Combustíveis
Gasolina desce quase 10% desde o recorde
26 Abril 2012, 00:01 por Paulo Moutinho | paulomoutinho@negocios.pt
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A queda das cotações do petróleo está a começar a fazer-se sentir no valor dos produtos destilados. Gasolina e gasóleo têm vindo a perder valor, com a primeira a afundar já quase 10% face ao valor recorde atingido no início do mês nos mercados. E pode continuar a descer, também nos postos de abastecimento, dadas as previsões de queda da matéria-prima de base.
A queda das cotações do petróleo está a começar a fazer-se sentir no valor dos produtos destilados. Gasolina e gasóleo têm vindo a perder valor, com a primeira a afundar já quase 10% face ao valor recorde atingido no início do mês nos mercados. E pode continuar a descer, também nos postos de abastecimento, dadas as previsões de queda da matéria-prima de base.

Depois de atingir o valor mais elevado de sempre, o preço da tonelada métrica da gasolina inverteu. Chegou aos 1.219 dólares, o equivalente a 923,42 euros, nos primeiros dias de Abril, mas desde então tem mantido uma tendência negativa que se traduz já numa descida de 9,4%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O gasóleo, por seu lado, recua pouco mais de 5%.

O que conta para a descida dos preços dos combustíveis nos postos de abastecimento são as cotações médias semanais. Considerando estes valores, que são os usados pelas gasolineiras, assiste-se a uma quebra de 4,6% na gasolina e de 2,1% no gasóleo. Descidas que se têm verificado nos valores de venda ao público em Portugal.

Os preços dos combustíveis voltaram a recuar nos primeiros dias desta semana. De acordo com os dados da DGEG, o preço de venda do gasóleo está agora nos 1,499 euros, enquanto o litro da gasolina, que chegou a custar 1,80 euros há duas semanas, está agora 3% mais barato. Na Galp Energia, a gasolina sem chumbo de 95 octanas apresenta um preço de venda de 1,744 euros.

A descida é um reflexo da correcção das cotações dos preços dos combustíveis nos mercados internacionais, que têm seguido o comportamento do custo do barril de petróleo de referência para a Europa. O Brent, transaccionado em Londres, acumula uma descida de mais de 6% no último mês, que ascende a 7% quando considerada a cotação na moeda europeia, que tem apresentado uma subida ligeira.

"As cotações do Brent têm vindo a recuar dos máximos recentes. Apesar da menor produção de petróleo no Mar do Norte, assistimos a um aliviar das tensões nos preços da matéria-prima", diz Cory Garcia, analista de produtos refinados da Raymond James, ao Negócios. "O panorama é agora de menor pressão", acrescenta, sublinhando o facto da procura na Europa estar a abrandar

"Além disto, os receios de interrupção de fornecimentos de petróleo por parte do Irão aliviaram, nomeadamente depois do arranque das negociações entre aquele país e o Conselho de Segurança da ONU", refere o mesmo especialista. O governo iraniano anunciou ontem estar a analisar uma proposta de Moscovo para o país suspender o programa nuclear e evitar as sanções da União Europeia.

Cory Garcia aponta para que "as cotações do petróleo se mantenham perto dos níveis actuais até ao final do ano. Olhando para 2013, acredito que os preços recuem, baixando a fasquia dos 100 dólares". Nesta base, "os preços da gasolina e do gasóleo podem ser inferiores no próximo ano", remata.

As ameaças do Irão, de interrupção dos fornecimentos de petróleo, levaram o Brent a máximos de 2008, nos 128 dólares. Apesar das negociações com a ONU, o Barclays lembra que pode registar-se um pico nos preços no terceiro trimestre, na sequência do embargo decretado pelos EUA e a UE.

Para que em vez de cair, o preço do barril suba este ano e no próximo, basta que as temperaturas deste Verão sejam elevadas, diz o Barclays. Se isso acontecer, "há uma forte probabilidade da Arábia Saudita tornar-se num importador líquido de petróleo em vez de exportar, em média, 775 toneladas por mês", referem os analistas Miswin Mahesh e Amrita Sen.


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