Obrigações Fitch tira Portugal do lixo e dá a melhor notação das 4 agências

Fitch tira Portugal do lixo e dá a melhor notação das 4 agências

A agência de notação financeira subiu o rating soberano de Portugal em dois níveis. Não só o tirou do lixo como o colocou no penúltimo grau de investimento de qualidade. A descida da dívida pública é o grande motor da decisão.
Fitch tira Portugal do lixo e dá a melhor notação das 4 agências
Carla Pedro Nuno Aguiar 15 de dezembro de 2017 às 21:07

A Fitch elevou o rating da dívida soberana de longo prazo da República Portuguesa, tal como se esperava. Mas a surpresa veio da proporção desta melhoria, já que a agência fez um "upgrade" de dois níveis, com Portugal a passar directamente para o penúltimo grau do chamado investimento de qualidade, de ‘BB+’ para ‘BBB’.

 

A justificar a decisão esteve sobretudo a descida da dívida pública, que começou recentemente, e a previsível queda nos próximos anos.

A dívida pública "deverá descer mais de três pontos percentuais este ano, para um patamar abaixo de 127% do PIB. Esta será a primeira redução do rácio dívida pública/PIB desde a crise da dívida soberana", destaca a Fitch no seu relatório.

 

"A avaliação da Fitch é de que a trajectória da dívida está firmemente descendente e que a descida no rácio da dívida pública/PIB deverá prosseguir no médio prazo. Esta dinâmica favorável é motivada por uma conjugação das prévias medidas orçamentais estruturais, da recente recuperação cíclica e da substancial melhoria nas condições de financiamento", acrescenta. 

 

A maior estabilidade da banca – nomeadamente a situação do Novo Banco – é também importante para a agência, assim como a descida dos custos de financiamento (juros).

 

No que toca ao "outlook" [perspectiva] para a evolução da dívida, a Fitch desceu-o de "positivo" para "estável", o que significa que não antevê para breve uma nova subida do rating.

 

Segundo a Fitch, os mercados poderão reagir positivamente na próxima semana, por se tratar de uma subida de dois níveis, mas não se espera um grande movimento, por estarmos em final do ano - altura de os fundos fecharem posições.

 

Quanto a estimativas, a agência aponta para um défice de 1,4% este ano e de 1,2% no próximo. Já o crescimento deverá ser de 2,6% este ano e de 1,9% em 2018.

 

Normalmente, os países com um rating de ‘BBB’ têm 41% do PIB em dívida. Portugal está muito acima [a estimativa da Fitch é de que este ano se fixe ligeiramente abaixo dos 127%], mas a agência deu um voto de confiança ao país, atribuindo-lhe essa mesma notação.

Orey iTrade: novos investidores poderão planear investimentos superiores a 10 anos

"Se há aproximadamente três meses a classificação como investimento da dívida por parte da S&P fez regressar Portugal ao radar dos maiores fundos de investimento tanto particulares como soberanos, a actual situação irá aumentar tanto a visibilidade como de facto a inclusão da dívida em muitos desses mesmos fundos", comentou ao Negócios o chefe da equipa de "research" da Orey iTrade, José Lagarto.

 

No seu entender, "o tipo de investimento feito poderá sofrer alterações substanciais, com estes novos investidores, na sua grande maioria, a planear investimentos superiores a 10 anos, voltando a apreciar o nível de risco português, bem como das suas regiões autónomas - Madeira e Açores".

 

"Numa altura em que os bancos centrais, nomeadamente o Banco Central Europeu, começam a restringir a sua política monetária, preparando mesmo subidas nas taxas de juro, este aumento de confiança na dívida poderá permitir absorver se não a totalidade, pelo menos parte desta tendência conjuntural, beneficiando assim o peso da dívida no governo e desta forma nas empresas e nas famílias em geral", conclui.

