Mercados num minuto Fecho dos mercados: Juros sobem e bolsas descem com receios de que o BCE reduza as compras

Fecho dos mercados: Juros sobem e bolsas descem com receios de que o BCE reduza as compras

A notícia de que o BCE está a preparar a estratégia de retirada de estímulos levou a um agravamento das taxas de juro nas obrigações europeias e interrompeu o ciclo de ganhos nas bolsas. Nas matérias-primas, o petróleo valoriza após a queda das reservas nos EUA.
Fecho dos mercados: Juros sobem e bolsas descem com receios de que o BCE reduza as compras
Rui Barroso 05 de Outubro de 2016 às 17:25

Os mercados em números

PSI-20 desceu 1,31% para 4.575,18 pontos

Stoxx 600 perdeu 0,55% para 344,20 pontos

S&P 500 ganha 0,49% para 2.161 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal escala 7,1 pontos base para 3,457%

Euro recua 0,04% para 1,1199 dólares

Petróleo valoriza 1,89% para 51,83 dólares por barril em Londres

Bolsas travam recuperação

O Stoxx 600 interrompeu uma sequência de seis subidas. O índice europeu desceu 0,55% para 344,20 pontos, com uma notícia da Bloomberg a indicar que o BCE está a discutir a melhor forma para retirar os estímulos a levar a alguma cautela dos investidores. Os maiores ganhos da sessão pertenceram às cotadas do sector bancário, que têm tido a rentabilidade pressionada devido às medidas ultras expansionistas do banco central. O índice do sector valorizou 1,42%. Já as cotadas dos sectores do imobiliário, turismo, bens de consumo e "utilities" tiveram as maiores descidas.

A bolsa nacional foi das mais castigadas. O PSI-20 cedeu 1,31% para 4.575,18  pontos. A EDP, a REN, a EDP Renováveis e a Sonae perderam mais de 2%. E, contrariamente ao índice europeu da banca, o BCP e o BPI desvalorizaram. Cederam 0,65% e 0,18%, respectivamente.

Taxas de juro escalam

Com o mercado a questionar-se sobre se o BCE estará mesmo a preparar a estratégia de saída do programa de compras, as taxas das obrigações dos países da Zona Euro aumentaram. E Portugal não foi excepção. A taxa das obrigações a dez anos aumentou esta quarta-feira 7,2 pontos base para 3,457%. Segundo a Bloomberg, no seio do banco central procura-se um consenso para avançar com uma diminuição de dez mil milhões de euros por mês das compras mensais, que se situam actualmente em 80 mil milhões de euros.

A notícia também agravou as taxas de outros países europeus. No caso da Alemanha a subida foi de 4,9 pontos base para -0,005%. A "yield" espanhola aumentou 5,9 pontos base para 1,036% e a taxa italiana escalou 5,4 pontos base para 1,361%.

Euribor a seis meses com novo mínimo

As Euribor desceram esta quarta-feira a três e a seis meses e não houve alterações a 12 meses. O indexante a seis meses atingiu um novo mínimo histórico, ao ser fixado em -0,203%, menos 0,1 pontos base que na terça-feira. A taxa a três meses também caiu 0,1 pontos base para -0,302%, perto do mínimo histórico de -0,304%. Já a Euribor a 12 meses manteve-se em -0,064%.

Dólar sobe pela terceira sessão

O índice que mede a força do dólar contra as outras dez principais divisas mundiais sobe pela terceira sessão consecutiva. Valoriza 0,07% para 1.191,45 pontos. A nota verde tem sido beneficiada nas últimas sessões pelas palavras de responsáveis da Reserva Federal dos EUA a sinalizarem uma subida da taxa de juro na maior economia do mundo. Face à moeda única, a nota verde ganha 0,04% com cada euro a valer 1,1199 dólares.

Queda das reservas nos EUA impulsiona petróleo

O petróleo valoriza, com o Brent a negociar acima dos 50 dólares pela terceira sessão consecutiva. A impulsionar os preços estiveram os dados das reservas nos EUA. Na semana passada as reservas caíram em 2,98 milhões de barris, segundo dados da Administração de Informação de Energia, o que contrasta com as expectativas do mercado. Uma sondagem da Bloomberg junto de analistas apontava para uma subida de 1,5 milhões de barris. O barril de Brent valoriza 1,89% para 51,83 dólares. Já o West Texas Intermediate, negociado em Nova Iorque, avança 2,12% para 49,72 dólares.

Ouro continua a perder brilho

O ouro perde valor pelo sétimo dia seguido, a pior sequência em mais de três anos. O preço da onça de "troy" desce 0,16% para 1.266,38 dólares. O metal precioso tem sido pressionado pelas expectativas de que a política monetária possa endurecer nos EUA e também não beneficiou com a notícia de que o BCE estará já a preparar terreno para começar o processo de retirada dos estímulos. Apesar das quedas de recente, o ouro ainda consegue uma valorização de 19% desde o início do ano. 




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub
pub
pub
pub