Mercados num minuto Fecho dos mercados: Euro em máximos de três anos com proteccionismo dos EUA

Fecho dos mercados: Euro em máximos de três anos com proteccionismo dos EUA

Num dia em que o euro acentuou a valorização contra o dólar, impulsionado pelos receios relativos ao proteccionismo de Donald Trump, também o ouro esteve em máximos. Já as bolsas europeias aliviaram de máximos e os juros subiram antes do encontro do BCE. Crude também avançou para máximos de três anos.
Fecho dos mercados: Euro em máximos de três anos com proteccionismo dos EUA
Bloomberg

Os mercados em números

PSI-20 caiu 0,68% para 5.752,26 pontos

Stoxx 600 perdeu 0,50% para 400,79 pontos

S&P 500 cede 0,05% para 2.837,85 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal caem 0,2 pontos base para 1,903%

Euro sobe 0,74% para 1,2390 dólares

Petróleo avança 0,43% para 70,26 dólares por barril, em Londres

 

Bolsas europeias aliviam de máximos

Nas bolsas europeias, o dia foi de correcção. Depois dos máximos alcançados nas últimas sessões, as principais praças europeias aliviaram esta quarta-feira, 24 de Janeiro, desses ganhos, com os investidores a procederem à tomada de mais-valias. Os sectores das tecnologias e das "utilities" foram os que mais pressionaram a negociação. 


Na área das "utilities", destaque para a notícia de que a francesa Suez, que actua na área do tratamento de resíduos e abastecimento de água, reviu em baixa as suas metas de resultados para 2017, em parte devido aos custos extra relacionados com as operações na Catalunha, que foram impactadas pela incerteza política na região. O cancelamento de dois contratos de serviços em Marrocos também penaliza as contas do ano passado. Na área tecnológica, nota para a coima, no valor de 997 milhões de euros, aplicada pela Comissão Europeia à Qualcomm.

A liderar as quedas no Velho Continente esteve o principal índice britânico, o Footsie, que desceu 1,14%, seguido pelo índice germânico, o DAX, que perdeu 1,07%. O Stoxx 600, índice de referência, recuou 0,50%.

Dólar em mínimos de três anos com proteccionismo de Trump

A divisa norte-americana registou fortes quedas nos mercados cambiais, tendo desvalorizado contra o dólar - e também no índice da Bloomberg que mede o comportamento do dólar face às principais moedas mundiais – pelo terceiro dia consecutivo.

 

O dólar está em mínimos de Dezembro de 2014 face ao euro, o que acontece depois de em 2017 a moeda americana ter perdido mais de 14% comparativamente com a moeda única europeia. O euro está a apreciar 0,74% para 1,2390 dólares.

 

A tendência de desvalorização do dólar acentuou-se esta quarta-feira depois de o líder do Tesouro americano ter afirmado que será positivo para os Estados Unidos se a divisa norte-americana depreciar ainda mais, o que intensificou as especulações em torno da possibilidade de a Administração liderada por Donald Trump promover políticas de desvalorização cambial.

 

Sobre a imposição de uma nova tarifa aduaneira de até 50% às importações de máquinas de lavar roupa e painéis solares ontem anunciada por Trump, o secretário do Comércio, Wilbur Ross, veio hoje dizer que os EUA deverão não apenas continuar a penalizar as importações como irão adoptar medidas para ajudar as empresas exportadoras americanas.

 

Juros sobem na véspera de reunião do BCE

Foi um dia de subida generalizada dos juros na eurozona. Portugal acompanhou a tendência, embora no prazo a 10 anos tenha contrariado com a taxa de juro associada às obrigações de dívida nesta maturidade a recuar 0,2 pontos base para 1,903%. Ainda assim, na maior parte dos outros prazos os juros da dívida lusa negociada no mercado secundário subiram.

 

Itália, Espanha, Alemanha e França registaram subidas das taxas de juro em praticamente todas as maturidades, coincidindo os aumentos nas obrigações com vencimento a 10 anos.

 

Esta subida dos juros acontece no dia anterior à reunião do Banco Central Europeu (BCE), a primeira desde que a instituição chefiada por Mario Draghi admitiu a hipótese de, se a recuperação económica assim o justificar, iniciar a retirada da política de estímulos económicos em vigor.

 

O actual programa mensal de compra de activos está em curso pelo menos até Setembro e os juros continuam em mínimos históricos.

 

Taxas Euribor renovam mínimos a 6 meses

A taxa Euribor a seis meses, que é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação, caiu esta quarta-feira para um novo mínimo histórico ao recuar para 0,278%.

 

Também no prazo a 12 meses caiu para -0,192%. Já nos prazos a três e nove meses mantiveram-se em -0,328% e -0,224%, respectivamente.

 

Petróleo em máximos de mais de três anos

Os preços do petróleo seguem em alta, com o crude negociado em Londres e em Nova Iorque a tocar nos valores mais altos desde Dezembro de 2014, no terceiro dia seguido de subidas.

 

No mercado londrino, o Brent do Mar do Norte, utilizado como referência para as importações nacionais, sobe 0,43% para 70,26 dólares por barril, enquanto em Nova Iorque o West Texas Intermediate (WTI) ganha 1,23% para 65,26 dólares.

 

O Brent manteve-se assim acima dos 70 dólares enquanto o WTI superou a marca dos 65 dólares por barril pela primeira vez em mais de três anos, para o que contribuiu o facto de as reservas petrolíferas norte-americanas terem recuado, na semana passada, pelo décimo ciclo semanal consecutivo, a série mais longa de quedas em pelo menos 30 anos.

 

Ouro em máximos de quatro meses com queda do dólar

O metal precioso valoriza pela quinta sessão para negociar no valor mais elevado desde Setembro do ano passado.

 

O ouro segue nesta altura a somar 0,87% para 1.352,85 dólares por onça, beneficiando da forte desvalorização do dólar nos mercados cambiais, o que reforça o perfil de activo de refúgio do metal dourado. A matéria-prima encaminha-se mesmo para fechar no valor mais alto desde 2016.




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