Mercados IOSCO: Cinco casos de cibercrime nos mercados

IOSCO: Cinco casos de cibercrime nos mercados

O cibercrime é uma das ameaças à estabilidade dos mercados financeiros. E já foram registados vários casos nas bolsas nos últimos anos. A IOSCO aponta alguns dos mais mediáticos. Conheça-os.
IOSCO: Cinco casos de cibercrime nos mercados
Paulo Moutinho 03 de Março de 2016 às 11:16

Desde o acesso a e-mails das administrações, a informações confidenciais sobre operações de fusões e aquisições, até ao roubo de licenças de emissões de gases poluentes para a atmosfera, têm sido vários os casos de ataques de "hackers" nos mercados. A International Organization of Securities Commission (IOSCO), o regulador dos reguladores dos mercados, elenca alguns dos mais marcantes dos últimos anos. Conheça cinco.


"Hackers" atrás das fusões e aquisições


A FireEye, uma empresa de cibersegurança, revelou em Novembro de 2014 que um conjunto de cibercriminosos foi descoberto a espiarem mais de 100 empresas, bancos de investimento e escritórios de advogados. O objectivo era o de descobrirem potenciais operações de fusões e aquisições que estivessem a ser preparadas, procurando tirar, depois, partido dessa informação através do investimento no mercado de capitais.


De acordo com a notícia publicada à data no Financial Times, estes "hackers" enviavam e-mails com "software" malicioso para obterem palavras-passe de membros das administrações, especialmente nos Estados Unidos, tentando obter depois as informações confidenciais. Os principais alvos destes cibercriminosos foram empresas da indústria farmacêutica.


O ataque à Casa Branca que só aconteceu no Twitter


Foi um falso "tweet", mas gerou o pânico. A Associated Press (AP) partilhou, em Abril de 2013, um "tweet" em que anunciava um ataque à Casa Branca. Na realidade, esse ataque nunca aconteceu. Não foi uma falha da agência noticiosa, mas antes um ataque de "hackers" que tomaram de assalto a conta da AP partilhando uma informação errada que teve impacto nos mercados.


O Dow Jones, um dos índices norte-americanos, perdeu 143 pontos nesse dia, perante a informação falsa que foi veiculada dando conta de que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tinha ficado ferido no ataque. O mercado acabou por corrigir das perdas com a rápida correcção da AP. Mas ficou demonstrado o poder que estas falsas informações podem ter nos mercados.


Roubo de palavras-passe na Chicago Mercantile Exchange


Foram mais de 7.000 as palavras-passe que ficaram comprometidas perante um ataque de "hackers" ao sistema da ClearPort, da Chicago Mercantile Exchange (CME). O ataque ocorreu em Julho de 2013, mostrando as fragilidades dos sistemas de segurança utilizados nesta e em outras plataformas de negociação.


À data, a CME disse não ter tido conhecimento que este ataque tivesse tido qualquer tipo de impacto na negociação no mercado, mas acabou por ter de alterar os acessos de todos os clientes para protecção destes. E arrancou depois uma investigação para encontrar os culpados.


Infiltrados obtêm documentos confidenciais do Nasdaq


Foi mais um caso de espionagem. Desta vez o alvo dos "hackers" foi o Nasdaq. Os cibercriminosos infiltraram-se no sistema da gestora da bolsa tecnológica norte-americana, instalando programas maliciosos para obterem informações confidenciais por parte dos utilizadores.


O caso só foi revelado em Outubro de 2011, mas o ataque dos "hackers" já tinha sido perpetrado um ano anos. Desde então e até à descoberta da existência deste "software", os "hackers" terão tido acesso a documentos confidenciais dos administradores de muitas das empresas cotadas no Nasdaq.


Um roubo de 30 milhões de euros de carbono


Os cibercriminosos tentam entrar de várias formas nos sistemas para obterem informações sensíveis, sendo que quando há falhas nesses mesmos sistemas o processo torna-se bem mais fácil. E foi isso que aconteceu em 2011 no mercado de carbono europeu.


Segundo a IOSCO, à data, falhas no sistema de negociação do mercado de carbono permitiram que "hackers" conseguissem roubar licenças de emissões de gases poluentes para a atmosfera no valor de 30 milhões de euros. A descoberta desse ataque levou à suspensão da negociação deste mercado durante uma semana.




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