Mercados Fundo de pensões do banco central da Noruega desfaz-se de toda a dívida portuguesa

Fundo de pensões do banco central da Noruega desfaz-se de toda a dívida portuguesa

O fundo que é gerido pelo banco central da Noruega vendeu todas as obrigações portuguesas e irlandesas e reduziu o investimento em títulos espanhóis e italianos no primeiro trimestre. A Zona Euro enfrenta "desafios consideráveis", considera.
Diogo Cavaleiro 04 de maio de 2012 às 14:00
O fundo de pensões do Norges Bank vendeu toda a dívida portuguesa que tinha em carteira nos primeiros três meses do ano. As obrigações irlandesas também desapareceram desta aplicação.

O fundo de pensões global norueguês “vendeu todas as dívidas soberanas portuguesas e irlandeses no primeiro trimestre”, indicou a empresa num comunicado presente no site do Norges Bank Investment Mangament, o banco central da Noruega, que gere o fundo de pensões.

A decisão de desinvestimento aconteceu num período de recuo das rendibilidades exigidas pelos investidores para trocarem dívida portuguesa, que desceram para níveis anteriores ao resgate financeiro a Portugal.

“A previsibilidade é importante para um investidor a longo prazo e a Zona Euro enfrenta desafios consideráveis a nível estrutural e monetário”, afirmou Yngve Slyngstad, o CEO do Norges Bank Investment Management (NBIM), no comunicado, para justificar a decisão.

Portugal e Irlanda não foram casos únicos no desinvestimento. Foram também reduzidas as apostas em dívida soberana de países, “incluindo Itália, Espanha e Reino Unido”, de acordo com o documento. No primeiro trimestre, intensificou-se o receio de que Espanha possa ter de recorrer a uma forma de assistência financeira para conseguir evitar o incumprimento.

O aumento de compras em Obrigações do Tesouro norte-americano foi uma realidade, anunciou, pelo contrário, o fundo de investimento nórdico. A opção foi também adquirir obrigações emitidas pelo Brasil, México, Índia, Coreia do Sul e Indonésia, apontou o fundo de investimento.

O fundo de pensões global da Noruega reduziu os investimentos em obrigações soberanas denominadas em euros de 43%, no final do ano passado, para 39%, no final de Março, como salienta a agência Bloomberg.

No que diz respeito ao mercado accionista, o fundo soberano Norges Bank é, ainda assim, um dos que mais investe em cotadas portuguesas. Como calculou o Negócios, o fundo soberano como um todo, e não especificamente o fundo de pensões, detinha 495,2 milhões de euros em empresas de Lisboa no final de Abril.

O valor de mercado do fundo de pensões norueguês aumentou para 3.496 mil milhões de coroas norueguesas (462,8 mil milhões de euros), tendo sido impulsionado, sobretudo, pelo desempenho do mercado accionista.

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Macedo de Barros Há 2 semanas

Este sinal diz tudo; os nórdicos são desenvolvidos, porque são coerentes e calculistas! Sobretudo, andam muito atentos a tudo, um claro sinal de uma certa inteligência, de que não precisam vangloriar-se...

Anónimo Há 3 semanas

Temos de mandar o PR Cavaco Silva à Noruega promover a credibilidade de Portugal. Mas tem de ter cuidado ao falar para não expor os podres: Políticos, Magistrados, Supervisores, Bancos (BCP, BPN, BPP), PPPs, Justiça, Duartes Limas, Varas, Dias Loureiros, Oliveiras e Costas, Joãos Rendeiros, coisas que eles (países estrangeiros) já sabem há muiiitttoooo.

Anónimo Há 3 semanas

se os governos PS/PSD tivessem juízo Portugal não estava nesta alhada.

Se os governos anteriores do PS e PSD utilizassem políticas de crescimento sustentado, e uma austeridade na despesa publica, Portugal poderia ser agora uma espécie de Suíça.

Antigamente os certificados de aforro eram suficientes para financiar o estado, e os juros ficavam em Portugal.

Agora pagamos juros aos estrangeiros.

Parabéns ao Cavaco e Guterres, que aumentaram a despesa publica e taparam os buracos com as receitas extraordinárias da venda de património do estado.

Portugal falsificou os números da despesa publica com as receitas extraordinárias, entramos no Euro sem ter condições para o fazer, e agora o resultado esta a vista ...

Endividamento, pobreza, e desemprego!!

Anónimo Há 3 semanas

trata-se seguramente até à data de uma das notícias mais importantes do ano...deveremos tomá-la como um alerta?

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