Obrigações Famílias portuguesas são das que mais investem em dívida pública

Famílias portuguesas são das que mais investem em dívida pública

Mais de 10% da dívida pública portuguesa é detida pelas famílias e empresas do país, o que representa um dos valores mais elevados da União Europeia.
Famílias portuguesas são das que mais investem em dívida pública
Nuno Carregueiro 20 de junho de 2017 às 10:44

As famílias portuguesas estão a apostar cada vez mais em dívida pública, em resposta à queda dos juros dos depósitos e ao aumento da oferta de produtos de captação de poupança por parte do Estado.

 

De acordo com os dados publicados esta terça-feira, 20 de Junho, pelo Eurostat, 10,8% da dívida pública portuguesa já estava em 2016 na posse das famílias e empresas nacionais.


O gabinete de estatística não fornece os dados dos anos anteriores, mas este peso tem vindo a aumentar nos últimos anos, à medida que as famílias portuguesas reforçam o investimento em produtos como certificados do Tesouro e de Aforro.

 

Portugal surge em quarto lugar na União Europeia onde o peso das famílias e empresas na dívida pública é maior. No topo está Malta (28%), surgindo depois Hungria (28%) e Irlanda (11%).

 

Em todos os restantes países da UE a dívida detida pelas famílias e empresas é inferior a 10% do total emitido. A importância das famílias no financiamento do estado português ganha relevo porque Portugal é um dos países mais endividados da União Europeia, com a dívida pública a atingir em 2016 um recorde acima de 130% do PIB.

 

Só no mês de Abril as famílias portuguesas aplicaram mais 218 milhões de euros em certificados de poupança, elevando pela primeira vez para mais de 25 mil milhões de euros o valor aplicado nestes produtos.

 

Em Abril, de acordo com o Banco de Portugal, a dívida pública atingiu um recorde de 247,4 mil milhões de euros. Só nestes produtos de poupança, o peso do investimento das famílias superava os 10%.

 

No que diz respeito à titularidade da restante dívida portuguesa, os dados do Eurostat mostram que, no final de 2016, 31% estava na posse de bancos portugueses, o que situa abaixo do que ocorre na maioria dos restantes países. Já os investidores estrangeiros controlam 58,2% da dívida portuguesa, sendo que grande parte deste montante está nas mãos de credores institucionais, como os fundos da UE e o FMI.

 

Quanto à composição da dívida portuguesa, Portugal também se destaca por ser o segundo país da UE onde os empréstimos têm o maior peso (36%), surgindo só depois do Luxemburgo (40%).

 

É também um dos países onde os depósitos têm um maior peso no valor da dívida. Representam 9,3% do total, devido à almofada de liquidez construída nos últimos anos para fazer face à possibilidade de períodos conturbados nos mercados. Só a Irlanda (10,6%) e o Reino Unido (10%) têm um peso superior. 




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mais votado Anónimo Há 4 semanas

O juro da dívida pública portuguesa é ainda uma enormidade se comparado com os juros negativos da dívida japonesa, alemã e suíça. Os governos da Suécia, Holanda e França estão a ser pagos pelo que pediram emprestado na maioria dos prazos! Até Espanha e Itália já pediram emprestado e estão a ser pagos por isso nos prazos mais curtos de até 2-3 anos! Nem no prazo mais curto do mercado de capitais (superior a 1 ano) a dívida que a República Portuguesa emite tem um juro negativo. Não o tem em prazo algum para o mercado de capitais. Só o tem no mercado monetário... mas quem não tem? A Venezuela? O Zimbábue? Espanha, França e Itália, como termo de comparação, em vários prazos no mercado de capitais, têm taxa negativa. Portugal porque não flexibiliza, moderniza e dinamiza os mercados de factores produtivos, está a ser sugado e parasitado por credores sanguessuga e abutres, grupo ao qual muitas famílias portuguesas se juntaram tal é o incentivo e a disponibilidade.

comentários mais recentes
Anónimo Há 4 semanas

O juro da dívida pública portuguesa é ainda uma enormidade se comparado com os juros negativos da dívida japonesa, alemã e suíça. Os governos da Suécia, Holanda e França estão a ser pagos pelo que pediram emprestado na maioria dos prazos! Até Espanha e Itália já pediram emprestado e estão a ser pagos por isso nos prazos mais curtos de até 2-3 anos! Nem no prazo mais curto do mercado de capitais (superior a 1 ano) a dívida que a República Portuguesa emite tem um juro negativo. Não o tem em prazo algum para o mercado de capitais. Só o tem no mercado monetário... mas quem não tem? A Venezuela? O Zimbábue? Espanha, França e Itália, como termo de comparação, em vários prazos no mercado de capitais, têm taxa negativa. Portugal porque não flexibiliza, moderniza e dinamiza os mercados de factores produtivos, está a ser sugado e parasitado por credores sanguessuga e abutres, grupo ao qual muitas famílias portuguesas se juntaram tal é o incentivo e a disponibilidade.

Manuel Há 4 semanas

Situação muito perigosa, a geringonça com o "não pagamos, restruturação, etc" não consegue no exterior mas internamente basta um simples decreto.

Anónimo Há 4 semanas

Criem uma sociedade sem numerário (cashless society), reformem o sistema tributário de acordo com a proposta Automated Payment Transaction tax de Edgar L. Feige e substituam o sistema público piramidal/Ponzi de prestações sociais por um Rendimento Básico Universal para maiores de 21 ou maiores de 18 se estiverem matriculados no ensino pós-secundário ou profissional (aproximadamente 450 euros/mês em Portugal; 750 euros/mês na Finlândia; preços de 2015) em todo e cada Estado-Membro da UE na Euro Zona. Obviamente que isto pressupõe uma aprofundada flexibilização das regras laborais no sector público e no sector privado. Sobrarão PPRs, investimento reprodutivo em acções de empresas e aforro privado que canalizará recursos para a inovação e o empreendedorismo criando por essa via valor na economia.

saraiva14 Há 4 semanas

Como o Bloco e o PCP querem a 'reestruturação' da dívida pública, quem investe corre um grande risco!

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