Mercados Goldman: As avaliações estão em máximos de 1900. Vem aí sofrimento para os investidores

Goldman: As avaliações estão em máximos de 1900. Vem aí sofrimento para os investidores

À medida que os bancos centrais estão a retirar os seus programas de compra de activos, elevando o prémio que os investidores exigem para deter obrigações de prazos mais longos, os retornos "vão ser mais baixos em todos os activos" no médio prazo, argumentam os analistas do Goldman Sachs.
Goldman: As avaliações estão em máximos de 1900. Vem aí sofrimento para os investidores
reuters
Bloomberg 29 de novembro de 2017 às 15:40

Um "bull-market" prolongado nas acções, obrigações e no crédito levou as medidas das avaliações médias para os níveis mais elevados desde 1900, um factor que nalgum ponto vai traduzir-se em sofrimento para os investidores, de acordo com o Goldman Sachs.

 

"Raras foram as vezes em que as acções, obrigações e o crédito estiveram similarmente caros na mesma altura. Tal apenas aconteceu nos anos 20 e 50", referem os especialistas no banco de investimento, numa nota publicada esta semana a que a Bloomberg teve acesso. "Todas as coisas boas têm de ter um fim e "eventualmente, vem aí um ‘bear market’".

 

À medida que os bancos centrais estão a retirar os seus programas de compra de activos, elevando o prémio que os investidores exigem para deter obrigações de prazos mais longos, os retornos "vão ser mais baixos em todos os activos" no médio prazo, argumentam os analistas.

 

Um outro cenário, menos provável, vai envolver um "sofrimento rápido". As avaliações das acções e das obrigações vão ambas ser atingidas, com a ponderação a depender se o "trigger" para as quedas envolver um choque de crescimento negativo, ou um choque de crescimento com uma forte subida da inflação.

 

"Avaliações elevadas aumentam o risco de desvalorizações pela simples razão de que a almofada para absorver choques é mais baixa", explicam os especialistas. "O percentil das avaliações médias nas acções, obrigações e crédito nos EUA é de 90%, o nível mais elevado de sempre", alertam.

 

Uma carteira composta por acções do índice S&P500 (peso de 60%) e obrigações soberanas dos EUA a 10 anos (peso de 40%) gerou um retorno anual (ajustado à inflação) de 7,1% desde 1985. O que, de acordo com os cálculos do Goldman Sachs, compara com o ganho de 4,8% gerado no século passado. O rebentamento da bolha das tecnológicas e a crise financeira global foram as duas manchas neste desempenho.

 

A baixa inflação tem prevalecido no tempo mais recente, tal como aconteceu nos períodos de crescimento económico dos anos 20 e 50. "Os piores resultados para uma carteira (composta em 60% por acções e 40% por obrigações) acontecem quando a inflação é elevada e está a aumentar. São nessas alturas que as acções e obrigações mais sofrem, mesmo em períodos fora de recessões". Um aumento das taxas de juro, devido à pressão dos preços, "permanece um importante factor de risco para as carteiras compostas por variados activos".

 

No principal cenário do Goldman Sachs, de retornos positivos mas reduzidos, os investidores devem "continuar no mercado e até podem ser atraídos pela alavancagem". Desta forma, os especialistas aconselham a dar um maior peso às acções nas carteiras, em detrimento dos títulos de taxa fixa.

    

 




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comentários mais recentes
Tomates de aço Há 1 semana

Ai esta ela a tal schas que gosta de provocar o cãos quando as coisas estão bem e quando corre mal besunta os tolos com mel para ver se as moscas caem outra vez vai trampar o tramp...

PSI 18 Há 1 semana

Estão a comentar sobre EUA a Europa é outra realidade. Para eles o mundo é os" States". Infelizmente quando eles entram em crise arrastam tudo, por isso têm alguma razão. Há que estar atento, por enquanto estamos em bull market.

nuno Há 1 semana

Fode.te goldman.