Mercados Hugo O'Neill: "O dia em que vieram a público as divergências do GES foi o mais longo da minha carreira"

Hugo O'Neill: "O dia em que vieram a público as divergências do GES foi o mais longo da minha carreira"

Hugo O’Neill trabalhava no BES quando o império desmoronou. E tem a certeza que se a família tivesse abdicado do controle total o grupo poderia ter sido salvo.
Hugo O'Neill: "O dia em que vieram a público as divergências do GES foi o mais longo da minha carreira"
Miguel Baltazar
Mariana Adam 19 de julho de 2017 às 07:05

Qual a sua principal vitória e derrota profissional?
A principal derrota foi a de ter avaliado mal os recentes riscos do sector financeiro em Portugal. A principal vitória a previsão dos excessos de 2008 na economia global.

E o dia mais longo da sua carreira profissional ?
11 de Novembro de 2013, em que vieram a público as divergências e críticas internas no GES, trazidas por um membro do seu Conselho Superior.

Trabalhava no grupo, como foi?
Tinha um contrato de consultoria para gestão de activos. Embora não estivesse totalmente por dentro da situação  sabia que havia problemas cuja solução implicaria o reforço da estrutura financeira do grupo. São situações que sucedem quando crises externas à instituição a afectam negativamente e que em casos como o GES, controlado por uma família, se complicam quando a família não dispõe na altura dos recursos necessários.
Para manter a solidez financeira seria necessário procurar o investimento de entidades externas à família, implicando a perda pela família do nível de controle do grupo.
Há vários casos em que idêntica situação se colocou. Um que me lembro foi a decisão tomada no final dos anos 60 por Marc Wallenberg, o responsável da administração do Grupo Wallenberg, que para contrariar a entropia provocada pelo banco da família no restante negócio do grupo, resolveu promover a sua fusão com o Skandinavska Bank , criando o Skandinavska Eniskilda Bank cujo controle deixou de lhe pertencer, mas que beneficiou significativamente a família pelo acréscimo de valor do seu activo total assim proporcionado.


Mas não foi este o caminho do GES…
Uma solução desse género implicaria como ponto de partida um entendimento interno da família que permitisse a procura privada de uma solução. O que de facto aconteceu é infelizmente bem conhecido.




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Camponio da beira 19.07.2017

Qualquer pessoa que tenha estadao na "cabeça" do bbes/ges, e venha dizer que nada sabia, é o maior atestado de incompetencia a si proprio. E a ser verdade devia ser obrigado a devolver tudo o que recebeu.Quem não sabe da materia, demite-se em tempço util.