Mercados Mais de 40% das famílias portuguesas não tem poupança

Mais de 40% das famílias portuguesas não tem poupança

A curva de poupança tem vindo a cair nos últimos anos. A facilidade de acesso a endividamento justifica esta evolução, conclui um estudo.
Mais de 40% das famílias portuguesas não tem poupança
Patrícia Abreu 30 de Novembro de 2016 às 19:59

O nível de poupança dos portugueses continua em níveis preocupantes. Apesar da forte quebra dos custos associados ao crédito à habitação, devido às baixas taxas de juro, que resultou num aumento do rendimento disponível, mais de 40% das famílias portuguesas não têm poupança.

A taxa média de poupança dos portugueses tem vindo a diminuir praticamente todos os anos, com o consumo das famílias a crescer mais do que o rendimento. Esta é uma das conclusões do estudo "A poupança e o financiamento da economia", apresentado esta quarta-feira numa conferência organizada pela Associação Portuguesa de Seguradores. De acordo com o mesmo estudo há uma parte significativa de famílias – 40% - sem poupança, que se mantém concentrada na mão dos portugueses com maiores rendimentos.

De acordo com Fernando Alexandre, um dos responsáveis do estudo, os portugueses ainda não interiorizaram a necessidade de poupar, nomeadamente para a reforma, nem parecem estar conscientes de como os problemas do Estado-social podem afectar a sua vida no futuro. O responsável justifica a tendência descendente da curva da poupança em Portugal com a "facilidade de acesso ao crédito".

O crédito à habitação recolhe, porém, o grosso das dívidas dos portugueses, com 80% do financiamento destinado à finalidade de compra de casa. No entanto, os portugueses não aproveitaram a folga patrocinada pela descida das taxas de juro nas prestações para aumentar a poupança. Segundo o estudo, apenas desde 2009, o crédito da casa registou uma queda mensal de 200 milhões de euros.

Em termos de riqueza, os portugueses continuam a direccionar para os depósitos o grosso das suas poupanças. Estes produtos captam 61% da riqueza, mas o ambiente de taxas deprimidas abre uma oportunidade para as seguradoras, que podem competir na captação de poupança, caso consigam comercializar produtos mais atractivos.

Para Paulo Macedo, administrador da Ocidental Vida, é fundamental que as pessoas percebam a importância da poupança, realçando que se poupa para fazer face a imprevistos futuros, nunca houve tanta necessidade de o fazer. É que o alívio sentido nas prestações da casa não vai durar para sempre e, em dada altura, os juros vão subir.

A reforma é outro dos temas que necessita, na opinião do antigo governante, de chegar à consciência dos portugueses. "As pessoas que dentro de uns anos se reformarem na idade normal da reforma terão cerca de 50/60% do seu rendimento actual", lembra Paulo Macedo, alertando que o "Estado tem que dizer que as pessoas têm de ter uma perspectiva de maior complementaridade".

E, o sector dos seguros tem aqui uma palavra a dizer. Paulo Macedo acredita que há uma oportunidade para as seguradoras tentarem captar os valores à ordem nos bancos, por exemplo, em produtos de protecção. "Os clientes procuram maior diversidade e maior rentabilidade e protecção", remata o antigo ministro.




A sua opinião13
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado republicadosbananas Há 5 dias

quando leio estas coisas palavra que curto isto, em que país é que esta gente vive? Apesar de haver gestores de bancos a quem aceitam pagar 35000€ mensais, este ainda é um país em que o ordenado médio pouco ultrapassa os 800€, é um país que tem uma miríade de gente que ganha ordenado mínimo, é um país em se numa família os dois cônjuges trabalharem e ganharem o ordenado mínimo os jornaleiros e comantadeiros têm a lata de lhes chamar "classe média", ao mesmo tempo que é o país da europa que tem a electricidade e os combustíveis mais caros da Europa . . . já agora, alguém que explique o que é que se pode poupar e onde é que se pode poupar, porque de conversa estou eu farto. Oh Patrícia Abreu, Lições dá-as quem faça melhor, não quem saiba mais. O Paulo Macedo que se cuide, porque as pessoas precisam do dinheiro para viver o dia a dia.

comentários mais recentes
SÍTIO MUITO MANHOSO Há 5 dias


...MENTIRA ! POUPAM MAS SÃO ROUBADOS POR TODO O LADO :
BANDOS, BANDOS POLÍTICOS , (DES)GOVERNOS, ETC.

... AGORA, COMO NÃO SABEM O QUE FAZER AO QUE ROUBADOS, ATÉ VAMOS TER UMA . . . AGÊNCIA ESPACIAL, POR NÃO HAVER O QUE FAZER EM TERRA !

... ESTÁ TUDO GROSSO ! ! !

pertinaz Há 5 dias

É COMO ALIMENTARMO-NOS DO NOSSO PRÓPRIO CORPO



SÓ MESMO UM DESGOVERNO DA ESQUERDALHA CANALHA PODE INCENTIVAR UM SUICÍDIO COLECTIVO COM ESTAS CARACTERÍSTICAS




VAMOS A CAMINHO DO ABISMO

Anónimo Há 5 dias

Mas já pensaram porque as pessoas não poupam! Algumas porque não conseguem, outras porque veêm as lindas taxas de juros que os nossos bancos pagam e outras vêem as suas poupanças arderem com os nossos lindos bancos e outras porquem não querem. É melhor fazer vida de rico sem ter onde cair morto!

Resposta de pertinaz a Anónimo Há 4 dias

SIM, COM UM DESGOVERNO DESTES QUEM CONSEGUE POUPAR ???


DESDE OS IMPOSTOS ATÉ Á PUBLICIDADE DO DESGOVERNO PARA QUE GASTEMOS Á FARTAZANA PARA INCENTIVAR O CONSUMO INTERNO !!!



VAMOS A CAMINHO DO ABISMO

Anónimo Há 5 dias

Devem ser na larga maioria funcionários públicos. Têm a segurança do emprego para toda a vida. Os outros como eu, têm medo do que lhes possa acontecer no dia seguinte. E que remédio senão poupar.

ver mais comentários
pub