Mercados num minuto Fecho dos mercados: Dow Jones abaixo de 20.000 pontos, Europa no vermelho e juros disparam

Fecho dos mercados: Dow Jones abaixo de 20.000 pontos, Europa no vermelho e juros disparam

Numa sessão marcada pela aversão ao risco, as bolsas caíram e os juros dos países da periferia da Europa dispararam. O ouro voltou a ser um refúgio após a interdição da entrada de cidadãos de sete países nos EUA, uma medida que sinaliza o proteccionismo de Donald Trump.
Fecho dos mercados: Dow Jones abaixo de 20.000 pontos, Europa no vermelho e juros disparam
Reuters

Os mercados em números

PSI-20 perdeu 2,79% para 4.481,32 pontos

Stoxx 600 desceu 1,05% para 362,55 pontos

S&P 500 cai 0,88% para 2.274,49 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal escalou 9,9 pontos base para 4,241%

Euro desce 0,19% para 1,0679 dólares

Petróleo perde 0,68% para 55,14 dólares por barril em Londres

 

Bolsas reagem com quedas às medidas anti-imigração de Trump

As bolsas europeias e americanas quebraram após a polémica medida de Trump de banir a entrada nos EUA a cidadãos de sete países ter suscitado críticas a nível global. Também algumas grandes multinacionais mostraram discordância com essa ordem do presidente.

O Stoxx 600 perdeu 1,05%, a maior queda diária desde Novembro. O S&P 500 segue a desvalorizar 0,88%  e o Dow Jones perdeu a marca dos 20 mil pontos, ao descer 0,81% para 19.930,20 pontos.

Além da abordagem mais defensiva dos investidores devido à incerteza Trump, a cautela é também motivada pela expectativa em torno das decisões desta semana da Fed, do Banco de Inglaterra e do Banco do Japão. E a queda dos preços do petróleo também penalizou.

Na Europa, as maiores descidas do dia pertenceram aos índices das cotadas de matérias-primas e das petrolíferas. Caíram mais de 2%. A banca também foi fustigada com uma queda de 1,67%, numa sessão em que todos os índices sectoriais perderam valor.

A bolsa portuguesa não escapou ao sentimento negativo, com o PSI-20 a registar a maior descida desde o Brexit. O índice perdeu 2,79%, pressionado pela descida de 13,99% dos CTT e de mais de 4% do BCP e da Sonae.

Taxa a dez anos acima de 4,2%

As taxas das obrigações dos países da periferia continuam a escalar. E a "yield" portuguesa foi das mais pressionadas. A taxa dos títulos a dez anos subiu 9,9 pontos base para 4,241%, o valor mais elevado desde Fevereiro do ano passado. Foi o quinto aumento consecutivo. Isto num dia em que os dados da inflação na Alemanha mostraram uma nova subida, atingindo 1,9% este mês, após os 1,7% em Dezembro e em que os investidores voltaram a mostrar aversão ao risco.

Em Itália, a taxa a dez anos também teve uma subida significativa, aumentando 10,2 pontos base para 2,328%. A "yield" espanhola agravou em 4,4 pontos base para 1,63%. Já a taxa alemã desceu 1,3 pontos base para 0,449% o que, a par com a subida dos juros nacionais, levou o prémio de risco de Portugal a aumentar para 379 pontos base, o valor mais elevado em quase um ano.

Euribor com direcções diferentes

As taxas Euribor tiveram comportamentos distintos esta segunda-feira. A taxa a três meses não sofreu alterações, mantendo-se em -0,328%, perto do mínimo histórico de -0,329%, segundo dados da Lusa. Já o indexante a seis meses baixou 0,1 pontos base para -0,244%, igualando o valor mais baixo de sempre. Por outro lado, a Euribor a 12 meses subiu 0,1 pontos base para -0,100%.

Proteccionismo de Trump trava dólar

A moeda americana está a perder valor face às principais divisas mundiais. Depois de um fim-de-semana marcado por decisões polémicas nos EUA, com o presidente Donald Trump a impedir a entrada de cidadãos de sete países, o índice que mede o comportamento da nota verde face a um cabaz de dez moedas cede 0,3%. Esta descida ocorre, porém, numa semana marcada pelo encontro de política monetária da Reserva Federal dos EUA. A instituição liderada por Janet Yellen deverá deixar os juros inalterados e indicar novas subidas em 2017.

OPEP incapaz de travar queda do petróleo

Os preços do petróleo arrancaram a semana no vermelho, apesar dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) garantirem que os cortes de produção são reais e estão a ser cumpridos. O WTI, negociado em Nova Iorque, cai 1,13% para 52,57 dólares por barril, enquanto o Brent, em Londres, desce 0,68% para 55,14 dólares.

A justificar as quedas está o aumento da produção nos EUA, com mais poços de produção activos. Segundo os dados da Baker Hughes, o número de plataformas petrolíferas activas registou o maior aumento desde Novembro de 2015, com a produção no país em máximos de Abril.

Incerteza dá lustro ao ouro

Os preços do ouro seguem a valorizar esta segunda-feira, com a matéria-prima a ser beneficiada pela instabilidade nos mercados financeiros, depois de Donald Trump ter assinado no fim-de-semana uma ordem executiva a interditar a entrada nos EUA de cidadãos de sete países de maioria muçulmana. O ouro ganha 0,4% para 1.196 dólares por onça, com o metal precioso a ser impulsionado pela procura por refúgio, face ao ambiente de maior incerteza em torno da política norte-americana, que está a determinar uma correcção nas bolsas mundiais.




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