Obrigações Moody’s melhora perspectiva do “rating” de Portugal

Moody’s melhora perspectiva do “rating” de Portugal

A primeira agência a colocar Portugal num nível visto como “lixo” pelos mercados deu um sinal de que pode melhorar o “rating” no médio prazo.
Moody’s melhora perspectiva do “rating” de Portugal
Miguel Baltazar/Negócios

A Moody’s melhorou a perspectiva para o "rating" de Portugal de estável para positiva, de acordo com a nota publicada na noite desta sexta-feira, 1 de Setembro. A notação permanece em Ba1, a um nível de sair de lixo. Mas o novo "outlook" sinaliza que a agência vê como provável uma subida do "rating" para grau de investimento nos próximos 12 a 18 meses. Segue os passos da Fitch, que tinha tomado decisão semelhante em Junho.

A Moody’s, a primeira a classificar Portugal como "lixo" na crise financeira, deu três motivos para a melhoria da perspectiva. O primeiro motivo foi a "melhoria da resiliência do crescimento dada a recuperação no investimento". A Moody’s valorizou também "os esforços orçamentais significativos". E notou uma melhoria na estrutura da dívida, que mitiga os riscos de refinanciamento do Estado.

Economia recupera e com mais contributos

Em Maio, num relatório sobre Portugal que não constituía uma acção de "rating", a Moody’s expressou preocupações sobre a recuperação da economia estar demasiado dependente do turismo. Mas agora a agência considera, na nota divulgada esta sexta-feira, que os "contributos para o crescimento alargaram-se nos recentes trimestres passando a incluir investimento, assim como o consumo privado".

A agência reviu em alta a estimativa para o crescimento. Prevê agora um crescimento "de 2,5% em 2017, acima das expectativas para a média da Zona Euro". Em Maio, a previsão apontada era de 1,7%. A estimativa actual está alinhada com as do Banco de Portugal e do FMI.

A Moody’s destacou ainda o "forte crescimento" na formação bruta de capital fixo (FBCF) desde o segundo semestre de 2016, a expectativa de que a actividade de investimento continue a contribuir para o crescimento beneficiando de uma melhoria do sentimento económico e "pelos desenvolvimentos positivos no mercado de trabalho".

No entanto, apesar da queda do desemprego, a Moody’s realça que o "elevado desemprego de longa duração e entre os jovens continuam a ser uma persistente preocupação" em relação à qualidade de crédito.

Os esforços de consolidação orçamental

Em Maio, a Moody’s expressou algumas preocupações sobre a estratégia orçamental seguida por Portugal ter assentado em 2016 em receitas extraordinárias, como o Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado. Mas agora realça que "apesar do papel das receitas ‘one-off’, o défice estrutural melhorou em 0,3% em 2016, acima do requisito de um saldo estrutural inalterado".

Para este ano, e tendo como base os dados da execução orçamental até Julho, a Moody’s estima um défice de 1,8%. O Governo prevê que fique em 1,5%.

A agência destacou ainda o saldo primário conseguido em 2016, de 2,2%, "um dos mais elevados na União Europeia". A Moody’s estima que este indicador se situe em 2,3% nos próximos dois anos, uma projecção mais conservadora que a do Governo que aponta para saldos primários de 2,9%.

Os maiores saldos primários permitem uma redução do rácio da dívida sobre o PIB, o foco de maior preocupação das agências de "rating" em relação a Portugal. "O maior desafio de crédito continua a ser o fardo muito elevado da dívida pública, uma das maiores na UE", referem os analistas da agência.

Esperam que "desça apenas gradualmente de cerca de 130% do PIB no final de 2016 para cerca de 120% em 2021, limitando o espaço o orçamental para lidar com futuros choques". Isso faz com que a relação entre o pagamento de juros e as receitas, Portugal tenha um perfil mais fraco que a mediana dos países com "rating" similar.

A estrutura mais positiva da dívida

A forma como a dívida pública está a ser gerida também foi destacada pela Moody’s como um motivo para melhorar a perspectiva. "As políticas de gestão activa de dívida ajudaram a aumentar a resiliência da dívida do Estado aos desenvolvimentos do mercado, incluindo a subidas graduais das taxas de juro", diz a Moody’s.

A agência elogia a estratégia de gestão de dívida, que passou por recompras, operações de troca e reembolsos antecipados ao FMI, que permitiram "suavizar o perfil de maturidades da dívida", o que diminui o risco de refinanciamento.

A manutenção de uma almofada financeira que permite fazer face a entre 40% a 50% das necessidades de financiamento do ano seguinte foi também sublinhada pela Moody’s. Ainda assim, a agência avisou que as taxas da dívida portuguesa "continuam mais sensíveis a mudanças no sentimento dos investidores que a maioria dos soberanos da periferia da Europa. O risco de um material choque de confiança continuará a pesar na avaliação do risco de liquidez".

