. Com esta emissão, a agência que gere o crédito público superou 70% da meta de financiamento via Obrigações do Tesouro (OT) delineada para este ano: 15.000 milhões de euros.
Com a emissão desta semana, o montante colocado em OT desde o início do ano aumenta para 10.800 milhões de euros, 72% do objectivo. Ficam a faltar 4.200 milhões de euros. Segundo as linhas de actuação do IGCP, o Tesouro costuma ir ao mercado realizar leilões de entre 1.000 a 1.250 milhões de euros. Assim, em teoria, para atingir 100% da meta poderão ser realizados mais quatro leilões de OT até final do ano. Em 2016, até meio de Julho, o Tesouro tinha emitido 64% do total de OT para esse ano.

A presidente do IGCP, Cristina Casalinho, tem indicado que a agência, assim como as pares internacionais, tendem a privilegiar o início do ano para realizarem o financiamento. "Tipicamente nos primeiros seis meses assegura-se cerca de 75% do financiamento do ano", tinha indicado logo no início do ano.

Os analistas não aparentam prever dificuldades para cumprir o plano de financiamento. O Société Générale, por exemplo, dizia esta terça-feira que os dados positivos da economia deveriam levar a uma diminuição dos prémios de risco da dívida nacional. Já o Commerzbank considerava numa nota que "o sentimento continua bastante positivo".

Dívida emitida pré-financia 2018

Apesar de o plano de financiamento de 2017 ainda não estar concluído, o valor obtido na emissão desta semana deverá ficar reservado para engrossar a almofada financeira de forma a pré-financiar as necessidades do próximo ano.

Antes da operação, o IGCP referiu numa nota a investidores que "as próximas emissões servirão principalmente para assegurar uma posição de tesouraria confortável e pré-financiar as necessidades de 2018".

O Tesouro conta chegar ao final do ano com 6.400 milhões de euros em depósitos. Segundo a agência que gere a dívida pública, esse montante "é suficiente para assegurar cerca de 50% das necessidades de financiamento, que estão projectadas em 12.200 milhões de euros". Esse valor exclui potenciais novas amortizações antecipadas ao FMI em 2018 que, segundo o IGCP, estarão dependentes "das condições de mercado e da execução do plano de financiamento".

Este ano, depois de ter pago antecipadamente 1.700 milhões do empréstimo do Fundo em Fevereiro, Portugal obteve no final de Junho autorização para fazer mais amortizações. Em Julho pagou 1.000 milhões de euros e planeia fazer mais um reembolso de 2.600 milhões de euros até Agosto.

Apesar de estes valores terem levado a um ajustamento do plano de financiamento, não deverão obrigar a aumentar o recurso ao mercado, já que o empréstimo de 2.300 milhões de euros concedido pelo Santander no âmbito do acordo sobre os "swaps" de empresas públicas e o maior contributo do retalho  compensarão essas necessidades de financiamento adicionais.




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Anónimo Há 1 semana

As pessoas precisam de um Estado que seja bom gestor da coisa pública e pessoa de bem. Um Estado que faça boa gestão de recursos humanos despedindo onde e quando é preciso e que saiba investir em bens de capital onde e quando é necessário. Isto é o que Portugal não tem. Isto é o que falta às pessoas. O radicalismo sindical é tão nocivo, e anti-mercado, como o corrupto capitalismo selvagem de compadrio. Quer uns quer outros atiram a coisa pública para os braços dos aproveitadores sem escrúpulos, para os bandidos e para os incompetentes. Com um Estado bom gestor da coisa pública não precisávamos de contrair tanta dívida. Comecem a despedir excedentários e a mandar o capitalismo de compadrio para aquele sítio... Comecem por aí. Eu não ponho nem um tostão na vossa dívida. De mim, para essas tolices, só levam o que conseguem me extorquir e pilhar. E já é demais.

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