Obrigações Moody’s tem uma perspectiva negativa para a dívida mundial em 2017

Moody’s tem uma perspectiva negativa para a dívida mundial em 2017

A agência de notação financeira realça que o crescimento vai permanecer baixo em 2017, num momento em que os Estados mantêm níveis de endividamento elevados e as tensões políticas se acentuam.
Moody’s tem uma perspectiva negativa para a dívida mundial em 2017
Reuters
Patrícia Abreu 14 de Novembro de 2016 às 13:38

A eleição de Trump acelerou um movimento de venda generalizada no mercado de obrigações global, com os juros a dispararem perante a expectativa de uma normalização mais rápida das taxas de juro. E as perspectivas para 2017, na opinião da Moody’s, não são as mais favoráveis para a dívida. Dos 134 países que avalia, 35 têm um "outlook" negativo, a maior proporção de avaliações negativas desde 2012.


"O nosso ‘outlook’ para o risco de crédito soberano em 2017 é ainda negativo de um modo geral", refere a Moody’s, numa nota a que o Negócios teve acesso. A agência de "rating" justifica as perspectivas pessimistas com "uma combinação de continuado baixo crescimento, elevado endividamento do sector público, que vai provavelmente aumentar mais com as políticas expansionistas, e as tensões políticas regionais e domésticas".


Perspectivas pouco animadoras que estão reflectidas nas avaliações de risco da agência de notação financeira. Das 134 dívidas soberanas que acompanha, 26% das avaliações, ou 35, têm perspectivas negativas. "Ao mesmo tempo, apenas 12% (ou 9%) dos ‘ratings’ soberanos actuais têm um ‘outlook’ positivo, o que indica que antecipamos apenas um movimento de melhoria de avaliações limitado".


Segundo a instituição, um terço das obrigações soberanas que segue registaram uma quebra da sua robustez económica este ano e dois quintos na sua robustez orçamental. Um enquadramento que antecipa desafios crescentes para o próximo ano.


Enquanto nos mercados emergentes, que foram negativamente afectados pela queda dos preços das "commodities", a expectativa é de baixo crescimento, nas economias desenvolvidas, além do PIB, também a inflação deverá permanecer baixa, isto num momento que entra no debate a necessidade de avançar com estímulos orçamentais.


"Como os governos vão ajustar as suas políticas – particularmente orçamentais – em resposta a este ambiente vai ser chave para a resolução da maioria destes ‘outlooks’ negativos", realça a Moody’s. É que na opinião dos especialistas, nem todos os países têm capacidade para implementar estas medidas de estímulo à economia e caso o façam vai piorar o seu risco de crédito.


"O nosso cenário base para 2017 é que o crescimento do PIB real a nível global seja entre 2,5% e 3,5%, apenas ligeiramente acima de 2016", antecipa a agência. Níveis de crescimento que não permitem resolver os desequilíbrios criados nos últimos anos, nomeadamente a elevada alavancagem pública e privada.




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