Mercados Libor: A ascensão e queda do "número mais importante do mundo"

Libor: A ascensão e queda do "número mais importante do mundo"

Veja alguns dos momentos fundamentais na acidentada história da taxa de referência que vai ser eliminada em 2021.
Libor: A ascensão e queda do "número mais importante do mundo"
Reuters
Bloomberg 28 de julho de 2017 às 09:00

Há meio século, a taxa interbancária do mercado de Londres - mais conhecida como Libor - foi uma presença constante nos mercados financeiros. Após começar como uma taxa de juros simples para ser utilizada em empréstimos sindicados, a sua importância aumentou quando os bancos começaram a usá-la para determinar a parte variável dos contratos de derivados.

 

A taxa é baseada numa pesquisa e um escândalo explodiu no rescaldo da crise financeira quando se revelou que traders de todo o mundo tinham mentido sobre os custos do crédito na tentativa de ajustar a taxa às suas posições de trading. Ao mesmo tempo, gestores pediam aos funcionários que adequassem os preços nas apresentações dos seus bancos para dar a ideia que estavam mais saudáveis do que a realidade.

 

Quase uma década depois, autoridades do mundo inteiro ainda tentam separar os mercados da Libor e trocá-la por algo menos passível de ser manipulado. Andrew Bailey, o CEO da Financial Conduct Authority (FCA), diz que quer eliminar a Libor em 2021.

 

Estes são alguns dos momentos fundamentais na acidentada história da taxa de referência.

 

* 1969. O banqueiro grego Minos Zombanakis fechou um acordo inovador sob o qual um grupo de credores emprestaria 80 milhões de dólares ao xá do Irã com uma taxa de juro que seria recalculada por períodos de vários meses com base nos custos de financiamento do banco no momento. Foi um dos primeiros empréstimos sindicados e (provavelmente) o primeiro a cobrar uma taxa de juros variável determinada por uma pesquisa, lançando as bases para uma explosão de empréstimos a empresas.

 

* 1986. À medida que os empréstimos sindicados cresciam também aumentava a procura por uma taxa padrão, aceite universalmente, e em 1986 a Associação de Banqueiros Britânicos (BBA, na sigla em inglês) formulou a LIBOR. Todas as manhãs, a BBA perguntava a um painel formado pelos maiores bancos do mundo quanto custaria conceder empréstimos em diversas moedas para períodos que iam de "overnight" até um ano. Depois, a BBA calculava uma média para cada um dos prazos e publicava os números ao meio-dia. A BBA descreveria mais tarde a Libor como "o número mais importante do mundo".

 

* 2008. Os primeiros sinais públicos de problemas com a Libor chegaram no início da crise financeira, quando o Wall Street Journal publicou uma notícia que sugeria que os bancos estavam a baixar os seus números para evitar a percepção de que estavam a ter problemas para contrair empréstimos. A BBA negou o facto, mas os membros do sector sabiam que o mercado de crédito interbancário estava esgotado, o que significava que os bancos basicamente inventavam os números todas as manhãs.

 

* 2012. O Barclays foi o primeiro banco a fechar um acordo com as autoridades sobre as acusações de que havia manipulado a Libor. Os documentos do acordo deixavam claro que, além de reduzir os números, os traders tinham aumentado ou diminuído a taxa durante anos para aumentar os seus lucros. Isso provocou a indignação pública e a demissão do CEO do banco, Bob Diamond. Nos anos posteriores, vários banqueiros e corretores foram implicados no escândalo e pagaram 9 mil milhões de dólares em multas.

 

* 2017. Andrew Bailey, da FCA, anuncia o fim da Libor. O regulador diz que a era das estimativas de especialistas para taxas de referência chegou ao fim e que pretende implementar um novo sistema baseado em transacções reais até o fim de 2021.




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