Mercados num minuto Fecho dos mercados: Bolsas descem à espera da Fed. Matérias-primas sobem e juros abaixo de 2,4%

Fecho dos mercados: Bolsas descem à espera da Fed. Matérias-primas sobem e juros abaixo de 2,4%

As principais praças do Velho Continente terminaram a sessão em queda ligeira, com os investidores num impasse, antes da conferência de imprensa da Fed dos EUA. Já o juros voltaram a renovar mínimos de 2015.
Fecho dos mercados: Bolsas descem à espera da Fed. Matérias-primas sobem e juros abaixo de 2,4%
Reuters
Patrícia Abreu 20 de setembro de 2017 às 17:19

Os mercados em números

PSI-20 desceu 0,13% para 5.296,17 pontos

Stoxx 600 cedeu 0,04% para 381,98 pontos

S&P 500 avança 0,02% para 2.507,22 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal caiu 3,9 pontos base para 2,383%

Euro estável em 1,1995 dólares

Petróleo sobe 1,85% para 56,16 dólares por barril, em Londres

Bolsas de regresso às descidas

No dia em que se espera que a Reserva Federal dos EUA anuncie o início da redução do seu balanço, as principais bolsas mundiais seguiam a desvalorizar. O índice europeu Stoxx 600 cedeu 0,04%, numa sessão em que o sector do retalho protagonizou as descidas mais expressivas e as petrolíferas estiveram a travar uma queda mais acentuada do índice.

No centro das atenções está a decisão de política monetária do banco central dos EUA. A expectativa dos economistas é a de que o banco central deverá começar a reduzir de forma gradual o reinvestimento dos títulos que comprou ao abrigo dos antigos programas de compras de activos. Mas o foco estará nas pistas que a autoridade monetária deixará sobre a evolução futura da taxa dos fundos federais, numa altura em que as expectativas do mercado e da Reserva Federal aparentam estar desalinhadas.

"Os recentes e contraditórios comentários por parte de alguns dos membros do comité parecem sugerir que o banco central está a perder o seu rumo. Além do mais, após nove anos de expansão da economia norte-americana, a inflação não só não está a acelerar, como ficou efectivamente aquém das expectativas – o que ilustra a tensão nos mercados laborais. Isto está a aumentar ainda mais o cepticismo sobre os planos da Fed", observa Franck Dixmier, responsável do mercado de obrigações da Allianz Global Investors, numa nota.

A bolsa de Lisboa seguiu as quedas na Europa, tendo encerrado a desvalorizar 0,13%. O índice PSI-20 caiu pela primeira vez em nove sessões, quebrando assim a série de ganhos mais longa desde Janeiro de 2014. A travar a praça portuguesa esteve o BCP. O banco liderado por Nuno Amado caiu 1,81% para 0,228 euros, depois de ter registado fortes subidas nos últimos dias, em reacção à decisão da S&P.

Juros abaixo de 2,4%

Os juros exigidos pelos investidores para deter dívida portuguesa voltaram a corrigir. A "yield" a dez anos caiu 3,9 pontos base para 2,383%, um novo mínimo de Dezembro de 2015, depois da decisão da Standard & Poor's, que surpreendeu o mercado, ao retirar o "rating" do país de um patamar considerado de "lixo". Esta queda surge num dia em que o Estado foi ao mercado financiar-se em 1.750 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a seis e a 12 meses.

Na maturidade mais curta foram colocados 500 milhões de euros com uma taxa de -0,363%. É o juro mais baixo de sempre e compara com os -0,292% da última operação com prazo semelhante. Já nos BT a 12 meses, foram colocados 1.250 milhões de euros. E as taxas também caíram a pique. O juro da operação foi de -0,345%, um novo mínimo para este prazo. Esta taxa compara com a de -0,259% realizada na última operação semelhante.

O "spread" face à dívida alemã caiu para 193,9 pontos.

Euribor sobem a 3 e 6 meses

As taxas Euribor subiram hoje a três e seis meses e mantiveram-se a nove e 12 meses, em relação a terça-feira. A Euribor a três meses subiu hoje para -0,329%, mais 0,001 pontos do que na terça-feira. A seis meses, a taxa Euribor também subiu, ao ser fixada em -0,271%, mais 0,001 pontos e contra o actual mínimo de sempre, de -0,275%, verificado em 8 de Setembro. A nove meses, a Euribor manteve-se pela terceira sessão consecutiva em -0,219%. No prazo de 12 meses, a taxa foi fixada pela quinta sessão consecutiva em -0,171%.

Euro estável à espera da Fed

A moeda única europeia seguia estável em 1,1995 dólares, a poucas horas de ser conhecida a decisão da Fed relativamente aos juros no país. A expectativa é que a autoridade monetária mantenha a taxa dos fundos federais num intervalo entre 1% e 1,25%, mas que dê sinais de uma subida para o final do ano. Segundo uma análise do Crédit Suisse há três cenários que podem promover uma recuperação da nota verde: a entidade deixar indicações claras de uma mexida nos juros até ao final do ano, uma referência aos valores demasiado baixos a que o dólar negoceia ou um ênfase na recuperação sustentada da economia dos EUA, em detrimento dos fracos números da inflação.

Petróleo dispara após queda das reservas

Os preços do petróleo seguem a valorizar perto de 2% nos mercados internacionais, a reagirem a um relatório sobre a evolução das reservas de crude e de gasolina nos EUA, na última semana. O Brent, negociado no mercado de Londres, sobe 1,85% para 56,16 dólares, enquanto o WTI, em Nova Iorque, sobe 1,78% para 50,36 dólares. A impulsionar o "ouro negro" está a quebra de inventários de gasolina para mínimos de 22 meses. Já as reservas de diesel e outros destilados desceram em 5,69 milhões de barris.

Ouro mantém-se acima de 1.300 dólares

Os preços do metal precioso seguem a valorizar, com os investidores atentos às decisões que possam sair do encontro do Comité da Fed esta quarta-feira. O ouro avança 0,3% para 1.315,10 dólares por onça, a recuperar, após três dias de quedas, num momento em que o dólar continua pressionado face ao euro.




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