Mercados num minuto Fecho dos mercados: "América primeiro" trava bolsas, tira força ao dólar e puxa pelo ouro

Fecho dos mercados: "América primeiro" trava bolsas, tira força ao dólar e puxa pelo ouro

As bolsas desceram após os primeiros actos e palavras de Trump enquanto presidente terem sinalizado mais proteccionismo. O dólar perdeu valor e o ouro ganhou brilho, beneficiando do seu estatuto de refúgio.
Fecho dos mercados: "América primeiro" trava bolsas, tira força ao dólar e puxa pelo ouro
Reuters
Rui Barroso 23 de janeiro de 2017 às 17:27

Os mercados em números

PSI-20 perdeu 0,90% para 4.560,06 pontos

Stoxx 600 cedeu 0,43% para 361,01 pontos

S&P 500 desce 0,56% para 2.258,59 pontos

"Yield 10 anos de Portugal recua 7,9 pontos base para 3,793%

Euro avança 0,35% para 1,0740 dólares

Petróleo perde 0,50% para 55,21 dólares por barril em Londres

Bolsas descem com reavaliação às políticas de Trump

As primeiras acções de Donald Trump enquanto presidente dos EUA apontaram para um maior proteccionismo. Este lema de "América primeiro" levou os investidores a adoptarem uma posição mais defensiva, o que resultou numa descida das bolsas.

O Stoxx 600 perdeu 0,43%, para o valor mais baixo em um mês, e o S&P 500 segue a descer 0,56%. Após as eleições de 8 de Novembro, os investidores depositaram esperança nas promessas de estímulos orçamentais de Donald Trump. Mas, agora, começam-se a fazer contas aos potenciais impactos de políticas mais proteccionistas.

"Após um período de optimismo dos investidores em relação a Trump chega um tempo de preocupação relacionada com a sua política proteccionista. Isto coloca os investidores num modo de esperar para ver e podem estar a antecipar descidas adicionais", referiu Andrea Tueni, "trader" do Saxo Bank, citado pela Bloomberg.

Na Europa, as maiores descidas pertenceram às petrolíferas, aos bancos e às tecnológicas, com os respectivos índices a perderem mais de 1%. Já as cotadas do sector mineiro e de imobiliário tiveram as maiores subidas. No PSI-20 o dia também foi de quedas. O índice perdeu 0,90%, penalizado pela queda de 2,16% da EDP e de 3,04% da Sonae.O BCP perdeu 0,44%, apesar da subida de 7,32% dos direitos de subscrição. Já a Corticeira Amorim ganhou 1,02% e a Pharol subiu 0,87%.

Taxa a dez anos abaixo de 3,8%

O dia foi volátil para as taxas das obrigações portuguesas. No prazo a dez anos, a "yield" chegou a subir 4,2 pontos base para 3,915%, mas acabaria por cair 7,9 pontos base no final da tarde para 3,793%. Está no nível mais baixo desde 2 de Janeiro.

Em Espanha e Itália, o dia também foi de quedas. A taxa espanhola a dez anos baixou sete pontos base para 1,435%, enquanto a "yield" italiana cedeu 3,2 pontos base para 1,991%. Já a taxa alemã iniciou a semana com uma descida de 5,8 pontos base para 0,363%.

 

Euribor sobe a três meses, mas renova mínimos a 12 meses

As Euribor tiveram comportamentos distintos esta segunda-feira. A taxa a três meses aumentou 0,1 pontos base para -0,327%, segundo dados da Lusa. Já no prazo a 12 meses, a Euribor atingiu um novo mínimo histórico. Caiu 0,1 pontos base para -0,101%. Já o indexante a seis meses não sofreu alterações, mantendo-se em -0,241%, valor que constitui o actual mínimo histórico.

Dólar perde força

O índice que mede a força da nota verde contra as outras principais divisas mundiais perde 0,64% para 1.245,40 pontos. Isto numa altura em que o foco do mercado passou do impacto dos estímulos orçamentais prometidos por Trump para os receios sobre os impactos do proteccionismo defendido pelo presidente americano. O euro também aproveita esta fraqueza da divisa americana. Sobe 0,35% para 1,0740 dólares.

Petróleo sobe nos EUA e desce em Londres

Os preços do petróleo não tiveram tendência definida esta segunda-feira. O Brent perde 0,50% para 55,21 dólares, mas já negociou no verde. E o West Texas Intermediate, negociado em Nova Iorque, ganha 0,57% para 52,72 dólares. Isto depois de ter chegado a desvalorizar 0,40%. Estes dados ocorrem após o aumento da actividade de exploração nos EUA. O número de plataformas petrolíferas activas teve uma subida na semana passada de 35 para 694, segundo dados da Baker Hughes, citados pela Bloomberg. Foi a maior subida em mais de três anos e isso é visto pelos participantes no mercado como um factor que pode prejudicar o impacto pretendido pela OPEP com os cortes de produção.

Proteccionismo de Trump dá ganhos ao ouro

O ouro voltou a valorizar, negociando no valor mais elevado desde o passado mês de Novembro, O preço da onça de troy sobe 0,57% para 1.217,26 dólares. A incerteza sobre as políticas económicas de Donald Trump e os receios de mais proteccionismos beneficiaram, a par da queda do dólar, o metal amarelo. "Neste ambiente bastante imprevisível, as pessoas querem comprar ouro", considerou Bob Takai, presidente-executivo da Sumitomo Global Research, à Bloomberg.

(Notícia corrigida às 18:06 com evolução das acções e dos direitos do BCP)




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