Bolsa Há uma bolha, mas bancos centrais não a deixam rebentar

Há uma bolha, mas bancos centrais não a deixam rebentar

Existe uma bolha nos mercados, mas que não irá rebentar já, acreditam os especialistas da Schroders. Contudo, sublinham que a inflação é a peça que pode acelerar uma mudança.
Há uma bolha, mas bancos centrais não a deixam rebentar
Peti Kollanyi/Bloomberg
Patrícia Abreu 17 de novembro de 2017 às 07:00

As injecções de liquidez realizadas pelos bancos centrais no sistema financeiro suportaram a recuperação dos activos de risco, ao mesmo tempo que empurraram os juros das obrigações para valores historicamente baixos. Um ambiente que ajudou a inflacionar os preços e que retirou a volatilidade do mercado. É esta a perspectiva dos especialistas da Schroders, que acreditam que existe uma bolha nos mercados, mas que não irá rebentar já. Pelo menos, enquanto se mantiver o "quantitive easing". A inflação é a peça que pode acelerar uma mudança.

"Podemos ver a formação de uma bolha, mas ainda podemos ganhar", alerta Remi Olu-Pitan, gestora de multi-activos da Schroders, no "Media Day" da Schroders, que decorreu esta quinta-feira em Londres. Para a mesma especialista, apesar dos riscos que existem no mercado, a ausência de retornos está a forçar as pessoas a investir. "Ainda que toda a gente esteja cautelosa, toda a gente precisa de retorno", acrescenta Remi Olu-Pitan.

Num cenário de taxas de juro negativas, a especialista continua a identificar nas acções as melhores oportunidades de investimento, ainda que recomende cautela na escolha dos títulos para investir. E ainda há oportunidades nas bolsas. "As acções estão relativamente elevadas do ponto de vista histórico, mas há sectores muito baratos", como é o caso da banca e das telecomunicações, esclarece James Sym. Para o gestor de acções europeias da gestora, o grande problema é a inflação.

Ainda que o índice de preços no consumidor permaneça longe dos objectivos dos bancos centrais, eventualmente vai voltar a subir e, nesse momento, há um risco para os activos, que têm sido insuflados pela política de estímulos dos bancos centrais, alertam os especialistas. "Os bancos centrais estão a começar a perceber as implicações negativas da sua política", refere o gestor de acções europeias. O problema é como sair desta encruzilhada, alerta Lionel Rayon.

"Há uma distorção do mercado de capitais. Temos uma bolha e um dia ela vai rebentar", prevê o especialista. O gestor acrescenta ainda que a política de estímulos de entidades como a Reserva Federal dos Estados Unidos e o Banco Central Europeu (BCE) mudou as expectativas dos investidores e suportou a escalada das bolsas mundiais. Por isso, uma retirada destas políticas irá acelerar uma correcção. Um cenário que poderá levar os bancos centrais a adiar a retirada de liquidez dos mercados.

"Quando voltarmos a um mundo normal, as acções vão cair", avisa o gestor. Ao contrário de grande parte dos especialistas que diz que as acções europeias estão baratas face aos EUA, Rayon destaca que "o mercado americano é rico em empresas de crescimento, por isso tem que ter múltiplos mais elevados. Não é verdade que os mercados estão baratos".

Dito isto, alerta que é preciso parar de manipular o mercado, mas caso os estímulos se mantenham "não há razão para haver uma crise nas acções". Mais uma vez, "o que pode forçar uma mudança é a inflação". "Mas não estamos aí ainda", remata.

