Natixis corta recomendação da Brisa e acredita que a empresa vai continuar cotada
13 Agosto 2012, 17:41 por Hugo Paula | hugopaula@negocios.pt
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O banco de investimento Natixis diz que a Brisa vai continuar cotada e por isso reduziu o preço-alvo da concessionária e retomou a recomendação de "reduzir" que tinha antes da OPA ter sido apresentada no final de Março.
O preço-alvo do Natixis para a Brisa desceu dos 2,76 euros, valor que correspondia ao preço da oferta pública de aquisição (OPA) apresentada pela Tagus, para 2,00 euros por acção.

Este preço por acção reflecte o justo valor de 2,20 euros por título da Brisa, ao qual o banco de investimento aplicou um desconto de 10% "por falta de liquidez" que preconiza para as acções. Com a oferta de aquisição, a Tagus Holdings passou a deter 84,81% da Brisa. No entanto, a cotada detém 7,87% do capital em acções próprias, reduzindo o "free float" para menos de 7%.

O Natixis publicou uma nota de análise com o título "A Brisa vai continuar cotada", onde reduz a recomendação das acções para "reduzir" e diz que a operação arquitectada por José de Mello (na foto) "falhou". Contudo, embora a Tagus não possa apresentar uma OPA potestativa sobre a Brisa, isso não quer dizer que a concessionária de auto-estradas tenha de permanecer em bolsa.

O Natixis diz que a OPA sobre a Brisa "falhou" porque a Tagus Holdings, controlada pela família José de Mello, só detém 84,81% das acções da concessionária. "À luz da lei portuguesa, um grupo só pode retirar uma empresa de bolsa se detiver pelo menos de 90% das acções", lê-se na nota de análise.

Acontece que a Tagus detém 92,06% dos direitos de voto da Brisa, pelo que pode retirar a empresa de bolsa, mesmo sem comprar as participações de accionistas minoritários, tal como explicou o Negócios depois do anúncio do resultado da oferta. Isto foi incorporado pelos investidores, o que levou os títulos da Brisa a caír no mercado secundário, ao serem negociados pela primeira vez após o anúncio dos resultados, segundo noticiou o Negócios.

No futuro, os accionistas da Brisa poderão manter as suas posições na Brisa mas poderão não conseguir negociar as acções em mercados organizados como o PSI-20 ou o PSI-Geral. Até lá, o Natixis mantém a sua recomendaçao de "reduzir" para a Brisa. A Tagus ainda não decidiu a retirada da Brisa da bolsa, mas deu a entender que a decisão ser essa já que é foi isso que foi anunciado no prospecto da oferta.

"Estamos a retomar a nossa recomendação de reduzir para as acções, que era a nossa posição antes da apresentação da oferta. Isto porque continuamos cautelosos para o ambiente de negócios da Brisa", afirma a nota de análise do Natixis. "Fundamentalmente, acreditamos que as acções vão continuar a ser penalizadas pela situação [económica] em Portugal."

Hoje, os títulos da Brisa estão em queda de 9,91% para 2,09 euros. O preço-alvo de 2,00 euros por acção confere um potencial de desvalorização de 4,31% às acções, o que justifica a recomendação de "reduzir".

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.
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