Bolsa Monte dei Paschi afunda mais de 16% para mínimo histórico após alerta de liquidez

Monte dei Paschi afunda mais de 16% para mínimo histórico após alerta de liquidez

O banco italiano avisou esta quarta-feira que poderá ficar sem liquidez daqui a quatro meses. As acções foram suspensas por duas vezes, tendo chegado a afundar mais de 16%.
Monte dei Paschi afunda mais de 16% para mínimo histórico após alerta de liquidez
Rita Faria 21 de Dezembro de 2016 às 10:52

É mais uma sessão negra para as acções do banco italiano Monte dei Paschi, que estão a afundar na bolsa de Milão depois de a instituição financeira ter alertado que poderá ficar sem liquidez daqui a quatro meses.

Os títulos foram suspensos pela segunda vez esta manhã depois de terem desvalorizado 16,56% para 15,47 euros, o valor mais baixo desde que começaram a negociar, em 1999. Esta descida eleva para quase 87% as perdas acumuladas pelo Monte dei Paschi desde o início deste ano. 


Esta quarta-feira, numa comunicação publicada no seu site, o banco avisou que poderá ficar sem liquidez mais rápido do que era previsto, se não conseguir concluir com sucesso o seu plano de recapitalização de cinco mil milhões de euros.

Depois de ter dito na semana passada que a sua posição de liquidez de 10,6 mil milhões de euros deveria durar 11 meses, a instituição alertou agora que o prazo deverá ser mais curto, de apenas quatro meses. No quinto mês, o banco poderá ter já uma liquidez negativa em 15 milhões de euros.

O alerta da instituição italiana é mais um sinal da urgência em recapitalizar aquele que é o mais antigo banco do mundo em actividade. O Monte dei Paschi tem até ao final do ano para concluir o processo, que é visto com cada vez mais dúvidas pelo mercado. De acordo com a Reuters, o fundo soberano do Qatar, que tinha considerado um investimento no banco, ainda não se comprometeu a comprar acções, ao passo que a segunda operação de troca de dívida por acções havia atingido 500 milhões de euros, esta terça-feira, um dia antes de expirar. O montante arrecadado até ao momento fica, assim, muito aquém dos 5 mil milhões de euros necessários.

Além da troca de dívida subordinada por acções, o Monte dei Paschi tem de angariar dinheiro junto de investidores estratégicos e chegar a um acordo com o fundo que irá absorver o malparado.   

As mesmas dúvidas em torno do sucesso do plano de recapitalização levaram o Governo italiano liderado por Paolo Gentiloni a elaborar um plano de ajuda ao sector no valor de 20 mil milhões de euros, que será hoje colocado para aprovação no parlamento, de acordo com Il Sole 24 Ore. Este fundo, constituído como medida de precaução, tem como objectivo suportar o sector bancário caso o plano de recapitalização do Monte dei Paschi falhe, "através de garantias públicas, a fim de restaurar a sua capacidade de financiamento a curto e médio prazo", como explicou o ministro das Finanças Pier Carlo Padoan. 

Segundo avança o Il Messaggero, o plano elaborado pelo Executivo italiano não vai penalizar os depositantes com mais de 100 mil euros e irá incluir compensações parciais para os obrigacionistas de retalho.

Os accionistas e obrigacionistas deverão enfrentar perdas "suaves", tendo que participar na conversão de obrigações subordinadas em acções, enquanto os obrigacionistas de retalho poderão ser compensados em 80% do seu investimento.

Ainda de acordo com o Il Messaggero, além do Monte dei Paschi, também o Veneto Banca, o Popolare Vicenza, o Cassa di Cesena, Cassa di Rimini e Cassa di San Miniato poderão beneficiar desta ajuda estatal. 




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