Obrigações Moody’s corta "rating" do Reino Unido

Moody’s corta "rating" do Reino Unido

"A pressão orçamental vai ser exacerbada pela erosão da força económica do Reino Unido, em resultado da forma como vai sair da União Europeia", considera a Moody’s.
Moody’s corta "rating" do Reino Unido
Reuters
Nuno Carregueiro 23 de setembro de 2017 às 15:36

O dia em que efectuou um importante discurso sobre o Brexit terminou mal para Theresa May, que viu a agência de notação financeira Moody’s reduzir o "rating" do Reino Unido.

 

A notação financeira da dívida pública britânica baixou de Aa1 para Aa2, o que corresponde ao terceiro nível mais elevado da escala e por isso a dois de distância do cada vez mais exclusivo "triple A". A perspectiva, que estava "negativa", passou a "estável".

 

Numa nota publicada na noite de sexta-feira, a Moody’s cita duas principais razões para efectuar este corte.

 

Por um lado as contas públicas "enfraqueceram de forma significativa" desde que o rating de Aa1 tinha sido reiterado. Além disso, "a pressão orçamental vai ser exacerbada pela erosão da força económica do Reino Unido, em resultado da forma como vai sair da União Europeia".

 

A Moody’s assinala que a dívida pública britânica deverá continuar a aumentar (estima 90% do PIB este ano) e são cada vez mais questionáveis as metas do Governo de May para a consolidação orçamental.

 

A agência cita também a "complexidade" das negociações sobre o Brexit e a dinâmica da política interna, que aumentam a complexidade dos desafios para o governo britânico.

 

O corte da Moody’s aconteceu no final de um dia em que a primeira-ministra Theresa May efectuou um importante discurso em Florença, no qual pediu um período de implementação de dois anos do novo relacionamento entre Londres e a UE.

 
A primeira-ministra garantiu também que Londres vai deixar a UE "no final de Março de 2019 e as negociações vão continuar potencialmente até muito próximo dessa data". O líder das negociações por parte do bloco europeu, Michel Barnier, já defendeu que é necessário que haja um acordo até Novembro de 2018, cerca de quatro meses antes do Brexit efectivo.

 

Logo depois do referendo que ditou o Brexit o Reino Unido foi alvo de vários cortes de rating, mas este da Moody’s é o primeiro desde as eleições antecipadas que ditaram a perda da maioria de May no Parlamento britânico.

 

As eleições "reforçaram algumas das preocupações que já antes tinhamos sobre as políticas orçamentais", disse à Bloomberg Kathrin Muehlbronner, analista da Moody’s.

 

Na resposta à decisão da Moody’s, o Governo britânico alegou que já "está fora de prazo" pois  May  já delineou um plano ambicioso para a o Brexit



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