Mercados Il sorpasso. Portugal deixa Itália para trás

Il sorpasso. Portugal deixa Itália para trás

Em 1987, os italianos chamaram “il sorpasso” à sua ultrapassagem momentânea do Reino Unido como a quinta maior economia do mundo. Na semana passada, foi a vez de Itália ficar no espelho retrovisor, quando os juros portugueses voltaram a ser mais baixos do que os italianos. Algo que não acontecia desde 2010.
Il sorpasso. Portugal deixa Itália para trás
EPA
Nuno Aguiar 18 de dezembro de 2017 às 07:00
Pela primeira vez em quase oito anos, os mercados financeiros colocaram os juros portugueses abaixo dos italianos. Este comportamento dos investidores replica mudanças importantes nas duas economias e diferentes graus de incerteza política que enfrentam.

Itália parece estar a substituir Portugal debaixo dos holofotes da crise (aqueles que nunca largaram a Grécia). Horas antes de a Fitch anunciar a subida do rating da República Portuguesa em dois níveis, as ‘yields’ das obrigações portuguesas a dez anos atingiram mínimos de Abril de 2015, ao tocar nos 1,753%, ficando momentaneamente abaixo dos juros italianos. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde 2010.

"Esperamos ver mais convergência em relação a Itália e que o spread das ‘yields’ a dez anos entre Portugal e Itália seja 0 pontos base. Além disso, com a eleição italiana que se avizinha e a incerteza em relação ao resultado, Portugal deverá negociar abaixo de Itália em 2018", explica Jens Peter Sørensen, do Danske Bank.

Recorde-se que, em Março de 2016, a Fitch tinha cortado o outlook português de "positivo" para "estável" devido à fragilidade política que identificava na solução governativa encontrada por António Costa. Hoje, numa altura em que ela se revelou mais estável do que a Fitch previa, é Itália que se vê rodeada de maior incerteza.

O parlamento italiano será dissolvido depois do Natal e esperam-se novas eleições em Março, que podem deixar o país paralisado. As últimas sondagens sugerem que nenhum partido terá maioria absoluta e Berlusconi, líder do bloco de centro-direita, diz que, nesse cenário, favorece outras eleições. 

Filipe Garcia, economia do IMF, reconhece que a troca de posições entre os dois países "tem o seu simbolismo"."Para Portugal significaria abandonar o penúltimo lugar do ranking de risco – atrás só a Grécia – o que já não sucede desde a intervenção financeira no país."

Além da política, na vertente económica a evolução também tem sido díspar. Desde 2013 que Portugal cresce a um ritmo mais rápido do que Itália, no ano passado voltou a ter um desemprego e um défice orçamental inferiores e as projecções apontam para uma trajectória descendente da dívida pública, enquanto a italiana deve estabilizar.

No entanto, uma diferença que Portugal não consegue esbater é o facto de Itália ser a oitava maior economia do mundo, com muito mais peso económico e diplomático. Isso também se parece reflectir nos ratings. Nenhuma agência tem Itália em "lixo" e todas a colocam no mesmo nível onde a Fitch fixou agora Portugal (BBB).



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mais votado Anónimo Há 4 dias

Acredito que talvez o sul de Itália, cheio de Porcos, Feios e Maus, tenha o Poortugal das esquerdas unidas ultrapassado. Agora o resto, dado o ponto de partida desvantajoso, nem com 10 anos consecutivos de troika e o Palácio Ratton encerrado.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 dias

Vai chamar Pafioso ao CABRAO do teu Pai! Filho da Puta!

Anónimo Há 3 dias

Os italianos têm o creme de avelã, o nougat e as castanhas. Portugal tem papel caro e pessoas a arder. Nem quero falar aqui nos motores, nos fármacos ou nas grandes marcas globais do têxtil e calçado, que não quero envergonhar o meu triste Poortugal.

Anónimo Há 4 dias

Como os Pafiosos mudaram em apenas dois anos...

Antes só comparavam Portugal à Grécia...era só Grécia, Grécia, Grécia...

Passados dois anos de Governo Costa, ele é Estados Unidos, Dinamarca, Suécia, Japão, Suíça...

Indirectamente estão reconhecendo os excelentes resultados. Obrigado.

Anónimo Há 4 dias

No dia em que os EUA forem à falência o mundo inteiro vai a seguir. Que ninguém tenha dúvidas acerca disso. Vai ser uma falência à escala mundial.

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