Esta decisão abre caminho para uma actualização do ‘rating’ da República para o grau de investimento de qualidade, que decorrerá da confirmação da sustentabilidade do crescimento económico, da qualidade da gestão orçamental e do impulso reformista do Governo Ministério das Finanças

 

Moody’s admite subir "rating" nos próximos 12 meses

A Moody’s realça que para concretizar esta melhoria da perspectiva numa subida do "rating" para grau de investimento precisa de ter mais informação sobre a evolução económica e orçamental. "O "rating" de Portugal pode ser melhorado para grau de investimento caso a Moody’s conclua que as tendências positivas económicas e orçamentais sejam sustentadas e que o fardo muito elevado de dívida se dirija de forma firme numa tendência de descida", refere a agência.

Para isso acontecer, os analistas precisam de ver "registos mais consistentes de saldos primários, evidências de que a o crescimento económico continua a ter uma base ampla, apoiando a resistência da economia a choques, e progressos adicionais na recapitalização dos bancos mais fracos".

E explicita que o "’outlook" positivo sinaliza que a Moody’s espera tirar, ou não, essa conclusão nos próximos 12 a 18 meses, e bem possivelmente dentro de 12 meses". A agência apenas deverá voltar a pronunciar-se sobre Portugal no início de 2018. A próxima avaliação ao "rating" ocorre já a 15 de Setembro, altura em que a S&P se pode manifestar sobre a notação. Tem actualmente o "rating" a um nível de sair de "lixo", com perspectiva estável. 

Governo diz que saída do lixo está mais próxima

O Ministério das Finanças considera que a decisão anunciada esta noite pela Moody’s abre caminho a uma subida do "rating" para níveis acima de "lixo" e mostra um "reconhecimento cada vez mais amplo dos sólidos resultados económicos e financeiros alcançados por Portugal e reiterando a confiança no percurso futuro".

 

"Esta decisão abre caminho para uma actualização do ‘rating’ da República para o grau de investimento de qualidade, que decorrerá da confirmação da sustentabilidade do crescimento económico, da qualidade da gestão orçamental e do impulso reformista do Governo", refere uma nota emitida esta noite pelo Ministério das Finanças.

 

O ministro das Finanças, citado na mesma fonte, destaca que "esta decisão da Moody’s vem juntar-se a um crescente reconhecimento por parte de vários atores institucionais e privados quanto à solidez da economia portuguesa".

 

Acrescenta que "a Moody’s vem reconhecer os avanços registados na gestão orçamental e salientar a abrangência do crescimento económico alicerçado no investimento e nas exportações. Mais importante ainda é o facto de Portugal estar a conseguir aliar estas duas dinâmicas enquanto gera emprego e, assim, reforça a confiança no futuro". 

As próximas decisões para o "rating" de Portugal

Depois da Fitch e da Moody's, o mercado aguarda pela decisão da S&P para aferir se sobe também a perspectiva para positiva.

S&P  - 15 de Setembro
A S&P tem o "rating" de Portugal a um nível de sair de lixo com perspectiva estável. Depois da melhoria do "outlook" por parte da Fitch e da Moody's, o mercado espera para ver se a S&P toma a mesma decisão.

DBRS - 20 de Outubro
A DBRS é a única da agência seguida pelo BCE que avalia Portugal acima de "lixo", um nível apenas acima desse patamar. Mas com a tendência positiva do "rating" junto da Moody's e a da Fitch, as decisões da DBRS têm tido menos atenção do mercado.

Fitch - 15 de Dezembro
Após a revisão da perspectiva para positiva em Junho, a Fitch deixou o "rating" mais perto de sair de "lixo" e tem uma data potencial para o fazer. Mas a Fitch já teve o "rating" nessa situação entre 2014 e 2016 sem o melhorar.

Moody's - 2018
A Moody's já não tem nenhuma data agendada em 2017 para se poder pronunciar sobre o "rating". Mas poderá fazê-lo no início de 2018, já com mais informação disponível para confirmar ou não as tendências que poderão significar uma saída de "lixo".

(notícia actualizada pela última vez às 22:03)




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mais votado surpreso Há 3 semanas

TENHAM PUDOR! A MOODY´S QUER MENOS DÉFICE,MENOS DÍVIDA E RETOMA CONSISTENTE.QUEM É QUE NÃO QUER?

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A Cristas ficou Triste Há 3 semanas

Coitada, metia pena a tristeza da mulher, que não gosta de boas notícias, depois das Autárquicas terá uma notícia das que ela gosta, Entristece qualquer Cidadão, seja de cor Política fôr,Ver uma dirigente Partidária pôr os interesses Partidários á frente dos do País. Valha nos correios Senhor

valeaquilino Há 3 semanas

Não nos podemos esquecer que esta melhoria, vista/ revista pelas agências só é possível devido às informações e avaliações efectuadas e emitidas pelo DITO CUJO (peça de caça), é necessário agradecer-LHE e fazer-LHE um andor.

Anónimo Há 3 semanas

O buraco da banca ainda não está resolvido só da banca cavaquista pesam 6.5 mil milhões . Muito trabalho pela frente. Viva Portugal!

Sem Tino, assenta como uma luva! Há 3 semanas

Com um governo minoritário oportunista, ilegítimo pelo voto do povo, queriam o quê?
Lixo! É o que eles são.
Se tivéssemos um governo legítimo há muito que o lixo tinha ficado para trás, assim regozijem-se com a mediocridade e aldrabice, pois é nisso que são exímios.

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