Bolsa Galp Energia deixa EDP para trás na bolsa

Galp Energia deixa EDP para trás na bolsa

O valor de mercado da Galp já supera em mais de dois mil milhões de euros a capitalização bolsista da EDP. A petrolífera tem sido ajudada pela recuperação do petróleo, enquanto a eléctrica apresenta um dos piores desempenhos do PSI-20.
Galp Energia deixa EDP para trás na bolsa
Galp
Patrícia Abreu 20 de dezembro de 2017 às 07:00

A competição já é antiga. Galp e EDP têm disputado entre si, nos últimos anos, o lugar de mais valiosa da bolsa de Lisboa. Mas, a petrolífera descolou da eléctrica e a sua capitalização bolsista é actualmente superior em mais de dois mil milhões à da EDP. Há cinco anos que esta diferença não era tão significativa.

A petrolífera portuguesa encerrou a última sessão avaliada em 12.944 mil milhões de euros, um valor de mercado 2,2 mil milhões superior à capitalização bolsista de 10.695 milhões da EDP. É preciso recuar a 2012 para verificar uma situação em que a Galp valia mais 2,7 mil milhões que a EDP. Esta arrancada do valor de mercado da petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva ocorre depois da companhia ter acelerado cerca de 10% em 2017, enquanto a eléctrica sobe pouco mais que 1%.

"A cotação da Galp Energia tem provavelmente beneficiado do comportamento da cotação do Brent (sobe 41% desde meados de junho), assim como do crescimento da sua área de exploração", explica Albino Oliveira. Já no que diz respeito à EDP, o analista da Patris Investimentos refere que "a cotação tem sido afectada por um período desfavorável de notícias (a mais recente das quais esteve relacionada com a publicação pela ERSE das tarifas para a electricidade em 2018 e dos parâmetros de regulação para o mercado de electricidade no período 2018-2020), a evolução desfavorável das margens no negócio da Ibéria e a revisão em baixa das metas para 2017".

João Queiroz, director da banca online da GoBulling, também destaca "a avaliação relativa que torna mais atractiva a petrolífera que a eléctrica (no que se refere, fundamentalmente, ao endividamento) e pelo facto do crude ter tido este ano um desempenho muito positivo, encontrando-se próximo dos máximos deste ano e as expectativas serem ainda de que as eventuais correcções não impactem de  forma significativa a sua capacidade de geração de receitas e lucros".

Ao contrário da Galp Energia, que tem sido beneficiada por vários factores, a eléctrica não consegue acompanhar o comportamento positivo da bolsa portuguesa, em 2017. O PSI-20 sobe cerca de 16% este ano, com mais de metade das empresas listadas na praça nacional a subirem mais de 20%, suportado pelo maior optimismo em torno da economia portuguesa e da descida do prémio de risco do país.

"A EDP é um dos ‘laggers do PSI-20 este ano quer por questões regulamentares, quer por motivos operacionais e reputacionais", explica a equipa de "research" do BiG. Os especialistas adiantam que "ainda que a EDP tenha apresentado uma capitalização bolsista superior à Galp nos últimos cinco anos, 2017 tem sido mais positivo para a Galp".

Independentemente de qual dos dois pesos pesados da bolsa vale mais, Galp e EDP continuam a ser as duas cotadas com a maior capitalização bolsista em Lisboa. Das 18 cotadas que actualmente compõem o PSI-20 apenas a Jerónimo Martins conta com uma capitalização bolsista superior a dez mil milhões de euros, sendo que todas as outras estão bem longe deste patamar e seis delas valem menos de mil milhões.

Em termos gerais, os analistas consideram que as condições mantêm-se mais favoráveis para a Galp, mas o "papel" das duas cotadas na bolsa está garantido. "A dimensão destas empresas no PSI-20 continuará a ser dominante face às restantes", conclui o BiG. 

Raio-X

Petróleo ajuda Galp, regulação castiga EDP

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Bolsa
Galp
Petrolífera ganha perto de 10%
O ano tem sido de ganhos expressivos na bolsa portuguesa. Ainda que as maiores subidas sejam protagonizadas por empresas de menor dimensão, a Galp Energia também atravessa um período positivo em bolsa. As acções da petrolífera somam cerca de 10%, em 2017. Ainda assim, apenas cinco empresas apresentam um desempenho pior.

EDP
EDP sobe, mas muito pouco
A empresa liderada por António Mexia é uma das cotadas que tem falhado a forte recuperação registada pelas cotadas portuguesas desde o início do ano. As acções da companhia sobem pouco mais que 1%, num ano em que dez empresas do PSI-20 disparam mais de 20% e o índice de referência PSI-20 negoceia em máximos de 2015.

Actividade 
Galp
Recuperação do petróleo dá ajuda
A evolução positiva dos preços do petróleo em 2017 é um dos factores que tem estado a puxar pelos títulos da Galp. O Brent, que serve de referência às importações nacionais sobe perto de 12% para 63,50 dólares por barril. Além da subida do petróleo, a empresa tem ainda beneficiado com a recuperação do consumo de combustíveis, este ano.

EDP
Regulação penaliza eléctrica
A EDP tem sido penalizada, sobretudo, por questões regulatórias. A companhia recebeu várias notícias negativas nos últimos meses, como a revisão do valor final dos contratos Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC) da EDP ou a descida da taxa dos juros cobrada nas tarifas eléctricas para remunerar a dívida à eléctrica.

Analistas
Galp
Analistas prevêem ganhos limitados
Depois da valorização registada nos últimos meses, o potencial de subida da Galp é agora inferior. A maioria dos analistas recomenda manter as acções da petrolífera, mas avalia a companhia menos de 4% acima da cotação actual. O preço-alvo médio da Galp é de 16,20 euros. Em 27 analistas, só dois dizem aos investidores para vender.

EDP
Analistas dão potencial de 7%
Dos 24 analistas que acompanham a EDP, a maioria (10) mantém uma recomendação de "manter", oito mandam comprar e seis aconselham os investidores a vender. Em termos de preço-alvo, a avaliação média dos especialistas para a eléctrica é de 3,12 euros, um preço que confere um potencial de valorização de cerca de 7% à cotada.




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