Juros da dívida portuguesa afundam em força
27 Abril 2012, 14:48 por Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt
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As rendibilidades pedidas pelos investidores estão a deslizar mais de 30 pontos base na generalidade dos prazos da dívida portuguesa. Taxa de juro implícita das obrigações a dez anos acumula uma queda de 200 pontos em nove sessões. Taxa a três anos cai mais de 100 pontos base.
As taxas de juro implícitas da dívida portuguesa estão a intensificar os deslizes e a renovar mínimos de 2011.

As rendibilidades exigidas nas trocas de obrigações portuguesas seguem a recuar mais de 100 pontos base no prazo a três anos.

A taxa de juro implícita à dívida portuguesa a dez anos está a cair 41 pontos base e está agora em 10,5%. A taxa segue na nona sessão consecutiva de perdas. Antes de começar a cair, esta “yield” seguia nos 12,5%.

Esta taxa serve de amostra para as várias quedas consecutivas que se têm verificado nas “yields” pedidas sobre a dívida lusa no mercado secundário.

Isto num momento em que se acredita que Portugal terá o apoio necessário dos parceiros europeus, caso não consiga regressar aos mercados financeiros de longo prazo em Setembro de 2013, como previsto.

Essa garantia foi dada já por altos responsáveis europeus e do Fundo Monetário Internacional, como contrapartida do cumprimento das metas do programa. Vítor Gaspar disse hoje, em Lisboa, que Portugal está a superar os objectivos do programa acordado, superando até as expectativas iniciais em algumas áreas.

O Deutsche Bank, como afirmou hoje o analista Mohit Kumar, acredita que Portugal não irá conseguir regressar aos mercados no prazo predefinido. Contudo, salienta que “não é um candidato à reestruturação da dívida pública”.

Ontem, as taxas de juro implícitas à dívida a três, quatro, cinco e seis anos fecharam todas acima de 12,4%. Hoje, nenhuma destas taxas segue acima dos 12%. A cinco anos, por exemplo, a “yield” afunda 82 pontos base para negociar nos 11,75%, o mínimo desde Setembro de 2011.

A dois anos, a queda das rendibilidades é de 22 pontos base para 8,7%, contando com oito quedas em dez sessões.

Apesar das descidas das rendibilidades pedidas sobre a dívida nacional, o custo dos “credit-default swaps”, que servem de seguro contra o incumprimento da dívida nacional, seguem a ganhar terreno, ainda abaixo dos 1.000 pontos, fasquia de onde caíram ontem, pela primeira vez desde Dezembro.

O comportamento de descidas das rendibilidades da dívida portuguesa acontece mesmo depois de o corte de “rating” a Espanha por parte da Standard & Poor’s. Espanha e Itália verificam um agravamento das taxas pedidas pelos investidores para negociarem os seus títulos de dívida.
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