Análise Técnica IMF - Euro/Libra neutraliza tendência de alta

IMF - Euro/Libra neutraliza tendência de alta

Quebra em baixa de £0.8700 reforçou sinais de fragilidade. Eur/Usd cai para mínimos desde março com força do dólar, que penaliza também o crude e o ouro.
IMF - Euro/Libra neutraliza tendência de alta
Entre janeiro e junho deste ano, o Eur/Gbp lateralizou entre £0.75 e £0.81, um intervalo que prevaleceu até ao referendo no Reino Unido. Aí assistiu-se a uma quebra em alta, que deu início à subida do câmbio até máximos desde 2009, registados já em outubro. Nas últimas semanas surgiram, contudo, sinais de que o cenário poderá ter-se alterado.

Após a subida às £0.9365, o Eur/Gbp atravessou um período de consolidação entre £0.8880 e £0.9050, que terminou com uma rutura do limite inferior. Na mesma altura, foi quebrada em baixa a trendline ascendente, que vinha atuando como suporte desde 24 de junho. Estes sinais conferiram desde logo ao par um viés de baixa no curto prazo, o que foi reforçado nos últimos dias com a quebra de £0.8700. Apesar de a tendência principal de alta não estar ainda anulada, a quebra desse suporte sugere que o Eur/Gbp poderá ter entrado agora numa fase de maior neutralidade, que prevalece enquanto entre £0.8250 e £0.8700. Este cenário seria negado acima de £0.8880.



Euro/Dólar recua para mínimos desde março

A vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas veio dar força ao dólar. A perspetiva é a de que os seus planos para uma política fiscal expansionista irão gerar uma subida dos yields das obrigações e da inflação nos EUA. A FED poderá responder com taxas de juro mais elevadas e, nesse sentido, ajudar a uma valorização do dólar.

O Eur/Usd ainda fez uma incursão à região dos $1.1300, mas esta foi tão breve que a sua relevância técnica é discutível. Excluindo esse movimento impulsivo, o par formou novo máximo relativo inferior nos $1.1130, sofrendo depois uma queda até novos mínimos desde março, abaixo de $1.0850. Deste modo, o par acentuou o cenário de debilidade no curto prazo e, caso confirme a quebra de $1.0820/50 (algo plausível), poderá prolongar as perdas até mínimos do ano ($1.0720). A toada de lateralização que prevaleceu ao longo do ano está agora ameaçada.



CRUDE – fragilidade no curto prazo

O crude moderou as perdas, mas não evitou a terceira queda semanal consecutiva. Os dados continuam a apontar para um excesso de oferta global, e a AIE (Agência Internacional de Energia) considera que a situação apenas se altera com um corte de produção dos países da OPEP.

Tecnicamente o cenário permanece frágil no curto prazo. A tentativa de recuperação em alta foi rapidamente travada em torno dos $46.00 (resistência mais próxima) e a quebra do suporte dos $43.00 pode agora estar iminente, o que abriria espaço até $41.00. A principal referência a ter em conta em baixa situa-se, contudo, nos $39.00 – suporte anterior e 50% da subida entre $26.00 e $51.60. Uma eventual quebra deste nível comprometeria a tendência de alta que o crude vem desenvolvendo desde fevereiro.

OURO cai para mínimos de cinco meses

O ouro sofreu uma queda nos últimos dias, até mínimos desde junho. Esta deveu-se à combinação entre um dólar forte, a perspetiva de taxas de juro mais altas nos EUA, e o sentimento global de menor aversão ao risco nos mercados financeiros.

No cenário técnico houve também desenvolvimentos relevantes, desde logo com o ouro a falhar claramente a quebra da zona de resistência dos $1300/10. Seguiu-se uma reação em baixa, com o suporte dos $1250 a ficar para trás, antecipando-se agora uma aproximação aos $1200. No curto prazo a toada volta a ser de baixa, sendo apenas neutralizada acima de $1310. Em termos de médio prazo, uma eventual quebra dos $1200 confere também ao "metal precioso" um viés de baixa.


As análises técnicas aqui publicadas não pretendem, em caso algum, constituir aconselhamento ou uma recomendação de compra e venda de instrumentos financeiros, pelo que os analistas e o Jornal de Negócios não podem ser responsáveis por eventuais perdas ou danos que possam resultar do uso dessas informações. Caso pretenda ver esclarecida alguma dúvida acerca da Análise Técnica, por favor contactar a IMF ou o Jornal de Negócios.





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