Obrigações Juros de Portugal afundam após novo máximo

Juros de Portugal afundam após novo máximo

A tendência dos juros da dívida pública portuguesa é distinta da verificada noutros mercados, com as "yields" estáveis em Itália e na Alemanha e a subirem em Espanha.
Juros de Portugal afundam após novo máximo
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro 21 de Novembro de 2016 às 15:31

Os juros da dívida pública de Portugal atingiram um novo recorde no arranque da sessão, fixando um novo máximo desde Fevereiro muito próximo dos 4%.

 

Contudo esta tendência foi de curta duração, com os juros a encetarem depois uma trajectória de queda, que se mantém nesta altura.

 

A "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos está nesta altura a ceder 13,4 pontos base para 3,718%, o que traduz um recuo de mais de 20 pontos base face ao máximo do dia (3,942%).

 

Este alívio surge depois de várias sessões de forte pressão nos juros da dívida pública portuguesa, originados pelas perspectivas dos investidores de que vitória de Donald Trump nos Estados Unidos vai trazer mais inflação e crescimento económico.

 

No espaço de um mês a "yield" da dívida a 10 anos disparou mais de 50 pontos base (a 21 de Outubro situava-se nos 3,19%), acompanhando a tendência de agravamento de juros que se verificou em vários títulos de dívida soberana, sobretudo na Europa.

 

A descida registada na sessão desta segunda-feira é a mais elevada desde 10 de Outubro (queda de 14 pontos base) e não segue a tendência verificada noutros países. Em Itália (onde em 4 de Dezembro vai decorrer um referendo que está a deixar os investidores nervosos) os juros dos títulos a 10 anos seguem estáveis nos 2,08% e em Espanha sobem 3 pontos base para 1,62%.

 

Na Alemanha a "yield" das bunds a 10 anos sobe 0,5 pontos base para 0,278%, pelo que o risco da dívida portuguesa (medido pelo spread face aos títulos da Alemanha) está a recuar para níveis abaixo de 350 pontos base.

 

A dívida portuguesa pode também estar a beneficiar com a expectativa de que o presidente do Banco Central Europeu, mantenha o discurso de que a política de estímulos é para continuar. Mario Draghi discursa esta segunda-feira no Parlamento Europeu.

 

O IGCP vai avançar na quarta-feira com o último leilão do ano de obrigações de longo prazo, uma emissão que também tem contribuído para pressionar os títulos de Portugal. Habitualmente, antes de um leilão (no mercado primário) os investidores que pretendem participar vendem os títulos no mercado secundário.

O IGCP quer colocar entre 500 e 750 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidade em 15 de Abril de 2021.


Depois de dois dias de agravamento, os juros da dívida portuguesa desceram mais de 20 pontos base em poucas horas:




A sua opinião25
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Rui Nunes Há 1 semana

As recentes flutuações das taxas de juro da Dívida Soberana portuguesa não refletem a situação real da Economia, apenas a incerteza e a insegurança subsequentes às eleições presidenciais americanas, o que retira qualquer sentido às 'opiniões' dos apressados em prognosticar um futuro apocalíptico para o País. Como se tem confirmado, a Economia portuguesa, não estando bem (nem poderia estar, independentemente de qual fosse a cor do Governo), está melhor do que há um ano, designadamente no que concerne ao défice orçamental público e ao crescimento económico. E mesmo no que toca à Dívida Pública, o País está melhorando, ainda que ligeiramente, uma vez que a Dívida Líquida, a que reflete fielmente a dependência financeira do Estado, recuou: representa agora 121,5% do PIB, contra 121,8% no final do II trimestre de 2016. Factos, não são contestáveis. O que é contestável, e ainda bem, é a interpretação dos mesmos.

comentários mais recentes
eduardo.santos Há 1 semana

Empréstimo do FMI

O governo já tinha dito que não iria pagar----cá pra mim pagou estes 2biliões para ver se a taxa não subia mais, mas so acredito depois de ver--O que vejo é que ninguém acredita no PS a não ser os ceguinhos

edmundo Há 1 semana

O pior é a taxa a 50 anos. Se a teoria sísmica está correta, os juros vão ser incomportáveis. O Passos já disse que em 2066, vai levar o PSD à maioria absoluta.

Excelente Há 1 semana

Super Costa, os cães que ladrem.

Resposta de pertinaz a Excelente Há 1 semana

GRANDE DOIDÃO

nb Há 1 semana

Foguetes para o ar? Para quê? Para agradar a malta? A malta fica contente, mesmo sem isso! Daqui a dias estão novamente a subir e passar dos 4% é o mais fácil.

ver mais comentários
pub