Bolsa Itália, o próximo elefante na sala dos investidores

Itália, o próximo elefante na sala dos investidores

Desfeitas as dúvidas em relação à próxima governação francesa, os investidores mudam o foco das atenções para outros eventos eleitorais na Europa. As eleições na Alemanha e em Itália, o Brexit e a política monetária são os temas em foco.
Itália, o próximo elefante na sala dos investidores
Patrícia Abreu 09 de maio de 2017 às 07:00

Após meses de especulação, a vitória clara de Emmanuel Macron nas presidenciais francesas este domingo tranquilizou os investidores, confirmando o optimismo para as acções do Velho Continente. Mas,  apesar da menor dose de incerteza na esfera política europeia, ainda há factores de risco na região. Num ano polvilhado de eventos eleitorais na Europa, Itália poderá ser o próximo elefante na sala.

As bolsas europeias reagiram sem grande entusiasmo aos resultados finais das eleições em França, com a vitória de Macron na corrida ao Eliseu já descontada nas cotações, após a escalada registada pelas acções europeias após a primeira volta das presidenciais. O índice europeu Stoxx 600 encerrou a deslizar 0,15%, mantendo-se em máximos do Verão de 2015, enquanto o PSI-20 permanece no valor mais elevado de Dezembro de 2015. E a perspectiva é que  as bolsas do Velho Continente mantenham os ganhos. Um optimismo que será, contudo, confrontado com focos de incerteza adicionais.


"Agora esperamos que os mercados voltem algum do seu foco para Itália, o elefante na sala", prevê a Allianz GI. "Tem uma economia com fracas taxas de crescimento, um sector bancário fraco e um partido do governo em risco de se separar", explica a gestora alemã, reforçando que o risco de forças anti-europeias subirem ao poder é "razoavelmente elevada". Também a BlackRock destaca que "o risco político em Itália e o sistema bancário frágil do país podem voltar a centrar atenções em breve", particularmente se foram confirmadas eleições antecipadas este ano.

O resultado do referendo para alterar a constituição em Itália ditou o pedido de demissão do então primeiro-ministro transalpino Matteo Renzi, no final do ano passado. Ainda sem data marcada, as próximas eleições serão mais um teste à integração europeia, na medida em que O Movimento Cinco Estrelas, força populista que quer realizar um referendo para tratar da adesão da Itália ao sistema europeu, tem vindo a subir nas intenções de voto. A par da indefinição política, o país continua a braços com problemas por resolver no sector financeiro.

"Apesar da próxima grande eleição na Europa ser em Setembro com as eleições para o parlamento na Alemanha, há pouca controvérsia esperada quanto ao resultado na medida em que os actuais grandes partidos de coligação da CDU, de Merkel, e do SPD, de Schultz, estarem claramente a liderar", acrescenta a BMO. O debate em torno da retirada de estímulos na Zona Euro é outro dos temas destacados pelos especialistas.

Apesar destes riscos, os especialistas partilham uma visão positiva para as acções. Para a Schroders, o resultado das presidenciais francesas "deverá permitir que a actual escalada nas bolsas europeias se mantenha".

tome nota

Os três temas que podem abalar as bolsas

Eleições na Alemanha, Itália e a política monetária na Zona Euro e nos EUA. São alguns dos temas que podem agitar os mercados.

Alemães vão às urnas em Setembro
Ainda que não com o mesmo grau de risco, as eleições alemãs de Setembro também serão seguidas com expectativa. A chanceler Angela enfrentará Martin Schulz, o novo presidente do SPD, o que poderá determinar uma mudança no poder na Alemanha.

Instabilidade política em Itália
Matteo Renzi, ex-primeiro-ministro italiano, demitiu-se após perder o referendo para alterar a constituição, em Dezembro. Com O Movimento Cinco Estrelas a subir nas sondagens, as próximas eleições em Itália poderão ser um problema para a Europa.

Debate sobre estímulos na Europa
A política de estímulos do Banco Central Europeu será outro dos temas em destaque nos próximos meses. Bancos como o UBS prevêem que a instituição liderada por Mario Draghi dê em Setembro a indicação que vai começar a retirar estímulos em 2018.





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comentários mais recentes
Anónimo 09.05.2017

Caro EUR, em poucas palavras disseste tudo. Só um cego ou alguem que se recusa a aceitar a realidade é que acha que Portugal "orgulhosamente só", estará numa situação melhor no futuro, do que integrado numa economia muito desenvolvida de aproximadamente 500 milhões de consumidores.

Historia 09.05.2017

A memória é curta e o povo não tem perspectiva histórica !

Bastava pensar como nos encaminhámos para a 1ª e 2ª GGM e ver que certos "lideres" politicos parecem querer repetir os mesmos erros que nos levaram a tanta miséria e destruição...

Aulas de história, precisam-se !

EUR 09.05.2017

A jovem União da Europa poderá vir a ter alguns sobressaltos, mas é uma inevitabilidade !

Com colossos como a China, Russia ou EUA, só numa União Europeia forte, poderemos melhorar o nivel de vida global.

... Russia e Trumplandia bem vão tentar impedir que isso aconteça !

Anónimo 09.05.2017

Volta para a escola Anónimo, a CEE já acabou há muito tempo, o cheiro nesse caso já devia ser podre! Depois disso foi criada a C.E. e ainda criada a Euro Area. Muito progresso já foi feito depois de acabar a CEE, e muito progresso vai continuar a ser feito, até vivermos nos Estados Unidos da Europa

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