Mercados num minuto Fecho dos mercados: Bolsas europeias afundam 2% e investidores apostam na dívida alemã

Fecho dos mercados: Bolsas europeias afundam 2% e investidores apostam na dívida alemã

As bolsas europeias e as matérias-primas foram contagiadas pela segunda-feira negra em Wall Street, com os investidores a refugiarem-se na dívida alemã. A volatilidade está de regresso mas os analistas esperam que esta seja apenas uma correcção.
Fecho dos mercados: Bolsas europeias afundam 2% e investidores apostam na dívida alemã
Reuters
Nuno Carregueiro 06 de fevereiro de 2018 às 17:35

Os mercados em números

PSI-20 perdeu 1,47% para 5.325,85 pontos

Stoxx 600 caiu 2,41% para 372,79 pontos

S&P 500 recua 0,6% para 2.633,05 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos subiram 1,5 pontos base para 2,06%

Euro recua 0,42% para 1,2411 dólares

Petróleo em Londres desvaloriza 0,38% para 68,32 dólares 

 

Bolsas europeias caem pela sétima sessão após forte queda em Wall Street 

As bolsas asiáticas e europeias foram contagiadas pela segunda-feira negra em Wall Street, embora registando perdas mais contidas. Depois do Dow Jones ter fechado a última sessão a cair mais de 1.000 pontos, esta terça-feira a maioria dos índices europeus fechou a marcar perdas acima de 2%, anulando já todos os ganhos obtidos no ano.

 

O Stoxx600 caiu 2,41% para 372,79 pontos, naquela que foi a sétima sessão a fechar em terreno negativo. Os mercados têm sido pressionados pela especulação em torno da inflação nos EUA e consequente subida de juros mais célere do que o que estava a ser antecipado, embora muitos analistas considerem que esta é uma correcção saudável face às forte subidas do início do ano.  Adiantam também que este movimento vai trazer um forte aumento da volatilidade, que tem estado em níveis historicamente baixos nos últimos meses. O que se confirma já na sessão de hoje em Wall Street, pois os índices abriram em forte queda, passaram para terreno positivo e seguem agora sem tendência definida.  

 

"Penso que o que temos aqui é uma correcção e não o início de uma recessão económica", disse à Bloomberg Brent Schutte, CIO da Northwestern Mutual Life. "As correcções ocorrem quando as pessoas estão mal posicionadas e têm que se posicionar para um novo ambiente. Tal pode acontecer de forma rápida, mas curta".

 

O PSI-20 seguiu o desempenho das bolsas europeias, terminando a sessão a perder 1,47% para 5.325,85 pontos, elevando para sete o número de dias em queda. Este é o período mais prolongado de descidas na praça nacional desde o início de Janeiro de 2016.  

 

Dólar em alta pela terceira sessão

Depois de ter fixado um mínimo de três anos na semana passada, a moeda norte-americana está recuperara pela terceira sessão, beneficiando com a turbulência no mercado de acções, que está a levar os investidores a reposicionarem a exposição ao dólar. O índice do dólar face às principais divisas mundiais valoriza 0,3% para máximos de três semanas. O euro consegue ganhar algum terreno no final da sessão e segue a subir 0,12% para 1,2381 dólares. 

 

Investidores preferem dívida alemã

As obrigações soberanas da Alemanha são dos activos que mais beneficiam com a fuga dos investidores dos mercados accionistas. A "yield" das bunds a 10 anos desceu 4 pontos base para 0,696%, distanciando-se assim dos máximos de Janeiro de 2015 fixados nas últimas sessões. Já ontem, os investidores tinham procurado refúgio nas obrigações norte-americanas, com a "yield" dos títulos a 10 anos a cair mais de 10 pontos base, enquanto o Dow Jones afundava mais de mil pontos. Hoje os juros das treasuries estão a corrigir, com uma subida de 4,5 pontos base para 2,75%.

 

A Bloomberg nota que os investidores estão a mostrar preferência pela dívida alemã em detrimento da norte-americana, com o diferencial entre os títulos dos dois países a atingir a maior margem desde Junho. Em Portugal os juros das obrigações do Tesouro subiram 1,5 pontos base para 2,06%, pelo que o "spread" face à dívida alemã agravou-se para 136 pontos base.      

 

Queda das bolsas contagia petróleo

A cotação do petróleo também foi penalizada pela desvalorização acentuada das acções, com os investidores a reduzirem a exposição a activos de maior risco. O crude está a descer pela terceira sessão naquela que é a sequência de descida mais forte em dois meses, tendo atingido mínimos de duas semanas. O WTI em Nova Iorque cede 0,56% para 63,79 dólares e o Brent em Londres desvaloriza 0,59% para 67,22 dólares.

 

Euribor a seis meses cai para novo mínimo 

As taxas Euribor mantiveram-se hoje a três, nove e 12 meses, em relação a segunda-feira, mas desceram a seis meses para um valor mínimo. A taxa a seis meses, que é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação, caiu hoje para -0,279%, isto é, menos 0,1 pontos base do que na segunda-feira e um valor mínimo. Já a Euribor a três meses manteve-se em -0,329%.

 

Ouro não serve de refúgio

Ao contrário de outras alturas de forte turbulência nos mercados, desta vez os investidores não estão a procurar refúgio no ouro. Embora perto de máximos de seis meses, o metal precioso está a transaccionar em terreno negativo, numa sessão que está a ser de perdas para a maioria das matérias-primas. Na bolsa de Londres, o ouro para entrega imediata está a recuar 0,93% para 1.327,27 dólares por onça.  




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