Obrigações Juros de Portugal em forte queda pelo segundo dia

Juros de Portugal em forte queda pelo segundo dia

A "yield" das obrigações portuguesas segue a trajectória das congéneres europeias, com os investidores a reforçarem as expectativas de que o BCE vai prolongar o programa de estímulos à economia.
Juros de Portugal em forte queda pelo segundo dia
REUTERS
Nuno Carregueiro 22 de Novembro de 2016 às 11:31

Depois da forte correcção registada na segunda-feira, os juros da dívida pública portuguesa estão hoje de novo em queda acentuada. Mas agora em linha com o comportamento da generalidade das obrigações europeias.


A "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos cede 7 pontos base para 3,64%. Ontem, depois de ter fixado um máximo de Fevereiro próximo dos 4%, a taxa desceu 14 pontos base.


Se na segunda-feira o alívio nos juros da dívida portuguesa foi caso isolado, hoje a correcção das "yields" está a ser quase generalizada na Europa, com os investidores a reforçarem a expectativa que o Banco Central Europeu (BCE) vai prolongar o programa de compra de activos, para estimular a inflação da Zona Euro.


A "yield" das obrigações italianas a 10 anos desce 7 pontos base, regressando a valores abaixo dos 2%. Em Espanha a taxa dos títulos com a mesma maturidade cai 5 pontos base para 1,56%. Na dívida alemã a tendência é também de queda, com a taxa a 10 anos a descer 3 pontos base para 0,24%.


A Bloomberg assinala que a correcção das taxas das obrigações soberanas europeias acontece depois do "stress" causado pela vitória de Donald Trump nas eleições nos Estados Unidos, que reforçou a expectativa de aumento da inflação e crescimento da economia.


Esta expectativa levou os investidores a fugirem do mercado obrigacionista, especulando-se que o "bull market" nestes activos estaria perto de chegar ao fim. Contudo, os investidores estão agora a dar mais preponderância à política monetária do BCE, estimando que a autoridade monetária vai prolongar o programa de compra de activos além de Março de 2017.

Uma maior clareza sobre a actuação do BCE deverá surgir na reunião da autoridade monetária agendada para Dezembro, sendo que até lá os investidores estão atentos às declarações dos responsáveis do banco central.


Os membros do comité de governadores do BCE têm sinalizado "que não têm a intenção de reduzir em breve o programa de estímulos monetários", afirmou à Bloomberg Marius Daheim, da SEB AG.


O presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou segunda-feira que o banco central "está comprometido em preservar o nível muito substancial da política monetária acomodatícia, que é necessária para assegurar uma convergência da inflação" para valores próximos dos 2%.


Enquanto a política de estímulos no BCE é para continuar, nos Estados Unidos a Fed prepara-se para subir os juros já em Dezembro. Uma divergência que vem acentuar o comportamento distinto nas obrigações nos dois lados do Atlântico.


A vitória de Trump veio reforçar a expectativa de subida de juros por parte da Fed, o que tem impulsionado os juros dos títulos de dívida dos Estados Unidos. A "yield" das Treasuries a 10 anos supera os 2,3%, enquanto nos títulos de referência na Europa a taxa é inferior a 0,3%.

O diferencial entre os juros da dívida norte-americana e as bunds supera já os 200 pontos base, o que de acordo com a Reuters representa um máximo desde pelo menos 1990.

"Há uma divergência na política monetária entre a Europa e os EUA, onde esperamos uma subida dos juros em Dezembro por parte da Fed, e o BCE a manter a sua posição de política monetária fortemente acomodatícia. É isso que está a criar esta divergência" nas taxas de juro das obrigações nos dois lados do Atlântico, refere Marius Daheim.




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mais votado Elementar Há 1 semana

Altos e Baixos... É assim que funcionam estes mercados "eficientes" e "muito racionais", onde as expectativas vão desde a "desgraça" à "exuberância" em menos de um "fósforo"... cujas razões explicativas só os "Deuses" deste Universo "livre" sabem e conhecem...?
Como foi possível ter-se deixado criar estas arquitecturas financeiras e os Estados serem os primeiros a aderir a elas, saindo prejudicados os comuns cidadãos que em situação de crises, provocadas por este escol financeiro, são os primeiros a ser chamados ao "Sacrifício Celeste"?

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Passado o efeito BCE eis o regresso ao normal. 4,5% ali perto

5640533 Há 1 semana

Estes juros falam muito alto para quem queira ouvir.

Pedro Lima Há 1 semana

Os juros da nossa dívida a 10 anos estão nos 3.6%. Pelo que não estam em franca descida nem coisa que se pareça. Registou-se sim uma descida ligeira após terem escalado substancialmente nos dias precedentes. E ninguém garante que não subam outra vez muito proximamente.

surpreso Há 1 semana

Um jornal "xuxa" sem vergonha.Ontem "afundavam" para 3,72.Hoje têm "forte queda"para 3,64 !!!

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