Mercados Novo Banco: Grandes fundos pedem a Centeno que "corrija erros do passado"

Novo Banco: Grandes fundos pedem a Centeno que "corrija erros do passado"

Os fundos que se dizem discriminados pela decisão do Banco de Portugal, pedem a Centeno que na sua nova missão no Eurogrupo, "comece por resolver os problemas em casa".
Novo Banco: Grandes fundos pedem a Centeno que "corrija erros do passado"
Miguel Baltazar/Negócios
Nuno Carregueiro 06 de dezembro de 2017 às 12:06

Os fundos internacionais que estão em litígio com Portugal devido à transferência de obrigações do Novo Banco para o BES "mau" escreveram uma carta ao ministro das Finanças português, onde congratulam Mário Centeno pela eleição como presidente do Eurogrupo e aproveitam para a apelar ao ministro que corrija os erros cometidos no passado.

 

Assinalando que Centeno falou da necessidade de haver "confiança mutua" e "facilidade de investimento" na Zona Euro, estes fundos dizem que para tal "apelamos a que primeiro corrija os erros do passado e continue a trabalhar connosco para resolver os problemas de desigualdade de tratamento e falta de confiança que ainda afectam Portugal".

 

A carta é assinada pela Attestor Capital, BlackRock, CQS, Pimco, River Birch Capital e York Capital, sendo que estas gestoras de activos consideram ter sido "discriminadas" pelo Banco de Portugal na divisão dos activos do antigo BES.

 

Em causa está a retransmissão de dívida sénior do Novo Banco para o BES "mau" a 29 de Dezembro de 2015. Na resolução de 3 de Agosto de 2014, a dívida sénior passou para o Novo Banco, mas mais de um ano após a resolução, o Banco de Portugal decidiu enviar cinco linhas de obrigações seniores para o BES "mau", avaliadas em torno de 2 mil milhões de euros, por considerá-las ligadas ao Goldman Sachs, que tinha sido accionista do banco. Desde aí, estas entidades têm vindo a combater, até judicialmente, a decisão da autoridade presidida por Carlos Costa.

 

Lembrando as declarações de Centeno ao Financial Times, de que Portugal "tem sido muito rigoroso no cumprimento das regras e deixa para os outros a avaliação dos resultados", os fundos argumentam que em 2015, sob a supervisão do ministro das Finanças, "Portugal não cumpriu as regras".

 

"Nós, enquanto investidores discriminados, ainda estamos hoje a avaliar os resultados da decisão tomada pelo Banco de Portugal", escrevem os fundos, lembrando que ainda recentemente boicotaram uma emissão de obrigações do Banco Comercial Português. "Enquanto as agências de rating podem ter esquecido os erros cometidos por Portugal no passado, nós não".

 

Sobre este assunto, o ministro das Finanças tem dito que é necessário "encontrar uma solução" que satisfaça todos. "Concordamos e apelamos a que essa acção seja tomada imediatamente, para corrigir a decisão do Banco de Portugal e restaurar a confiança dos investidores em Portugal e na União Bancária", escrevem os fundos, que se mostram "disponíveis para retomar as negociações com o Banco de Portugal e o governo português, de forma a evitar uma batalha legal".

 

"Estamos ansiosos em trabalhar consigo no seu novo papel como presidente. Mas se quiser ser bem-sucedido na missão de promover a confiança na União Bancária e no investimento na Zona Euro, tem de começar por resolver os problemas em casa", acrescentam no final da carta.




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