Mercados num minuto Fecho dos mercados: Dólar ganha força, juros sobem e bolsas perdem após decisões da Fed

Fecho dos mercados: Dólar ganha força, juros sobem e bolsas perdem após decisões da Fed

O mercado já antecipava que a Reserva Federal dos EUA subisse os juros. Mas o tom de Janet Yellen e do comunicado do banco central foi mais restritivo que o esperado pelos investidores. Como consequência, o dólar ganhou força e os juros das obrigações subiram.
Fecho dos mercados: Dólar ganha força, juros sobem e bolsas perdem após decisões da Fed
Reuters
Rui Barroso 15 de junho de 2017 às 17:26

Os mercados em números

PSI-20 desceu 1,01% para 5.262,02 pontos

Stoxx 600 cedeu 0,39% para 386,05 pontos

S&P 500 cai 0,42% para 2.427,85 pontos

Juros da dívida a dez anos subiram 1,6 pontos base para 2,862%

Euro desce 0,68% para 1,1142 dólares

Brent desvaloriza 0,36% para 46,83 dólares por barril

Acções europeias em mínimos de quase dois meses

O índice europeu Stoxx 600 desceu pela segunda sessão. Perdeu 0,39% para 386,05 pontos, negociando no valor mais baixo em quase dois meses. A pressionar as bolsas europeias estiveram sobretudo as cotadas dos sectores do retalho, da indústria mineira, as telecoms e as tecnológicas.

No retalho, empresas como a H&M apresentaram vendas abaixo do esperado. As acções perderam 5,51%, levando o índice das retalhistas a perder 2,24%. As mineiras perderam mais de 1%, pressionadas pela descida nos preços das matérias-primas. E as tecnológicas continuam a ser alvo de pressão após a queda a pique que ocorreu no final da semana passada. Dos 19 índices sectoriais do Stoxx 600, apenas três encerraram a sessão no verde (alimentação, banca e farmacêuticas). E com ganhos que não foram além de 0,33%.

O PSI-20 não resistiu ao sentimento de maior cautela dos investidores. O índice perdeu 1,01% pressionado sobretudo pela EDP. Os títulos da eléctrica cederam 3,69% para 3,056 euros, após o Morgan Stanley ter cortado a recomendação para a empresa na sequência das investigações sobre os custos de manutenção de equilíbrio contratual (CMEC).

Juros da dívida interrompem ciclo de descidas

A taxa das obrigações portuguesas a dez anos interrompeu uma sequência de cinco descidas. Mas como as subidas nas "yields" de outros países do euro foram de maior dimensão, o prémio de risco caiu. Com o mercado a ajustar-se a um tom mais restritivo da Reserva Federal dos EUA, as obrigações soberanas acabaram por sair penalizadas.

A taxa portuguesa a dez anos subiu 1,6 pontos base para 2,862%. Já a "yield" alemã agravou-se em 5,6 pontos base para 0,282%, o que permitiu que o prémio de risco da dívida nacional baixasse para 258 pontos base. As taxas a dez anos de Espanha e Itália subiram 3,5 e 2,7 pontos base, respectivamente, para 1,416% e 1,967%.

 

Euribor a três meses sobe

As Euribor tiveram comportamentos distintos. A taxa a três meses aumentou 0,2 pontos base para -0,329%. Já os indexantes a seis e a 12 meses não registaram alterações face à passada quarta-feira, segundo dados da agência Lusa. A taxa a seis meses permaneceu em -0,271%, actual mínimo histórico. Também a Euribor a 12 meses voltou a ser fixada em -0,152%.

Dólar interrompe ciclo de quedas no rescaldo da Fed

O dólar recuperou no rescaldo da subida de juros por parte da Reservas Federal dos EUA e das indicações deixadas por Janet Yellen que deu mais pistas sobre a redução do balanço do banco central. O índice que mede a força da nota verde face às outras dez principais divisas mundiais sobe 0,52% para 1.196,27 pontos. "É justo dizer que o comunicado e a conferência de imprensa foram tudo menos ‘dovish’, o que foi uma surpresa para muitos", referia o RBC Capital Markets numa nota. O euro também perde face à nota verde. Cai 0,68% para 1,1142 dólares.

Além do tom menos suave que o esperado da presidente da Fed, os dados dos pedidos de subsídio de desemprego nos EUA, revelados esta quinta-feira, deram a indicação de um fortalecimento do mercado de trabalho na maior economia do mundo, o que reforça a convicção de que a Fed irá normalizar as políticas monetárias mais rapidamente que o antecipado.

Petróleo continua sob pressão

Após as fortes quedas desta quarta-feira, o petróleo continua sob pressão. O valor do Brent desce 0,36% para 46,83 dólares. Já o West Texas Intermediate, negociado em Nova Iorque cede 0,58% para 44,47 dólares. As quedas intensificaram-se esta quarta-feira após os dados das reservas de combustíveis nos EUA, referentes à semana passada, terem mostrado um novo aumento nos "stocks" de gasolina, apesar de ter existido uma quebra nos inventários de petróleo.

"O mercado continua frágil e pequenas mudanças tanto do sentimento dos investidores como dos fundamentais podem resultar em oscilações elevadas dos preços", referiram os analistas do RBC Capital Markets, numa nota a que o Negócios teve acesso.

Ouro em mínimos de três semanas

A subida de juros por parte da Reserva Federal dos EUA já era antecipada. Mas o tom de Janet Yellen foi menos suave que o antecipado, o que penalizou activos como o ouro. O metal amarelo, que é visto por alguns investidores como sendo pressionado em ciclos de subida dos juros, desce 0,48% para 1.254,84 dólares, o valor mais baixo das últimas três semanas. Ainda assim, o metal precioso valorizar 9,35% desde o início do ano. 




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
GLINTT 15.06.2017

A nossa tecnológica GLINTT vai ser a próxima a duplicar, as campeãs de prejuízos já subiram 100% e a GLINTT que dá lucro e já foi alvo de OPA subiu 26%. Pode ser alvo de outra OPA da Farminveste para a tirar da Bolsa. Mas deviam agora pagar 1€ cada acção. Já valeu 5€ em 2004

pub