Obrigações Compra de dívida venezuelana pelo Goldman Sachs motiva críticas

Compra de dívida venezuelana pelo Goldman Sachs motiva críticas

Depois das críticas por parte da oposição venezuelana, o banco Goldman Sachs justificou esta terça-feira a compra de obrigações ao Banco Central da Venezuela no valor nominal de 2,8 mil milhões de dólares, por apenas 865 milhões de dólares.
Compra de dívida venezuelana pelo Goldman Sachs motiva críticas
reuters
Negócios com Lusa Lusa 30 de maio de 2017 às 21:03

"Investimos em obrigações da Petróleos da Venezuela (PDVSA) porque, como muitos outros neste sector, acreditamos que a situação nesse país tem de melhorar com o tempo", segundo um comunicado da instituição financeira norte-americana, dirigido à Efe.

 

O The Wall Street Journal noticiou este fim-de-semana que o departamento de gestão de activos do Goldman Sachs pagou 865 milhões de dólares pelas obrigações emitidas pela PDVSA em 2014, que vencem em 2022 e que estão avaliadas em 2,8 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros).  

 

Tratou-se, assim, de preço de saldo, já que pagou 31% do valor nominal dessas obrigações.

 

Isto depois de, contra quase todas as previsões, a PDVSA ter evitado um incumprimento este ano, o que até levou a análises de alguns bancos e agências financeiras sobre se seria mais seguro investir em dívida de emergentes democráticos ou com regimes ditatoriais.

 

Um porta-voz do Goldman Sachs afirmou à Efe que estas obrigações foram adquiridas através de um intermediário de mercado, numa operação em que não houve qualquer intervenção directa do governo venezuelano. 

 

"Reconhecemos que a situação é complexa e instável e que a Venezuela está em crise. Acreditamos que vida [nesse país] tem de melhorar e, em parte, fizemos este investimento porque acreditamos que assim será", ainda segundo a fonte do banco.

 

O investimento foi feito em plena onda de manifestações na Venezuela, favoráveis e contrárias ao governo de Nicolás Maduro, que por várias vezes terminaram em violência, tendo já causado 59 mortos e mil feridos nos últimos dois meses, segundo números da Procuradoria.  

 

Justamente hoje, dezenas de pessoas protestaram frente à sede central do Goldman Sachs, em Nova Iorque, convocadas pela plataforma 'SOS Venezuela NY', que considera a transacção do banco "imoral" e uma forma de apoio à "ditadura" de Nicolás Maduro.

 

O deputado da oposição Ángel Alvarado, membro da Comissão de Finanças do Congresso venezuelano, considerou que o banco se colocou "do lado errado da história" ao fazer esta operação.

 

Na semana passada, depois de feita esta operação do Goldman Sachs, as reservas internacionais do Banco Central da Venezuela passaram de 442 milhões de dólares para 10,8 mil milhões, segundo estatísticas oficiais. 




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