Bolsa Imprevisibilidade de Trump vai causar instabilidade nos mercados no curto prazo

Imprevisibilidade de Trump vai causar instabilidade nos mercados no curto prazo

Os especialistas que participaram na conferência do Jogo da Bolsa esperam instabilidade a curto prazo, mas afastam quedas abruptas tal como aconteceram no pós-Brexit.
Imprevisibilidade de Trump vai causar instabilidade nos mercados no curto prazo
Reuters
Patrícia Abreu 09 de Novembro de 2016 às 15:16

A eleição de Donald Trump surpreendeu os investidores e acelerou uma correcção das acções mundiais. E a expectativa  é que a imprevisibilidade de Trump crie volatilidade nos mercados no curto prazo, mas acabem por normalizar, antecipam os especialistas.


"Vai haver algum nervosismo no curto prazo, mas a poeira vai assentar rapidamente", antecipa Rui Cartaxo, na conferência do Jogo da Bolsa, organizada pelo Negócios e pela GoBulling, que decorreu esta manhã em Lisboa, sob o tema "Mercados financeiros e estratégias de investimento". O consultor do Banco de Portugal admite que o resultado desta madrugada nos EUA não foi o que esperava mas também não o surpreendeu.


Ao contrário de grandes bancos de investimento mundiais Cartaxo não espera uma correcção expressiva das bolsas mundiais, como aconteceu no Brexit. Luís Amado tem uma opinião semelhante. O também consultor e antigo ministro espera que os mercados "abanem", mas tendam a ajustar-se para um ponto de equilíbrio. Para o especialista, os investidores têm que preparar-se para "fenómenos disruptivos", os quais "são perfeitamente expectáveis" na conjuntura actual.


"Os agentes económicos têm que estar preparados para viver momentos de instabilidade", referiu Luís Amado, acrescentando que é necessária ter a "noção da extrema complexidade que estamos a viver" e vamos viver nas próximas duas décadas "cenários de grande incerteza".


Incerteza é mesmo a palavra transversal ao discurso dos especialistas. Filipe Garcia, economista da IMF, refere porém que ao contrário do Brexit, em Junho, agora "os mercados estavam muito mais preparados" e a reacção não foi tão negativa.


Já João Pereira Leite, director de investimentos do Banco Carregosa, destaca o factor de imprevisibilidade que Donald Trump traz. "No Brexit sabíamos mais ou menos o que vai acontecer. Com o Trump ninguém sabe o que vai acontecer", explica. A evolução futura dos mercados irá, contudo, na opinião dos analistas depender do que o novo presidente dos EUA vai dizer.


Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado adjunto do Tesouro e das Finanças, alerta para os tempos de incerteza em que vivemos. Na sessão de encerramento da conferência do Jogo da Bolsa, o político alertou que mais uma vez o populismo tomou conta das eleições e a Europa deve estar atenta a estes fenómenos.


"O populismo é uma das ameaças à confiança e ao investimento", apontou Mourinho Félix, adiantando ainda que é "essencial pensar primeiro nos cidadãos".




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