Obrigações Grécia prepara-se para regressar ao mercado de dívida

Grécia prepara-se para regressar ao mercado de dívida

As melhorias económicas, o contexto político europeu, a queda dos juros e do prémio de risco da dívida apontam para que Atenas possa regressar à emissão de dívida este Verão.
Grécia prepara-se para regressar ao mercado de dívida
Reuters
Sara Antunes 11 de julho de 2017 às 13:38

A estabilidade política na Europa, depois das eleições em França, a conclusão da última revisão do programa de ajuda financeira internacional e as melhorias económicas da Grécia estão a aumentar a especulação em torno do regresso ao mercado por parte de Atenas.

 

Assim, as eleições em França, presidenciais e legislativas, puseram um travão à instabilidade política na Europa. O próximo foco surgirá em Setembro, com as eleições na Alemanha. Até lá haverá alguma acalmia em termos políticos, até porque, entretanto, a Europa passará por um período que costuma ser mais tranquilo, devido às férias do Verão.

 

Este contexto, aliado com a perspectiva de manutenção de estímulos do Banco Central Europeu (BCE), tem levado a uma descida generalizada das taxas de juro na Europa, à excepção da Alemanha, cujas taxas de juro têm subido para níveis de Janeiro de 2016.

 

E a Grécia, apesar de não beneficiar das compras do BCE, tem beneficiado deste contexto mais calmo. As taxas de juro da dívida grega a 10 anos têm descido para mínimos de Dezembro de 2009, meses antes de o país ter recorrido à ajuda externa. As taxas a 10 anos estão a negociar em torno dos 5,4%, tendo chegado a negociar acima dos 44%, em Março de 2012.

 

O "spread" da dívida, face à alemã, encontra-se um pouco acima de 450 pontos base, o que representa o valor mais baixo desde Setembro de 2014.

 

Grécia deverá emitir dívida neste último semestre

 

Há mesmo responsáveis por carteiras de investimento que estão "positivos" em relação à Grécia e optimistas quanto ao regresso ao mercado ainda este ano. Mark Dowding, gestor na BlueBay, disse à Bloomberg estar "positivo" em relação à Grécia e admite investir em dívida do país. "Temos uma visão de que os credores vão continuar comprometidos em ajudar a Grécia. Sinto-me relativamente confiante de que a Grécia vai regressar ao mercado na segunda metade deste ano", acrescentou o responsável.

 

E não tem sido o único a partilhar desta visão. Simeon Djankov, ex-vice-primeiro-ministro da Bulgária e actual responsável no Peterson Institute for International Economics, acredita que Atenas poderá regressar ao mercado até Setembro, "cavalgando a onda" positiva que envolve a Europa.

 

E, na verdade, nos últimos meses, os responsáveis gregos têm preparado o mercado para este cenário.

 

Em Abril, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, tinha afirmado que o "objectivo é concluir a revisão do resgate e imediatamente depois regressar aos mercados". E, acrescentou, Grécia quer fazê-lo de forma "sustentada" e não de forma "pontual".

 

E a revisão foi concluída há dias, com a libertação da nova tranche a decorrer na semana passada.

Mais recentemente, no final de Junho, o ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, afirmou que o país iria regressar ao mercado de dívida, com ou sem a ajuda do Banco Central Europeu (BCE), sendo que a dívida de Atenas não é elegível como "colateral". Ou seja, tem ficado de fora da compra de dívida por parte do banco central, numa altura em que o programa de compra de activos tem sido determinante para o alívio de pressão sobre a dívida europeia.

 

Tsakalotos explicava, no final de Junho, que voltar a ser qualificado como elegível por parte do BCE será "muito útil" para a Grécia. Apesar de uma questão muito "simbólica" é "muito importante", afirmou o responsável, citado pela Associated Press. "O que precisamos é assegurar a comunidade de investidores que haverá uma programa de acesso aos mercados".

 

O ministro das Finanças deixou o mesmo recado que o primeiro-ministro em Abril: "quando formos [ao mercado], queremos garantir que os mercados sabem que é uma parte da estratégia" e de que o país irá financiar-se mais "duas, três, quatro vezes". E que não é apenas uma operação pontual.




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mais votado Anónimo 11.07.2017

Não tenho rendimentos para sustentar as vossas vidas vividas acima das vossas possibilidades. Desinchem.

comentários mais recentes
Anónimo 11.07.2017

A Grécia teve de cortar bastante nas suas extremamente generosas pensões de reforma. Das mais generosas, irrealistas e insustentáveis da UE. Falta combater o sobreemprego, a rigidez do mercado laboral, a falta de transparência e o excesso de burocracia anacrónica. http://www.telegraph.co.uk/business/2017/04/07/greece-course-avoid-debt-default-athens-agrees-pension-cuts/

Anónimo 11.07.2017

Reduziram salários e cortaram definitivamente as pensões do sistema público em 30%. Só lhes falta completar a purga dos excedentários e mudar umas quantas regras laborais e fiscais. Mas isso demorará tempo.

Anónimo 11.07.2017

Não tenho rendimentos para sustentar as vossas vidas vividas acima das vossas possibilidades. Desinchem.

surpreso 11.07.2017

Paqas 5 porcento,para prazo curto

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