Obrigações Moodys: Se Itália sair da moeda única haverá “eventos de crédito severos” na Zona Euro

Moodys: Se Itália sair da moeda única haverá “eventos de crédito severos” na Zona Euro

A Moody’s ainda considera como muito baixa a probabilidade de Itália sair do euro. Mas alerta para os riscos severos que isso traria para a união monetária.
Moodys: Se Itália sair da moeda única haverá “eventos de crédito severos” na Zona Euro
Bloomberg
Rui Barroso 15 de fevereiro de 2017 às 15:46

A Moody’s voltou a alertar que o risco político na Europa está a crescer. Apesar de considerar que actualmente o risco de haver saídas da Zona Euro ser diminuto, os analistas da agência ressalvam que "as dinâmicas políticas são imprevisíveis". O que aparenta ser certo, segundo a agência, é que uma saída da união monetária resultaria num incumprimento do país em causa. E se isso acontecesse num país como Itália as consequências para os "ratings" de outros países do euro seriam "severas".

"A saída de um país da Zona Euro poderia precipitar o seu incumprimento. O "default" ocorreria se a redenominação das obrigações do governo impedisse os credores de receber ou adquirir o montante original prometido de uma forma atempada", realça a Moody’s. Na prática, isso significaria que a desvalorização da nova moeda que fosse substituir o euro levaria a que esse país deixasse de cumprir com as obrigações assumidas em euros.

E se isso acontecesse em países com o peso de Itália os problemas não ficariam por aí. "A Zona Euro foi desenhada como sendo uma união monetária irreversível e a sua principal força é a fé na sua irreversibilidade", diz a Moody’s. E acresenta: "Mesmo que uma disrupção generalizada associada à saída de um membro mais pequeno como a Grécia pudesse ser contida pelos restantes membros, esse não seria o caso para um país maior como Itália".

Dado o calendário eleitoral preenchido deste ano, a Moody’s avisa que "a capacidade dos partidos pró-euro de continuarem a gerir a agenda política será testada nos próximos meses". Os analistas apontam como datas-chave as eleições francesas em Abril e Maio e as eleições na Holanda em Março. Consideram ainda que "em Itália, a probabilidade de eleições antecipadas em 2017 está a aumentar".

Risco de saída de Itália é "muito baixo", mas é maior que noutros países

Apesar da ascensão dos partidos anti-euro em países como Itália, Holanda, Áustria e França, a Moody’s defende que o maior "risco do eleitorado rejeitar os actuais acordos, incluindo a permanência na Zona Euro" é mais elevado em Itália. Ainda assim, no "rating" de Baa2, a agência diz que continua a incorporar uma "muito baixa" probabilidade de Itália sair do euro.

Os analistas da agência referem que "apesar do eleitorado italiano ser mais eurocéptico que em muitos outros países do euro, existem significativos obstáculos institucionais para se fazer uma alteração deste tipo", exemplificando com os "constrangimentos institucionais em fazer-se um referendo sobre esse assunto". O Movimento Cinco Estrelas tem como um dos principais pontos eleitorais avançar para esse referendo.

Apesar destes obstáculos, a Moody’s ressalva que não são inultrapassáveis. "A insatisfação com os partidos políticos do ‘establishment’ pode muito bem traduzir-se em ganhos eleitorais dos partidos eurocépticos nas próximas eleições", refere a agência. E realça que "mesmo sem uma maioria parlamentar, isso pode aumentar a pressão para se realizar um referendo sobre a permanência de Itália na Zona Euro".

E as sondagens mostram que "o sentimento anti-euro em Itália está a aumentar, e o referendo do Brexit ilustra como os imprevisíveis eventos políticos podem influenciar o cenário de crédito". 




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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Esta para breve a derrocada . eleições ganhas em França pela extrema direita, Itália endividada, Grécia ja não se levanta, Portugal ja nem consegue vender os bancos ao preço da pastilha. Espanha sem poder de compra. os grandes lideres a fugir do parlamento para outros tachos

mudo Há 1 semana

A muda se é muda é para estar calada. Vêm com hipóteses. É a muda e outras iguais é que contribuem para desestabilizar o que já de si é frágil.

Anónimo Há 1 semana

Está tudo a rebentar pelas costuras derivado ás más politicas implementadas pela uniâo europeia,não souberam conduzir a geringonça como união, mas sim desunião,os mais fortes só viam o seu humbigo,agora vota a dár, o mal já esta feito. Até o beijoqueiro diz que já não se recandidata!!!! ( junkers)

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