Mercados num minuto Fecho dos mercados: Draghi coloca euro e juros alemães em máximos. Petróleo nos 71 dólares

Fecho dos mercados: Draghi coloca euro e juros alemães em máximos. Petróleo nos 71 dólares

As declarações do presidente do BCE tiveram forte impacto nos mercados. Draghi não se mostrou muito preocupado com a alta do euro, o que provocou novos máximos na moeda europeia, colocou as bolsas em queda e os juros das bunds em alta.
Fecho dos mercados: Draghi coloca euro e juros alemães em máximos. Petróleo nos 71 dólares
Pedro Catarino/CM
Nuno Carregueiro 25 de janeiro de 2018 às 17:28

Os mercados em números 

PSI-20 subiu 0,25% para 5.776,67 pontos

Stoxx 600 perdeu 0,55% para 398,60 pontos

S&P 500 soma 0,24% para 2.844,48 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal avança 1 ponto base para 1,91%

Euro sobe 0,64% para 1,2488 dólares

Petróleo avança 0,5% para 70,88 dólares por barril, em Londres

  

Bolsas europeias caem com valorização do euro

A generalidade das principais bolsas europeias negociou em terreno negativo na sessão desta quinta-feira, 25 de Janeiro, dia em que o PSI-20 liderou os ganhos entre as congéneres do Velho Continente que escaparam à tendência de quedas. A bolsa lisboeta ganhou 0,25% para 5.776,67 pontos.

 

Já o índice de referência europeu Stoxx 600 perdeu 0,55% para 398,60 pontos, com quase todos os sectores que integram as bolsas europeias no vermelho. A penalizar o sentimento na Europa esteve a valorização do euro nos mercados cambiais, que assim prolongou a tendência de alta contra o dólar. A apreciação da moeda única europeia tende a penalizar as empresas com maior perfil exportador.

 

Também a marcar o sentimento na Europa esteve o anúncio do Banco Central Europeu (BCE), que decidiu manter inalterados os juros na região. A instituição liderada por Mario Draghi sinalizou ainda o compromisso em manter em curso o programa de compra mensal de activos actualmente em vigor.

 

Euro atinge máximo acima dos 1,25 dólares

As declarações do presidente do Banco Central Europeu durante a conferência de imprensa colocaram a moeda europeia acima dos 1,25 dólares, tendo fixado um novo recorde desde Dezembro de 2014. Era grande a expectativa de quais seriam os comentários de Mario Draghi sobre a forte subida recente da moeda europeia. O líder do BCE admitiu que a recente volatilidade do euro é uma fonte de incerteza mas não se mostrou muito inquieto com esta recente evolução da divisa, o que, segundo operadores, justifica a forte subida do euro.

 

A moeda europeia chegou a subir mais de 1%, tendo abrandado um pouco depois de Draghi ter afirmado que dificilmente a taxa de juro irá aumentar este ano. Após o fecho das bolsas europeias, o euro marcava uma subida de 0,64% para 1,2488 dólares.

 

Juros das bunds atingem máximos de Dezembro de 2015

As palavras de Mario Draghi também tiveram impacto significativo no mercado de dívida soberana, já que o presidente do BCE se mostrou optimista com a evolução da economia europeia e com a alta da inflação. Apesar de o BCE ter reiterado a abertura para manter o programa de compra de activos além de Setembro, o facto de Draghi não ter revelado preocupações com a alta do euro e ter dados sinais positivos sobre a economia impulsionou as "yields" de todas as obrigações soberanas do euro.  

 

Destaque para a "yield" das bunds a 10 anos, que chegaram a subir mais de 5 pontos base para 0,643 pontos base, o nível mais elevado desde Dezembro de 2015. Os juros da dívida espanhola e italiana a 10 anos também ganharam terreno e em Portugal a "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos avançou 1 ponto base para 1,91%. O "spread" face às bunds baixou para 130 pontos base.

 

Petróleo renova máximos de 2014

O petróleo está a subir nos mercados internacionais, impulsionado pela fraqueza do dólar e pela queda das reservas de crude nos Estados Unidos para o nível mais baixo desde Fevereiro de 2015.

 

Nesta altura, o West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, ganha 0,69% para 66,06 dólares por barril, depois de ter chegado a negociar nos 66,66 dólares, o valor mais elevado desde Dezembro de 2014. Também o Brent de Londres tocou em máximos de mais de três anos, nos 71,28 dólares, seguindo agora a valorizar 0,5% para 70,88 dólares.

 

Ontem, a Administração de Informação de Energia dos EUA revelou que as reservas de crude diminuíram em 1,07 milhões de barris na semana passada para 411,6 milhões. Já a produção de crude aumentou em 128 mil barris por dia para 9,88 milhões, o nível mais alto desde que há registos.

 

Ouro pouco alterado

O ouro está pouco alterado mas há quem estime que o metal amarelo pode ascender aos 1.400 dólares por onça dentro de dois meses. Essa é a previsão de Stephen Innes, da Oanda Corp, numa entrevista à Bloomberg.

 

O dólar tem estado em queda contra o euro, tendo tocado em mínimos de três anos. Ainda ontem, a moeda norte-americana foi penalizada pelos comentários de Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos EUA, que levaram o mercado a especular que os Estados Unidos poderiam promover a desvalorização do dólar como uma forma de impulsionar as exportações das firmas norte-americanas.

 

Ainda assim, desde meados de Dezembro que o ouro subiu 10%, com a queda divisa norte-americana, e numa altura em que os investidores procuram activos de refúgio para se protegerem contra uma eventual queda dos mercados accionistas, depois dos vários máximos. Daniel Hynes, analista do Australia & New Zealand Banking Group Ltd., num relatório citado pela Bloomberg, defende que se o "dólar continuar a cair, assim como se persistirem os riscos de correcção nos mercados accionistas, isso deve apoiar" o ouro.




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