Fundos de investimento Janus Henderson, o primeiro par num sector à procura de pretendentes

Janus Henderson, o primeiro par num sector à procura de pretendentes

Os especialistas acreditam que a fusão da Janus com a Henderson pode ser o primeiro de muitos casamentos no sector da gestão de activos, num momento em que a indústria enfrenta resgates e a concorrência dos fundos de gestão passiva.
Janus Henderson, o primeiro par num sector à procura de pretendentes
Reuters
Patrícia Abreu 05 de Outubro de 2016 às 20:06
A Henderson Global Investors e a Janus Capital anunciaram, esta semana, que vão fundir-se, num negócio que irá criar um gigante com 284,5 mil milhões de euros sob gestão. Uma operação que visa dar maior dimensão à nova gestora, num ambiente desafiante para o sector. Para os especialistas este poderá ser o primeiro de muitos "casamentos" na indústria de gestão de activos.

Janus Henderson Global Investors. Será este o nome da nova entidade que vai resultar da fusão entre a Janus e a Henderson. O negócio levantou uma discussão em torno dos problemas que as gestoras enfrentam. E os especialistas são unânimes: as instituições da indústria precisam contrariar o ambiente de resgates e a forte concorrência dos fundos de gestão passiva. A união com outras entidades do sector é uma das soluções.

"À medida que mais dinheiro sai para os fundos passivos, apenas os melhores podem sobreviver e a concorrência entre os gestores de activos para obter melhores desempenhos vai intensificar-se", explicou Haley Tam, um analista citado pelo Financial Times.  Andrew Formica, presidente da Henderson, garantiu que o racional da fusão não é a sinergia de custos – que ascenderá a 110 milhões de dólares anuais – , mas sim crescer mais depressa.

cotacao O racional [da fusão entre as duas gestoras] não é sobre sinergias de custos. Juntas podemos crescer mais depressa do que sozinhas. Andrew Formica Presidente da Henderson Global Investors
Contudo, o negócio das gestoras tem vindo a ser penalizado pelo ambiente de juros negativos e pela fuga para ETF. A crescente popularidade destes fundos de gestão passiva tem obrigado as gestoras a esmagar as suas comissões, numa tentativa de se tornarem mais atractivos aos olhos dos investidores. Mas, a tarefa não tem sido fácil. Segundo dados da Morningstar, os activos sob gestão nas mãos dos fundos passivos cresceu quatro vezes mais que a aposta em produtos de gestão activa desde 2007.

Sem grande perspectiva de mudanças, resta às gestoras procurar outras alternativas para driblar a perda de clientes e o ambiente de taxas de juro historicamente baixas. Para a Jefferies, os movimentos de concentração no sector, sobretudo entre gestoras de menor dimensão, irão revelar-se uma realidade.

E os investidores parecem estar já a antecipar estas operações. No dia em que foi comunicado acordo entre a Henderson e a Janus, as acções de gestoras como a Jupiter e a Aberdeen reagiram em alta a esta operação.

Na Europa, ainda que este seja o primeiro negócio, há já entidades que manifestaram a vontade de avançar com uma solução semelhante. É o caso da Pioneer. Depois de ter falhado a fusão com a Santander Asset Management, a gestora procura agora outro par.



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