Câmbios Investigação no cambial faz primeira vítima

Investigação no cambial faz primeira vítima

Após quatro semanas de julgamento, Mark Johnson, foi considerado culpado num caso de fraude no mercado cambial no valor de 3,5 mil milhões de dólares. Pode enfrentar pena de prisão até 20 anos.
Investigação  no cambial faz primeira vítima
Raquel Godinho 24 de outubro de 2017 às 19:50

Mark Johnson olhava para o chão quando o júri anunciou que o considerava culpado no caso de fraude no mercado cambial no valor de 3,5 mil milhões de dólares (2,98 mil milhões de euros), conta o Financial Times. O antigo responsável pela negociação cambial a nível global do HSBC foi, assim, o primeiro condenado individual num caso onde foram desenvolvidas investigações a nível mundial. A sentença ainda não foi conhecida, mas poderá enfrentar pena de prisão até 20 anos.

Após quase quatro semanas de julgamento, Johnson, de 51 anos, foi considerado culpado de ter defraudado um cliente num negócio cambial. As autoridades norte-americanas consideram que o responsável explorou informação confidencial da empresa britânica do sector de "oil &  gas" Cairn Energy, que contratou o HSBC para converter de dólares em libras o encaixe realizado com a venda de um activo. Terá obtido um lucro ilícito de mais de sete milhões de dólares.

De acordo com a investigação, Johnson terá montado um esquema para negociar pelo HSBC antes de negociar em nome do cliente. Utilizava frases de código com os colegas como "o meu relógio está desligado". Nas gravações a que o júri de um tribunal de Nova Iorque teve acesso, Johnson comentava a possibilidade de a libra valorizar e reagia à notícia de que o negócio seria concretizado apesar dos custos mais altos. A defesa terá dito que o antigo responsável do HSBC utilizou uma prática de "pré-hedging", isto é a compra ou venda de divisas na antecipação das transacções dos clientes, que era comum no sector cambial, revela o Financial Times.

Ainda no âmbito deste caso, as autoridades norte-americanas aguardam a decisão em relação à extradição de Stuart Scott, também ele britânico e responsável pela negociação cambial do HSBC em Londres. A decisão dos magistrados britânicos será conhecida esta semana. Terá havido ainda mais nove "traders" envolvidos na transacção.

Este caso insere-se na extensa investigação de manipulação cambial desenvolvida pelas autoridades norte-americanas e britânicas. Esta foi a primeira vez que os promotores americanos responsabilizaram um suspeito individual. Desde que o caso foi conhecido, os bancos envolvidos já terão pago coimas de cerca de dez mil milhões de dólares. E, de acordo com os especialistas ouvidos pela Bloomberg, esta decisão aumentará a pressão sobre os "traders" do mercado cambial para que evitem condutas que penalizem os clientes. 




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