Obrigações Juros a dez anos regressam a mínimos de mais de dois anos apesar de impasse na Alemanha

Juros a dez anos regressam a mínimos de mais de dois anos apesar de impasse na Alemanha

Os juros da dívida pública portuguesa a dez anos estão novamente a negociar em mínimos de mais de dois anos, apesar do impasse político que se vive na Alemanha, a maior economia do euro. Expectativas em torno do “rating” podem estar a beneficiar juros nacionais.
Juros a dez anos regressam a mínimos de mais de dois anos apesar de impasse na Alemanha
Miguel Baltazar/Negócios
Ana Laranjeiro 21 de novembro de 2017 às 11:11

A 15 de Setembro, a agência de notação financeira Standard & Poor’s surpreendeu o mercado e subiu o "rating" de Portugal de BB+ para BBB-, retirando a nota do país de "lixo". E o ano pode terminar com outra novidade deste género. O mercado espera que a Fitch, que se deverá pronunciar sobre a dívida nacional no próximo mês, tome uma decisão idêntica à da homóloga e coloque a classificação de Portugal no nível de investimento. E esta expectativa pode estar a levar à queda dos juros da dívida pública portuguesa no mercado secundário.

A dez anos, os juros exigidos pelos investidores para trocarem dívida nacional entre si no mercado secundário descem 3,9 pontos base para 1,911%, tendo já tocado nos 1,904%, o que representa o valor mais baixo desde 28 de Abril de 2015 (quando tocou nos 1,839%).

Este comportamento da dívida nacional ocorre numa altura em que se vive um impasse político na Alemanha, a maior economia da área da moeda única. As negociações entre a CDU de Merkel e os liberais do FDP e os Verdes falharam no último domingo e ainda não é claro se vão ser convocadas novas eleições ou se o presidente da Alemanha vai convidar Angela Merkel a formar um governo minoritário.

Frank-Walter Steinmeier, presidente da Alemanha, vai continuar esta terça-feira a reunir-se com os partidos políticos para perceber se consegue convencê-los a formarem uma aliança com Merkel.

Mas Angela Merkel já deixou claro que não pretende formar um governo minoritário e está disponível para se sujeitar novamente ao voto popular. "Um governo minoritário não faz parte dos meus planos", disse a chanceler alemã numa entrevista à ARD, citada pela Bloomberg. "Estou segura que novas eleições é o melhor caminho", acrescentou.

Apesar desta instabilidade, os juros da Alemanha estão também em queda no mercado secundário, recuando a dez anos 2,4 pontos base para 0,339%.

O prémio de risco da dívida nacional, medido pelo diferencial entre a dívida nacional e a germânica, está nos 157,1 pontos, o valor mais baixo desde Abril de 2015.




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comentários mais recentes
estouapau Há 3 semanas

ISTO É TUDO "TRABALHINHO" DO PASSOS COELHO/CRISTAS!
ESTÃO A RIR-SE?
EU TAMBÉM!

1904 Há 3 semanas

As taxas portuguesas a 6 meses, a 1 ano, a 2 anos e a 3 anos estão todas NEGATIVAS!!!!!! A 4 anos já está a 0,1%!!!

Nunca isto aconteceu na história da economia Portuguesa!!

Estou de facto surpreendido com estes últimos dois anos.

Anónimo Há 3 semanas

O Anónimo dos excedentários dizia em 2016 que este Governo nunca ia conseguir baixar as taxas de juro a 10 anos abaixo de 3%, porque este Governo tava a estragar tudo o que de bem tinha sido feito pelo governo anterior.

A taxa a 10 anos está em 1.899%.

Afinal havia alternativa

Anónimo Há 3 semanas

Vamos ouvir excelentes elogios ao governo e à dívida portuguesa por parte de todas aquelas instituições que já aplicaram o dinheiro na dívida que Portugal emite. De outras instituições, que não estão a especular com a nossa dívida, os avisos e recomendações continuam enquanto se justificar. Os que já investiram têm meios ao seu dispor para especular propagandeando, tendo também muito a ganhar com o número de prestidigitação do governo das esquerdas, e agora só vão emitir comunicados favoráveis a dizer maravilhas da dívida portuguesa emitida pelas autoridades e até da genialidade do governo em funções enquanto não venderem com mais valias. Querem espalhar confiança nas políticas que nós sabemos serem erradas do governo socialista e pressionar os juros para baixo, ou seja, querem o valor dos títulos a ir para cima para venderem antes de se começar a falar novamente no novo resgate à República Portuguesa. Há muito dinheiro a ganhar com o hipotecar do futuro dos portugueses. Siga a festa.

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