O fundo que é gerido pelo banco central da Noruega vendeu todas as obrigações portuguesas e irlandesas e reduziu o investimento em títulos espanhóis e italianos no primeiro trimestre. A Zona Euro enfrenta "desafios consideráveis", considera.

O fundo de pensões do
Norges Bank vendeu toda a dívida portuguesa que tinha em carteira nos primeiros três meses do ano. As obrigações irlandesas também desapareceram desta aplicação.
O fundo de pensões global norueguês “vendeu todas as dívidas soberanas portuguesas e irlandeses no primeiro trimestre”, indicou a empresa num
comunicado presente no site do Norges Bank Investment Mangament, o banco central da Noruega, que gere o fundo de pensões.
A decisão de desinvestimento aconteceu num período de recuo das rendibilidades exigidas pelos investidores para trocarem dívida portuguesa, que desceram para níveis anteriores ao resgate financeiro a Portugal.
“A previsibilidade é importante para um investidor a longo prazo e a Zona Euro enfrenta desafios consideráveis a nível estrutural e monetário”, afirmou Yngve Slyngstad, o CEO do Norges Bank Investment Management (NBIM), no comunicado, para justificar a decisão.
Portugal e Irlanda não foram casos únicos no desinvestimento. Foram também reduzidas as apostas em dívida soberana de países, “incluindo
Itália, Espanha e Reino Unido”, de acordo com o documento. No primeiro trimestre, intensificou-se o receio de que Espanha possa ter de recorrer a uma forma de assistência financeira para conseguir evitar o incumprimento.
O aumento de compras em
Obrigações do Tesouro norte-americano foi uma realidade, anunciou, pelo contrário, o fundo de investimento nórdico. A opção foi também adquirir obrigações emitidas pelo Brasil, México, Índia,
Coreia do Sul e Indonésia, apontou o fundo de investimento.
O fundo de pensões global da Noruega reduziu os investimentos em obrigações soberanas denominadas em euros de 43%, no final do ano passado, para 39%, no final de Março, como salienta a agência Bloomberg.
No que diz respeito ao mercado accionista, o fundo soberano Norges Bank é, ainda assim, um dos que mais investe em cotadas portuguesas. Como calculou o Negócios, o fundo soberano como um todo, e não especificamente o fundo de pensões,
detinha 495,2 milhões de euros em empresas de Lisboa no final de Abril.
O valor de mercado do fundo de pensões norueguês aumentou para 3.496 mil milhões de coroas norueguesas (462,8 mil milhões de euros), tendo sido impulsionado, sobretudo, pelo desempenho do mercado accionista.