Câmbios "Exit" de investidores atira libra para mínimos de 30 anos

"Exit" de investidores atira libra para mínimos de 30 anos

Após a primeira-ministra britânica ter indicado que o Brexit vai arrancar oficialmente no primeiro trimestre, a libra caiu para mínimos.
"Exit" de investidores atira libra para mínimos de 30 anos
Rui Barroso 05 de Outubro de 2016 às 20:02
Theresa May garantiu que o Reino Unido iria iniciar formalmente a saída da União Europeia no primeiro trimestre de 2017. E, depois da acalmia da libra, os investidores despertaram novamente para os receios dos impactos do Brexit na divisa e na economia após as palavras da primeira-ministra. A divisa britânica atingiu mesmo o valor mais baixo das últimas três décadas face ao dólar na terça-feira.

A divisa até interrompeu as descidas na passada quarta-feira. Mas a pressão deverá continuar, ao sabor dos avanços e recuos das negociações entre Londres e Bruxelas para definirem os termos do divórcio. Agostinho Leal Alves, analista do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI, relaciona a fraqueza da libra nas últimas sessões com o anúncio do governo britânico "de que no final de Março de 2017 será accionado o artigo 50".

O analista observa que antes do anúncio de Theresa May,  "o mercado cambial estava num "deixa andar" em relação aos câmbios da libra e agora tem certezas de que no curto/médio prazo tudo se desenrolará e que a economia sofrerá durante esse período (talvez não tanto quando se esperaria inicialmente)".

E o despertar do mercado para uma espécie de Brexit "duro" deixou marcas na libra. A divisa desce 1,67% face à nota verde nas últimas três sessões para 1,2755 dólares. E bateu um mínimo de mais de três décadas, ao tocar nos 1,272 dólares na terça-feira. Contra a moeda única, a libra cedeu 1,48% nas últimas três sessões, com cada euro a valer 0,879 libras. Trata-se do valor mais baixo desde 2013.

"Vimos a libra-dólar atingir extremos de 1985 no meio de um aumento do pessimismo relacionado com o Brexit. A combinação de um Brexit "duro" e da ausência de tentativas de mitigar os riscos para o sector financeiro sublinham que o nosso "target" de 1,25 dólares para final do ano arrisca ser atingido mais cedo", refere Jeremy Sretch, estratego do Canadian Imperial Bank of Commerce.

Também Agostinho Leal Alves aponta para que a libra possa continuar sob pressão. "Se houver impasse em questões fundamentais, como as relações comerciais ou financeiras com a UE, acredito na fuga da libra e mesmo na abertura e reforço de posições curtas nesta moeda". E não exclui que nesse cenário o euro possa subir face à libra para os máximos registados em Janeiro de 2009, quando a moeda única cotou em 0,98 libras.



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