Câmbios Euro com o maior ganho anual desde 2003

Euro com o maior ganho anual desde 2003

Num ano em que as taxas de juro já começaram a subir nos EUA e no Reino Unido é o euro que mais valoriza.
Euro com o maior ganho anual desde 2003
Sara Antunes 29 de dezembro de 2017 às 14:30

O euro está a acumular uma subida próxima de 14% desde o início do ano contra o dólar. Uma variação acentuada e que representa mesmo o melhor desempenho da moeda única da Zona Euro desde 2003.

 

O euro está a negociar acima dos 1,19 dólares, tendo, em Agosto, chegado a negociar acima de 1,20 dólares, o que representou um máximo de Dezembro de 2014.

 

E não é apenas contra o dólar que o euro está a sair "vitorioso" este ano. A moeda da Zona Euro está a subir quase 4% face à libra em 2017, sendo o segundo ano consecutivo de valorização do euro contra esta divisa. Algo que já não se verificava desde 2008.

 

O euro reforça-se assim contra as principais moedas apesar de nos EUA e no Reino Unido ter já sido iniciado um programa de subida de juros. A Reserva Federal (Fed) decretou, agora em Dezembro, o terceiro aumento de juros nos EUA este ano, que colocou a taxa no intervalo entre 1,25% e 1,50%. Já o Banco de Inglaterra subiu uma vez o preço do dinheiro, um movimento que já não acontecia há mais de uma década.

 

Já o Banco Central Europeu (BCE) tem mantido os juros em zero, aumentando a distância face aos seus congéneres. Ao mesmo tempo que mantém o programa de estímulos à economia, ainda que tenha reduzido o montante de compras dos actuais 60 mil milhões de euros por mês para 30 mil milhões de euros até Setembro.

 

A beneficiar o euro estiveram factores políticos e boas notícias na frente económica, com o crescimento no bloco a ultrapassar os 2% em 2017 (2,4% segundo o BCE), o que será o valor mais elevado numa década.

No arranque do ano, o calendário eleitoral fez soar alguns alarmes, com os investidores a recearem os resultados das eleições em França e na Alemanha. Mas no Palácio do Eliseu quem ficou foi Emmanuel Macron, alinhado com as políticas europeias. E, na Alemanha, Angela Merkel acabou por vencer as eleições, ainda que se viva actualmente um impasse político por ausência de uma maioria absoluta no Parlamento. A Zona Euro beneficiou destes desenvolvimentos, assim como da política de estímulos do BCE, com o ano a terminar em alta tanto no crescimento como na confiança dos consumidores.

 

Já no Reino Unido, os receios relacionados com o Brexit persistem. E se é difícil antecipar o real impacto deste evento, a libra parece estar a acusar a decisão britânica.

 

Em relação ao dólar, o euro tem beneficiado da incerteza em relação às medidas fiscais, que só agora no final do ano foram aprovadas, da tensão geopolítica que se viveu – especialmente entre os EUA e a Coreia do Norte – e da incerteza em torno do futuro da Fed, dúvidas que só se dissiparam em Novembro, quando Donald Trump anunciou que o próximo presidente da autoridade monetária americana será Jerome Powell, a partir de Fevereiro.