Mercados Fed sobe juros, mas foco está no ciclo dos aumentos em 2017

Fed sobe juros, mas foco está no ciclo dos aumentos em 2017

A subida da taxa de juro por parte da Fed esta quarta-feira é vista como uma "formalidade". O foco do mercado estará na forma como o banco central antecipa os impactos das políticas de Trump.
Fed sobe juros, mas foco está no ciclo dos aumentos em 2017
Andrew Harrer/Bloomberg
Rui Barroso 14 de dezembro de 2016 às 00:01
Uma "formalidade". É como os analistas encaram a subida das taxas de juro por parte da Reserva Federal dos EUA esta quarta-feira. Com o mercado a atribuir uma probabilidade de 100% a esse cenário, o foco vira-se já para quais as orientações futuras da entidade liderada por Janet Yellen em relação ao ritmo de subida  em 2017.

Após as eleições nos EUA de 8 de Novembro, os investidores começaram a apostar num regresso da inflação , devido às políticas económicas propostas por Trump. E tentarão perceber na conferência de imprensa desta quarta-feira e nas projecções económicas que serão actualizadas pela Fed quais as expectativas da autoridade monetária e como isso poderá afectar a política monetária em 2017.

"A subida da taxa de juro por parte da Fed na próxima reunião é, nesta altura, uma formalidade. Assim, mais que essa decisão, a atenção do mercado estará nas próximas mexidas", referem os economistas do RBC Capital Markets, numa nota.

Também Richard Turnill refere numa nota que se antecipa a segunda subida das taxas de juro por parte da Fed neste ciclo. O consenso aponta para uma subida da taxa dos fundos federais dos actuais  0,25%-0,50% para  0,50 -0,75%. Mas o estratego de investimento da BlackRock refere que o "mercado tentará encontrar pistas de quantas subida se poderão seguir em 2017". A BlackRock antecipa dois novos aumentos em 2017, uma perspectiva semelhante à de uma sondagem realizada da Bloomberg junto de 41 economistas.

Mas há quem alerte que a Fed poderá ter de endurecer o ritmo das subidas acima do esperado, dadas as políticas de Trump. "Uma aceleração significativa da política orçamental causaria pressão na inflação. Isso levaria a subidas dos juros mais rápidas que o antecipado pelos participantes do mercado", refere o Commerzbank.

Além das palavras de Yellen, que se perspectivam cautelosas, as novas projecções económicas da Fed serão vistas à lupa. Principalmente as projecções para a taxa dos fundos federais nos próximos anos feitas pelos responsáveis da Fed. Apesar de considerarem que  poderá não haver mexidas nesse indicador, o RBC Capital Markets alertou que eventuais revisões em alta seriam vistas pelo mercado como um sinal de ainda maior restritividade da política monetária nos EUA.

A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Johnny 14.12.2016

Com os EUA a dever 20 Triliões de dólares, a subida dos juros só lhes vai fazer bem à pele

pub
pub
pub
pub