Trading Islândia quer ser "visitante regular" dos leilões de dívida

Islândia quer ser "visitante regular" dos leilões de dívida

Depois de ter sido devastado pela crise financeira, o país regressou com sucesso aos mercados.
Islândia quer ser "visitante regular" dos leilões de dívida
Mariana Adam 18 de dezembro de 2017 às 13:15

A Islândia prepara-se para ser um "visitante regular" dos mercados nos próximos anos, depois do sucesso do regresso aos leilões de dívida. A elevada procura e a taxa de juro mais baixa da história daquele país revelam que os investidores estão confiantes na recuperação da Islândia, que foi duramente atingida pela crise financeira mundial em 2008, quando os seus três maiores bancos entraram em colapso.

O leilão de dívida ficou marcado pelo custo de financiamento mais baixo de sempre da história daquela ilha, com uma "yield" de 0,6%. Aquele país conseguiu colocar 500 milhões de dólares, a cinco anos, e a procura ascendeu a 4 mil milhões de euros. Este resultado releva o crescente apetite dos investidores pela dívida da Islândia e o Governo espera que represente um marco para aquele país que passou a última década a recuperar da crise financeira e que apenas este ano levantou as regras de controlo de capital que estavam em vigor desde 2008.

 

"Acreditamos que este leilão marca um retorno muito bem-sucedido aos mercados de capitais após três anos de ausência", disse Bjarni Benediktsson, ministro das Finanças, ao Financial Times. "Historicamente, nunca emitimos em níveis tão baixos". A questão deveria "abrir caminho para melhores taxas para as grandes empresas nacionais, públicas e privadas", afirmou.

 

A Islândia não ia aos mercados desde 2014, altura em que colocou 750 milhões de euros, a seis anos, com uma taxa de 2,6%. Em 2011, tomou emprestado em dólares norte-americanos com um rendimento de 5%.

 

Aquela ilha, com apenas 340 mil pessoas, esteve nas bocas do mundo em 2008 com a crise que resultou da falência dos três maiores bancos islandeses (Glitnir, Landsbanki e Kaupthing), que tinham activos 10 vezes superiores à economia do país.

 

Entretanto, o sector financeiro foi nos últimos anos reestruturado, muitos antigos banqueiros foram processados e a economia cresceu, essencialmente, devido a um aumento no turismo, com o número de visitantes quintuplicando esta década.

 

No ano passado a economia cresceu 7,2% (no último trimestre a progressão foi de 11,3%) e o desemprego desceu para cerca de 3%. O Financial Times escreve que a economia da ilha desacelerou nos últimos meses, porque a valorização do moeda (coroa) atingiu as exportações, mas o ministro congratula-se com esse arrefecimento, que fez com que o crescimento do terceiro trimestre tenha sido de 3,1% em relação ao ano anterior.




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