Obrigações Manutenção do 'rating' pela Fitch é "má notícia", diz Maria Luís Albuquerque

Manutenção do 'rating' pela Fitch é "má notícia", diz Maria Luís Albuquerque

"Há uma semelhança muito grande entre muitas coisas que estão a acontecer agora e o que aconteceu no final de 2010 e início de 2011," acrescentou a antiga ministra das Finanças.
Manutenção do 'rating' pela Fitch é "má notícia", diz Maria Luís Albuquerque
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 04 de fevereiro de 2017 às 22:03

A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque considerou este sábado, 4 de Fevereiro, uma "má notícia" a agência de notação financeira Fitch ter mantido o 'rating' de Portugal, atribuindo a decisão à falta de "confiança" e de "resultados macroeconómicos" nacionais.

"Para mim não é uma boa notícia", afirmou a antiga ministra do Governo PSD/CDS-PP, frisando que não tem "falado com a Fitch, ultimamente", mas que também não vê "razões para fazer um ‘upgrade’, lamentavelmente" à nota do país.

Segundo a vice-presidente do PSD, que falava aos jornalistas à margem de um jantar da JSD em Évora, "até há um ano atrás" Portugal estava "na perspetiva de subir novamente para o nível de investimento, numa outra agência, que não apenas a agência canadiana DBRS".

"Quando saímos do Governo, deixámos o país prestes a passar para um grau de investimento em pelo menos mais uma agência e, portanto, tudo aquilo que seja continuarmos no nível de não-investimento ou no nível de lixo é uma má notícia para o país", insistiu Maria Luís Albuquerque.

Atualmente, "mantermo-nos estáveis já é visto como boas notícias e isso já vai sendo recorrente", o facto de se "achar que [quando] não acontece nada pior é uma boa notícia", o que "é pena", ironizou.

A vice-presidente do PSD falava aos jornalistas à margem do jantar de tomada de posse dos órgãos distritais de Évora da JSD.

Na sexta-feira, a Fitch manteve a nota atribuída a Portugal em BB+, acrescentando a consideração de estável para a perspetiva, conforme comunicado emitido em Londres.

"O 'rating' da dívida pública de Portugal é suportado por instituições robustas, um forte ambiente empresarial e um dos maiores rendimentos per capita na categoria BB", justificou a agência de notação financeira.

Mas, segundo Maria Luís Albuquerque, Portugal "não transmite nem confiança nem resultados macroeconómicos que justifiquem" que o país "volte a ser considerado, para a maioria das agências, como um investimento de risco mais aceitável ou de risco mais baixo".

Além de não se encontrarem "esses dados macroeconómicos suscetíveis de dar uma melhoria sustentada e uma previsão de uma evolução francamente positiva", o país tem também "uma dívida que continua a aumentar e essa é, naturalmente, uma grande preocupação para os investidores", continuou.

"E como temos um nível geral de muito fraca confiança daquele que pode ser até o comportamento político dentro do país, é natural que não haja perspetivas melhores", acrescentou.

Ainda em declarações aos jornalistas, a também deputada do PSD mostrou-se preocupada com "a situação do país", argumentando que "há uma semelhança muito grande entre muitas coisas que estão a acontecer agora e o que aconteceu no final de 2010 e início de 2011".

"Aliás, basta olhar para as taxas de juro para termos uma medida concreta dessas preocupações", disse.




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comentários mais recentes
Anónimo 17.02.2017

Yup...e senhora Albuquerque fez um excelente trabalho, a Fitch deu "muito bom" ao país quando ela liderava as finanças, CERTO!?

Falta de confiança no governo da geringinça 06.02.2017

Não entendo esta gente de esquerda que por aqui comenta. Gente completamente cega. Se alguém fala verdade, parece-lhes que a verdade é mentira e que se deve ocultar a verdadeira situação do país. Acontece que a divida continua a aumentar, o défice foi trabalhado e os mercados, não confiam neste go

fred 06.02.2017

Comecei a ler e fiquei com náuseas. Se não páro a tempo acho que neste momento o teclado do computador não funcionava e dava um trabalhão para limpar.

Anónimo 06.02.2017

esta canalha deseja apenas que o país afunde!
E depois vêm armados em patriotas de meia tigela!

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