Obrigações Juros a 10 anos abaixo de 1,8% pela primeira vez desde 2015

Juros a 10 anos abaixo de 1,8% pela primeira vez desde 2015

As taxas de juro de Portugal continuam a cair, com a "yield" a cinco anos em mínimos históricos e a taxa a 10 anos a tocar em mínimos de Abril de 2015.
Juros a 10 anos abaixo de 1,8% pela primeira vez desde 2015
Bloomberg
Sara Antunes 08 de dezembro de 2017 às 15:34

As taxas de juro implícitas na dívida portuguesa, negociadas no mercado internacional, estão a descer na generalidade dos prazos. A taxa a 10 anos quebrou uma nova barreira.

 

A taxa associada à dívida a 10 anos, que é a referência, tocou esta sexta-feira nos 1,786%, quebrando assim a barreira dos 1,8% pela primeira vez desde Abril de 2015. Já a taxa a cinco anos desce 2,6 pontos base para 0,428%, o que representa o valor mais baixo de sempre.

 

As taxas de juro de Portugal continuam assim em queda, numa altura em que se prevê que a Fitch retire o "rating" do país de "lixo". Esta decisão será conhecida na próxima sexta-feira, 15 de Dezembro, com os analistas a apontarem para que se efective a saída do "rating" do país de um patamar considerado de investimento especulativo.

 

A confirmar-se será a segunda agência de notação financeira a fazê-lo, já que a S&P surpreendeu o mercado e já elevou o "rating" de Portugal para um nível de investimento. Com duas agências a elevarem a notação do país, Lisboa volta a estar no radar de investimento de alguns índices.

 

Ainda esta quinta-feira, o Morgan Stanley emitiu uma nota de análise onde recomenda os investidores a aumentarem a exposição aos títulos de Portugal antes da decisão da Fitch. E esta análise não é exclusiva do Morgan Stanley.

 

Em Novembro, Richard Hodges, da Nomura, um dos maiores defensores no investimento de dívida nacional considerou que o momento das obrigações de Portugal chegou ao fim, com a perspectiva da saída do "lixo" do "rating" por parte da Fitch. Não porque antecipe nuvens negras no horizonte, mas porque o potencial retorno desses investimentos será marginal.

 

Apesar destas análises, há ainda quem esteja optimista em relação ao investimento em dívida nacional. Segundo um apanhado da Bloomberg, a percepção dos analistas é de que 2018 será um ano de riscos para as obrigações europeias. Mas há uma excepção: Portugal. 

Os bancos Rabobank, JPMorgan e Credit Agricole continuam optimistas em relação à dívida nacional, mesmo depois das obrigações terem subido pelo oitavo mês consecutivo, em Novembro, levando a taxa de juro para mínimos.

Há "uma aparente mudança de sentimento em Portugal – Portugal deverá finalmente recuperar o estatuto de periférico", já que deverá deixar para trás a era da crise financeira, explica o estratega Richard McGuire, do Rabobank. Este responsável prevê mesmo que o prémio de risco da dívida portuguesa face à alemã desça para cerca de 40 pontos base. Actualmente está nos 155 pontos. "As obrigações portuguesas devem ter um desempenho melhor do que os pares italiano e espanhol", acrescenta o mesmo estratega.




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comentários mais recentes
Anónimo 08.12.2017

CARREGA PASSOS...!!!

Anónimo 08.12.2017

Em 2015 a inflação estava a 0,5%. Este ano está ~1,4%. Em termos reais, a taxa de juro nunca esteve tão baixa.

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