Mercados Lira afunda mais de 11% e juros disparam. Analistas falam em “colapso” na Turquia

Lira afunda mais de 11% e juros disparam. Analistas falam em “colapso” na Turquia

O presidente Recep Tayyip Erdogan e o ministro das Finanças Berat Albayrak vão falar esta sexta-feira ao país.
Lira afunda mais de 11% e juros disparam. Analistas falam em “colapso” na Turquia
AFP
Rita Faria 10 de agosto de 2018 às 11:05

A crise na Turquia está a agudizar-se esta sexta-feira, 10 de Agosto, com a lira a afundar para um novo mínimo e os juros a dez anos a dispararem quase 100 pontos base para um novo recorde, antes de um muito aguardado discurso do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Depois de ter desvalorizado quase 5% na sessão de ontem, a lira já afundou 11,20% esta manhã para atingir um novo mínimo histórico face ao dólar, elevando para 40% a queda acumulada este ano. A moeda turca prepara-se para completar esta sexta-feira a sua pior semana desde 2001.

Ao mesmo tempo, os juros da dívida a dez anos estão a subir 93 pontos base para 20,67% - um valor nunca antes alcançado – devidos aos receios do mercado de que as autoridades do país não sejam capazes de controlar a situação económica e financeira do país.

Neste contexto de "colapso" nos mercados, como muitos analistas já o apelidam, Recep Tayyip Erdogan fará um discurso público esta sexta-feira. Os investidores vão acompanhar de perto as suas palavras para perceber se o presidente dá sinais de disponibilidade para aliviar as tensões com os Estados Unidos e para deixar de lado a sua aversão por juros mais altos, que muitos consideram estar a impedir uma acção mais incisiva por parte do banco central.

"Parece um colapso total, e por isso [as autoridades] precisam de agir", afirma Morten Lund, estratega do Nordea Bank, em Copenhaga, "A lira vai continuar a cair se não subirem os juros hoje".

No final do mês passado, o banco central da Turquia surpreendeu o mercado ao anunciar a manutenção dos juros em 17,75%, depois da subida de 125 pontos base fixada em Junho, para tentar travar o aumento dos preços e a queda da lira. As projecções apontavam, contudo, para uma nova subida na ordem dos 100-125 pontos depois de a inflação ter disparado em Junho para o nível mais alto dos últimos 14 anos.

 

O receio do mercado é que esta inércia do banco central se mantenha, e que esteja a ser provocada por intervenção do próprio presidente Recep Tayyip Erdogan, que não é favorável a juros mais elevados, e ganhou maior controlo sobre a condução da política monetária, após a vitória nas eleições de Junho.

 

Além do presidente, também o ministro das Finanças do país, Berat Albayrak, dará uma conferência de imprensa esta tarde. No entanto, os analistas alertam que as suas palavras poderão não ser suficientes para reverter a trajectória descente do mercado. "Se a moeda continuar nos níveis actuais, a inflação deverá aproximar-se dos 18% em Setembro.

Como resultado, os juros nos 17,75% não serão suficientes", afirma Erkin Isik, estratega na Turk Ekonomi Bankasi.

Risco de contágio penaliza Europa

A turbulência na Turquia poderá afastar o capital estrangeiro de que o país precisa para financiar o seu grande défice externo e diminuir a capacidade das empresas de pagarem os empréstimos que têm em divisas estrangeiras.

Essa possibilidade está a penalizar fortemente o sector da banca europeia - já que há várias instituições financeiras com exposição considerável à Turquia – e a própria moeda única, que atingiu hoje o valor mais baixo desde Julho do ano passado face ao dólar.

Segundo avançou o Financial Times, o Banco Central Europeu já está atento aos potenciais efeitos da desvalorização da lira e está preocupado sobretudo com o BBVA, Unicredit e BNP Paribas. As acções do BBVA descem 3,26%, o Unicredit cai 3,18% e o BNP Paribas desvaloriza 3,69%.

De acordo com as estatísticas do Banco de Pagamentos Internacionais, a exposição dos bancos espanhóis aos bancos turcos é de 83,3 mil milhões de dólares, 38,4 mil milhões no caso dos franceses e 17 mil milhões no que toca aos italianos. 




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