*A jornalista viajou a convite da Schroders




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mais votado Anónimo Há 3 semanas

É chique falar em bolhas. Ganhamos a atenção dos media e vendemos uma imagem de inteligência premonitória, quase enigmática, mas muito sedutora. O que é facto é que as causas dessas supostas bolhas são mais do que evidentes e têm culpados e nomes que poucos gostam de nomear por motivos eleitoralistas e clientelares numa óptica caciquista. Quando é preciso que entidades internacionais obriguem as organizações do nosso país a fazer uma correcta gestão de recursos humanos que leve a reestruturações com adequado e natural recurso aos despedimentos que estavam por fazer há uma série de anos, percebemos as causas da crise portuguesa. Vejam-se os casos da administração pública, da Meo e da CGD, por exemplo, entre tantos e tantos outros.

comentários mais recentes
Tradição de “chapeladas” em Portugal (2) Há 3 semanas

Em nome de preocupações de rigor desejo precisar:
1)Quando no comentário anterior escrevi : "eleições a que concorreu Humberto Delgado" referia-me apenas e tão-só às célebres eleições de 1958;
2) Quando me referi a um Familiar cuja Memória venero, referia-me a Alguém , Médico de Profissão, que tenho na conta de um autêntico Santo, excepto no plano político em que foi fiel adepto de um Regime que para mim só se poderia ter justificado durante as décadas de 30 e 40 do século passado. e nunca com atropelo de Liberdades individuais.
No entanto e mal-grado as "chapeladas" em que possivelmente terá sido artífice ou cúmplice, inclino-me perante a sua Memória, e recordo com respeito a sua acção exemplar de Médico a favor de Pobres e Humildes.
Honra à Sua Memória e que repouse em Paz lá nas Terras do Sem Fim...

Tradição de “chapeladas” em Portugal Há 3 semanas

A propósito de “chapeladas” na votação de Comentários, não será entre nós nada de novo !
Dos tempos do Regime anterior ao 25 de Abril, apenas foi encontrado um documento referente à organização de uma caravana de Legionários para votarem múltiplas vezes!
E embora, se bem me recordo, parece que conseguiram votar em 40 (!) assembleias, o seu zelo mesmo assim não conseguia explicar a esmagadora maioria de votos que a Situação sempre teve, nomeadamente nas eleições a que concorreu Humberto Delgado.
Mas dou aqui testemunho histórico do que me contou um Familiar (cuja Memória, aliás venero,) figura muito activa e prestigiada do antigo Regime, e que múltiplas vezes presidiu a assembleias de votos.
Uns dias antes, sempre por via oral e nunca escrita, recebia-se a indicação de que “convinha” que na assembleia a que iria presidir, a % de votos a favor da Situação fosse de aproximadamente X %....
Portanto, Amigos, quanto a vícios do Passado, “Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes”

Regresso do morgado Joãozinho das Perdizes Há 3 semanas

Num fórum em que normalmente votam 1 ou 2 Leitores, aparece um Comentário a recolher, 19 votos!!!
Parabéns ao autor Anónimo e a quem , obedientemente e com humilde sentido de servir um antipático Fuhrer ou uma mais simpática figura de um cacique Lusitano (tão genialmente descrita por Júlio Diniz ou Eça de Queiroz), terá dado cumprimento à sua augusta vontade.
Será o Portugal do século XIX no seu pitoresco que revive, é o morgado Joãozinho das Perdizes, da Morgadinha dos Canaviais que terá ressuscitado, já não numa aldeia castiça e inolvidável do Minho maravilhoso, mas agora na cidade hoje internacionalmente na moda, a também maravilhosa Lisboa do Tejo ( e , em concreto, muito possivelmente ali para os lados do…Campo Pequeno !).
No século XIX ou no século XXI, muito continuará na mesma no velho Portugal ! Mas enfim, do mal o menos...

Os segredos da Holanda... Há 3 semanas

A Ti que citas o caso da CGD;
A Ti que evocas o exemplo do Ing na Holanda;
deixa-me evocar, Amigo, alguns dos segredos do sucesso da Holanda, país exemplar, com um compromisso óptimo entre ordem e liberdade:
Poucos tachos, poucos parasitas, muito dinamismo, muita criatividade, muito trabalho esforçado mas não forçado, muito espírito cívico.
Gostaria de acreditar que em tais virtudes haverá algo trazido pelos Portugueses que para lá fugiram escapando às fogueiras da Santa Inquisição ou. mais tarde, à sanha persecutória da polícia politica do Estado Novo.

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