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Fraude nos selos sem julgamento em Portugal

O DCIAP decidiu arquivar o processo que lesou, em Portugal, milhares de pessoas. O procurador que estava com o caso justifica a decisão com o facto de os arguidos já terem sido condenados em Espanha, segundo o Jornal de Notícias.
Fraude nos selos sem julgamento em Portugal
Reuters
Negócios 16 de janeiro de 2017 às 07:55

O produrador que tem o caso da fraude dos selos, do grupo Afinsa, decidiu arquivar o processo, dez anos depois de o processo ter sido aberto. Júlio Braga justifica a decisão com o facto de já ter havido julgamento e condenação em Espanha, de acordo com o Jornal de Notícias, que cita o despacho de arquivamento.

No documento o magistrado refere que a burla do grupo Afinsa é uma "única resolução criminosa", pelo que existe um "crime único" em Portugal e Espanha. Assim, uma vez que os arguidos já foram condenados no país vizinho, não podem ser julgados uma segunda vez pelos mesmos crimes. 

A justiça espanhola condenou, no Verão do ano passado, 11 dos 13 responsáveis da Afinsa por fraude na venda de selos entre 1998 e 2006, ano em que a empresa foi alvo de uma intervenção estatal.

A condenação tem a pena máxima de 12 anos de prisão para o presidente Antonio Cano e foi tomada após meio ano de julgamento.

Na lista estão os portugueses Albertino de Figueiredo, fundador da Afinsa com 11 anos de prisão, e o seu filho Carlos de Figueiredo, com 11 anos e 11 meses.


Em causa está um esquema piramidal tipo Ponzi com a venda de selos, que deixou um buraco de dois mil milhões de euros nas contas e afectou 190 mil investidores, sobretudo de pequena dimensão.

Os selos eram vendidos com um valor que prometia retornos mais elevados do que outros produtos bancários existentes. Todavia, o valor real dos selos não era o prometido pela Afinsa. Os investimentos mais antigos iam sendo pagos com o dinheiro dos investidores mais recentes.




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comentários mais recentes
Camponio da beira 16.01.2017

Eu, no meu trabalho sou tão bom como qualquer estrangeiro, nalgumas situações, até melhor. Mas há classes que são claramente inferiores. Espanha já resolveu esta situação e aqui nada foi feito.

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