 

O trajecto de melhoria da notação portuguesa

 

Das três grandes agências, a S&P foi a primeira a tirar Portugal do chamado lixo – a categoria de investimento –, quando no passado dia 15 de Setembro colocou o rating soberano no último nível do ambicionado patamar de qualidade, uma categoria onde já não se antevê risco de incumprimento do reembolso da dívida.

 

Em Outubro, a Moody’s ainda manteve a classificação de Portugal no primeiro nível de lixo [mas o "outlook" é positivo] e agora esperava-se que a Fitch melhorasse a sua avaliação em um nível.

 

A DBRS foi a única das agências consideradas pelo Banco Central Europeu (BCE) que avaliou Portugal acima de lixo durante a crise da dívida. E assim foi até ao passado 15 de Setembro.

 

Ao ser a única agência que mantinha Portugal acima de lixo, a DBRS tinha o poder de ligar ou desligar Portugal da máquina do Banco Central Europeu, uma vez que era a única que garantia a elegibilidade da dívida nacional para os programas de compra do BCE.




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mais votado Anónimo Há 4 dias

Vamos ouvir excelentes elogios ao governo e à dívida portuguesa por parte de todas aquelas instituições que já aplicaram o dinheiro na dívida que Portugal emite. De outras instituições, que não estão a especular com a nossa dívida, os avisos e recomendações continuam enquanto se justificar. Os que já investiram têm meios ao seu dispor para especular propagandeando, tendo também muito a ganhar com o número de prestidigitação do governo das esquerdas, e agora só vão emitir comunicados favoráveis a dizer maravilhas da dívida portuguesa emitida pelas autoridades e até da genialidade do governo em funções enquanto não venderem com mais valias. Querem espalhar confiança nas políticas que nós sabemos serem erradas do governo socialista e pressionar os juros para baixo, ou seja, querem o valor dos títulos a ir para cima para venderem antes de se começar a falar novamente no novo resgate à República Portuguesa. Há muito dinheiro a ganhar com o hipotecar do futuro dos portugueses. Siga a festa.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 dias

Por outras palavras, este especulador da Orey comprou dívida barata quando os juros eram mais altos e o preço dos títulos baixo, e agora prepara-se para vendê-la toda com mais valias consideráveis. Vai despejar tudo antes que a magia acabe e a carroça se transforme em abóbora. Muitos outros especuladores fizeram e estão a fazer o mesmo. Já se sabe que centenices são aldrabices mas quem vive para especular, especula. E o governo irresponsável do PS a isso tem ajudado.

QUERIDO BCP a 0.33 ainda em 2017 Há 3 dias


a partir de HOJE vai começar o RALY no MILENIUM BCP que estará a 0.33 daqui a 15 dias

Anónimo Há 3 dias

Pagar mensalmente a cada um de 3 directores de uma organização a quantia de 10 mil euros sem qualquer necessidade ou justificação económica ou pagar 1000 euros a 30 colaboradores com cargos não directivos que também ocupem um posto de trabalho efectivo sem qualquer necessidade ou justificação por estarem em demasia na organização ou por existir uma tecnologia muito mais económica, e por ventura mais eficiente, que os pode substituir, é exactamente a mesma coisa. Significa que terei menos retorno sobre o investimento enquanto accionista, mais contribuições e impostos enquanto contribuinte, preço mais elevado para pagar enquanto consumidor e menor remuneração enquanto ofertante de factor trabalho justificável com real procura de mercado num dado momento.

Anónimo Há 3 dias

Os colaboradores cujo posto de trabalho já não se justifica, quer seja na banca, na administração pública ou noutro sector qualquer, já foram remunerados acima do seu preço de mercado durante muito tempo, e por isso o Estado, a economia e a sociedade nada lhes deve. Antes pelo contrário, os colaboradores nessa situação são devedores de uma dívida colossal ao Estado, à economia e à sociedade, que se avoluma a cada dia que passa sem que sejam despedidos.

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